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fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

30
Dez25

Retrospectiva | 2025

Vera

2025 começou com algum desafio, alguns meses de luta para tentar não cair na espiral de negatividade em que as circunstâncias tendiam a colocar-me. Felizmente, após alguns meses, coisas boas começaram a acontecer e desde então não posso dizer que algo de muito mau se tenha passado. Antes de passar para a retrospectiva propriamente dita, isto é aquilo pelo qual sinto que tenho realmente de agradecer: que nada de terrivelmente mau e irremediável tenha acontecido em 2025. Só por isso, para mim — e apesar de não ter começado da melhor forma —, já foi um ano bom. Já não procuro os melhores anos da vida, todos aqueles que não são maus são bons.

 

O ano começou com a nossa viagem a Barcelona e, confesso, nem me parece. Continuo a sentir que estive muito desligada naquela viagem, que talvez tenha ocorrido numa altura em que o que eu mais precisava era de parar um pouco — não de andar mais. Não parece que foi ainda este ano, parece que passou uma eternidade.

 

Outros momentos de destaque deste ano incluem:

  • Ir ao Jardim Zoológico pela primeira vez (embora tenha sido agridoce, para mim; pelo que o destaque vai para o facto de ter sido a primeira experiência).
  • Ter conseguido emprego na minha área e a fazer o que queria.
  • Termos a nossa casa (ainda não conseguimos mudar-nos, mas talvez em breve).
  • A sementinha de uma ideia para um negócio próprio nasceu; eu não sei se se vai concretizar, mas só o facto de essa vontade ter existido é um grande ponto positivo para mim.
  • Tentar estar mais com diferentes pessoas em diferentes momentos do ano.
  • Fomos a Coimbra e à Quinta das Lágrimas.
  • Terminei o curso técnico que comecei no ano passado.
  • Passei muito dos fins de semana de Verão em piscinas (um milagre, para mim).
  • Fui à praia pela primeira vez em não sei quanto tempo, e tive umas mini-mini-mini férias em Buarcos.
  • Fui ao Avante pela primeira vez.
  • Vi o espectáculo de comédia do Hugo Sousa, vi O Fantasma da Ópera em Lisboa, e vi o espectáculo do Terapia de Casal ao vivo.
  • Joguei um dos melhores jogos que já experienciei na vida e que acho sinceramente que vai para a minha lista de jogos favoritos.
  • Envolvi-me mais numa comunidade digital no Discord, onde me juntei também ao film club, ao clube de leitura, e a desafios artísticos e, honestamente, têm sido um espaço seguro.

 

Para além disso, 2025 foi um ano em que senti que me envolvi em vários hobbies diferentes e, apesar de passar por fases, sinto que consegui encontrar aqueles com os quais me envolvo de forma mais regular: desde colorir a fazer crochet, aprender italiano; além de ter sido um ano em que consegui criar um hábito de leitura mais consistente, em que vi mais filmes, e até em que joguei mais do que costumo.

 

Continuo a colocar uma maior importância e destaque em experiências, e sinto que 2025 foi um ano rico em experiências — tanto as que requerem sair, como as que implicam ficar dentro de casa, dentro de mim, e comigo própria.

 

Há algum tempo que eu deixei de definir objectivos para cada ano, no entanto vou listar algumas coisas que gostava que acontecessem em 2026:

  • Voltar a viajar e fazê-lo um pouco mais (não muito mais, só um pouco mais). Entre os destinos desejados estão Londres, voltar à Madeira, voltar a Madrid ou Barcelona e ir a qualquer cidade em Itália. Não vai acontecer isto tudo, mas espero que pelo menos dois se concretizem;
  • Ter aulas de natação;
  • Estar mais vezes com as pessoas;
  • Manter ou, quem sabe, melhorar ainda mais o hábito de leitura (idealmente, ler pelo menos 2 livros por mês);
  • Continuar a descobrir hobbies criativos de que gosto e manter os que já tenho (estou na mira de experimentar feltro).

