Chegou mais uma daquelas alturas difíceis em que eu não consigo ter tempo, energia (ou ambos) para escrever e os rascunhos começam a acumular. Por isso, à semelhança do que aconteceu algumas vezes no ano passado, venho falar-vos das coisas que consumi nos últimos tempos de forma mais breve. De jogos a livros, passando por séries, isto é aquilo que tenho para vos falar:
Hogwarts Legacy
![Poster do jogo Hogwarts Legacy]()
Portkey Games
Um jogo para qualquer amante ou fã do universo de Harry Potter, passado muito tempo antes da história do protagonista da nossa infância. Encarnamos um feiticeiro com poderes ligados à magia ancestral - que não é qualquer pessoa que tem - e temos de desvendar um dos segredos mais bem guardados de Hogwarts.
Adorei este jogo, é tudo o que um amante precisa para reviver na pele a magia de Hogwarts. É um jogo muito 100%-friendly, já que nos dá indicações da percentagem de evolução no jogo, além de nos mostrar a quantidade de colecionáveis que conseguimos (ou não) em cada região do mapa para quem quiser completar mesmo, mesmo tudo. Gosto muito deste detalhe, não tenho por hábito completar jogos mas este tornou a tarefa tão mais intuitiva que teve de ser.
Fora isto, tem de tudo: aprendemos feitiços (incluindo, por escolha do jogador, unforgivable curses), voamos, colecionamos criaturas fantásticas e cuidamos delas. Acho que este é daqueles jogos que eu provavelmente irei querer voltar a jogar novamente (num futuro longínquo).
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Hellblade: Senua's Sacrifice
![Poster do jogo Hellblade: Senua's Sacrifice]()
Ninja Theory
Este é um jogo relativamente curto e portanto joga-se rápido. É inspirado nas culturas nórdica e celta e jogamos como Senua, uma guerreira que tem de desbravar caminho por Helheim, com o propósito de salvar a alma do seu falecido namorado, que está na posse da deusa Hela.
Aquilo que imediatamente me despertou interesse neste jogo foi o facto de pretender demonstrar uma psicose, sendo que contou até com a colaboração de profissionais para o fazer de forma realista. E a verdade é que, enquanto Senua, passamos o jogo inteiro a ouvir diversas vozes diferentes, por vezes até contraditórias.
O primeiro jogo da saga Hellblade - que entretanto contou com o lançamento recente do segundo jogo - é sobretudo um jogo de puzzles e com algum combate. De um modo geral, gostei muito da experiência e o facto de ser curto faz com que, no fim de contas, seja um jogo bastante direto. É sem dúvida alguma muito diferente de qualquer coisa que já joguei, e vale a pena a experiência.
O único ponto negativo é que não é muito intuitivo, especialmente ao início. E o jogo não explica absolutamente nada - não há tutoriais, não há dicas (também não conta com mapas nem itens). Entendo que seja propositado, mas enquanto não se percebe as lógicas do jogo nem se apanha o jeito a certas mecânicas, torna-se um pouco exaustivo e até aborrecido passar tanto tempo a tentar perceber o que é para fazer, ou como. E uma coisa é certa: o jogo pede-nos que usemos fones para uma experiência mais imersiva, mas esta falta completa de orientação ao início retira por completo a imersão do jogo.
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Taylor Swift vs Scooter Braun: Bad Blood
![Poster da série Taylor Swift vs Scooter Braun: Bad Blood]()
Max
Um documentário composto por dois episódios, cada um dedicado a cada um dos lados da história. Este é obviamente um documentário mais direcionado a quem gosta da Taylor Swift (e a quem gosta do Scooter Braun, provavelmente), mas tentando explicar de um modo geral: certamente que muitos se lembram do que o Kanye West fez à Taylor Swift nos VMA's de 2009 e na sua posterior música (que não vou citar, lamento) com um verso e um videoclip algo comprometedores e relacionados com a artista.
Scooter Braun era (e é) o manager de Kanye West e há alguns anos resolveu comprar a produtora com que Taylor Swift tinha contrato, produtora essa que não lhe quis vender os direitos para os seus próprios master recordings. Isto é só uma ponta do iceberg, para mais informações vejam o documentário ou leiam sobre o assunto, que tem pano para mangas.
Como ainda sou uma fã (se é que me posso chamar isto) recente, este era um assunto sobre o qual ainda não estava suficientemente informada e por isso aproveitei a deixa do documentário para me pôr a par de tudo.
Se esperam uma opinião imparcial, lamento, não é aqui que a vão encontrar. Da mesma forma que não achei o documentário propriamente imparcial (e era suposto ser), não só por começar com o episódio da Taylor (deixando a palavra do Scooter Braun para encerrar o assunto), mas acima de tudo pelos argumentos que utilizaram para defender o Scooter.
Meus amigos, se há coisas que eu acho que a Taylor não fez bem e não teve razão? Uma ou outra, sim. Mas o episódio do Scooter Braun até me deu uma comichãozinha feminista, porque o tempo foi passado com "ele é um bom homem, que até fez estas boas ações!" e "ele é um bom pai de família". Ah, ainda bem que ama os filhos e faz coisas gentis! Que homem perfeito, já podemos desculpar. (Poupem-me.) Argumentos reais a favor dele como profissional...? Zero.
Não concordo, como é óbvio, com certas coisas que ele sofreu devido a este assunto, como ameaças de morte. Ninguém merece passar por isso. Mas onde é que estão os argumentos de defesa que não passem por pintá-lo como um homem generoso e de família? É que isso nem sequer tem nada a ver com nada.
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Amanhã a Esta Hora, Emma Straub
![Livro Amanhã a Esta Hora, Emma Straub]()
Este livro parte de uma premissa que acho sempre muito interessante (e em que reflito na minha vida pessoal tantas vezes): se pudessemos voltar atrás, o que faríamos de diferente?
A nossa protagonista, Alice Stern, está prestes a fazer 40 anos mas não consegue largar o pensamento do quanto a sua vida está diferente do que imaginava: já quase não passa tempo com a sua melhor amiga da adolescência, Sam, que vive mais longe e tem uma família; mas, acima de tudo, não tem muito mais tempo para passar com o seu pai, deitado numa cama de hospital, e não sabe se alguma vez irá voltar a ouvir a sua voz.
É então no dia do seu aniversário que, inesperadamente e sem saber como, Alice acorda no seu quarto de infância, com 16 anos, e um pai mais novo e cheio de saúde. O que é que Alice pode fazer de diferente para mudar a sua vida e, mais importante ainda, salvar o seu pai?
Este livro tem um ritmo médio, achei que demorou muito a engrenar mas, assim que começou a desenvolver a parte mais importante da história, fê-lo no ritmo certo. Gostei do livro, da escrita e acima de tudo de algumas reflexões importantes que traz sobre o tempo e sobre o que podemos, ou não, mudar. Gerir as expectativas que temos, quando mais novos, sobre a nossa vida no futuro é um tema que está presente na história e que ultimamente tem estado presente na minha vida também.
O livro não mudou a minha vida, mas a leitura vale a pena pela experiência. A única parte que me custou mais foi, de facto, o início, que achei extremamente lento.
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Ok, não foi um post assim tão breve... Desculpem! Conhecem alguma destas obras? Curiosos com alguma?