 

Desejo a todos um excelente 2026, com muita saúde (vossa e dos vossos); e, de preferência, com tudo aquilo que mais desejam ❤️

01
Out25

Sobre leituras consistentemente rápidas (mas diagonais...)

Vera

Sinto que preciso de "deitar" este tema "cá para fora", sendo algo sobre o qual conversei há pouco tempo com uma amiga e que continua a fazer-me pensar. Quero tentar tratá-lo com o maior respeito possível, ou mostrando o maior respeito possível por quem o faz, mas preciso de confessar desde já que isto é um assunto que me custa muito compreender e por isso peço desde já desculpa se encontrarem alguma parte nesta publicação que vos faça sentir de alguma forma julgados ou onde achem que não me expressei corretamente (e sintam-se à vontade para alertar — de forma igualmente respeitosa, obviamente).

 

Esta conversa que tive com a minha amiga começou porque eu resolvi, no dia em que terminei de ler o Quociente de Felicidade, ler de uma vez só as poucas mais de 100 páginas que me faltavam deste livro, porque o empréstimo da Biblioled estava quase a terminar e eu não vi necessidade de o renovar por "apenas" 100 páginas. Ora, acontece que estas "apenas" 100 páginas me levaram, na verdade, 4 ou 5 horas para terminar (com uma pausa para jantar). Eu posso simplesmente ler devagar — o que é bem possível, porque eu gosto de ler com calma, e também porque por vezes tenho de reler quando me apercebo de que não estava concentrada —, mas creio que essa questão não é assim tão relevante para aqui.

 

Comentei com a minha amiga como é que, tendo esta experiência em conta, há pessoas que lêem tantos livros tão rapidamente (incluindo as book influencers, embora acredite que não sejam as únicas). E acabámos a falar sobre ler na diagonal (e muitas delas o fazerem).

 

O conceito de ler na diagonal faz-me muita confusão quando se trata da leitura, por prazer, de um livro. Na altura desta discussão, pesquisei na internet sobre isto e vi algumas pessoas no Reddit dizerem coisas como "se eu vejo que uma personagem abre uma porta, eu só preciso de saber que abriu a porta, não preciso de saber como o fez" e eu não podia discordar mais de uma afirmação. Pessoalmente, acho um pouco desrespeitoso esta coisa de ler um livro na diagonal — desrespeitoso para com o autor e o livro. Se o autor escolheu dizer-vos que a personagem abriu a porta de forma XYZ, é porque achou que seria pertinente, que fazia sentido — e faz parte da sua escrita, da sua forma de escrever, do conteúdo que é parte integrante do livro. Dito isto, como é que parece natural a alguém saltar tudo isto, ficar-se pela superficialidade do que a pessoa quer contar? É algo que me causa muita confusão. Como disse no início, é-me mesmo muito difícil compreender este conceito.

 

Tantas vezes se vê o debate "podemos contar audiolivros como ler um livro?", e pessoalmente, digo-vos já que um audiolivro não só é, para mim, a leitura integral de um livro, como o ato de o ouvir conta muito mais como leitura de um livro do que conta a leitura diagonal do mesmo. Para mim, a leitura é tudo sobre absorver, e leitura diagonal não inclui essa absorção da história e da escrita. Eu já li na diagonal, e sabem em que momentos aconteceu? Quando eu já não estava a suportar uma leitura e o fiz à base do ódio; quando já não me interessava absorver a história, a forma como o autor escolheu contar-ma — apenas queria terminá-la o mais rápido possível.

 

Dito isto, compreendo perfeitamente que book influencers o façam se essa foi a "marca" que criaram — isto é, se não forem especificamente influencers que defendam o slow reading, porque é o trabalho delas (parcial ou a tempo inteiro, não interessa) e infelizmente — por questões de consumismo desenfreado e outras — precisam de apresentar constantemente algo novo. Essa parte não me cabe julgar, ainda que pessoalmente não me identifique e não seja uma seguidora ávida deste tipo de criadores de conteúdo.

 

Entendo também que existam pessoas que naturalmente leiam mais rápido, mas acho que esta publicação não é, de todo, sobre elas.

 

Nunca vou conseguir compreender leitores que "devoram" livros lendo-os na diagonal e acho que ainda menos conseguirei compreender porque é que a quantidade de leitura se tornou assim tão mais importante que a qualidade de leitura — e acho que já deu para perceber que, pessoalmente, não vejo muita qualidade de leitura na leitura diagonal. Quando estou a ler um livro, quero absorver ao máximo as palavras do autor, compreender porque me está a contar isto desta forma, interiorizar o seu estilo de escrita. É isto que é, para mim, leitura (por prazer). Ler livros na diagonal vai, portanto, contra tudo aquilo que pessoalmente considero leitura por prazer. Quero lembrar, no entanto, que esta é só a minha opinião e eu sou apenas uma estranha na internet, e não sendo isto um assunto fraturante da sociedade — que esses são bem mais importantes —, espero que ninguém se sinta atacado. Eu não compreendo, mas leiam como quiserem 💕

 

Qual é a vossa opinião?

24
Set25

Recomendações | Conta Lá: Informações sobre as autárquicas em TODO o país

Vera

É algo vergonhoso estarmos tão perto das eleições autárquicas e existir tão pouca informação para aqueles que não estão nos grandes centros. (Esta desvalorização e desigualdade no país serão para sempre uma das minhas maiores queixas.)

 

Está certo que não são eleições legislativas ou para a presidência da República, mas não deixam de ser importantes. Embora seja ótimo que existam vários debates na televisão, muitos concelhos ficam de fora e não existe o mesmo esforço que existe nestas eleições que referi para canalizar a informação num só sítio.

 

Por estas e por outras, depois de ter feito um investimento ativo para encontrar qualquer coisa que fosse que me pudesse ajudar na minha decisão de voto no meu concelho, venho recomendar esta iniciativa, que felizmente passou a existir mas infelizmente parece não estar a ser ainda muito difundida:

 

Conta Lá, no YouTube e noutras redes

 

Têm feito e continuarão a fazer debates com todos os concelhos de Portugal. Eu já encontrei do meu (finalmente, depois de mais de uma tentativa de pesquisa por informação).

 

A descrição desta iniciativa começa por: "Acreditamos que Portugal não se resume aos grandes centros."

 

E eu só posso agradecer, como alguém que faz parte de um grupo constantemente deixado de fora (e esse grupo é muito grande, não existe só aqui onde me encontro). Por mais iniciativas assim. Obrigada por valorizarem Portugal como país, não como meia dúzia de regiões.

 

Agora com licença, que finalmente vou ver um debate entre os candidatos do meu concelho.

04
Set25

Um (outro) novo hobby

Vera

Há muito tempo que tenho pensado em escrever num caderno sobre livros que leio, filmes e séries que vejo. Tenho tendência a esquecer-me muito rapidamente de tudo, e não é que eu acredite que isso vá mudar significativamente com este caderno. Mas a verdade é que penso que irá definitivamente ajudar.

 

Esta ideia ficou a marinar durante algum tempo na minha cabeça. Primeiro, porque tinha medo de que se tornasse mais numa tarefa do que em algo prazeroso. Tinha medo que me faltasse a vontade de escrever, pois a verdade é que perdi por completo o hábito de escrever à mão. Mas a ideia de o fazer no computador simplesmente não tinha o mesmo encanto. Por outro lado, dava por mim a pensar "mas isto não é exatamente o mesmo que faço no blog? Escrever sobre o que leio e vejo?" e a ideia do caderno parecia-me inútil.

 

Bom, finalmente decidi avançar e acho que ajudou muito ter tido a ideia de o usar também para ir treinando a minha capacidade (nula) de desenho. Acho que isso ajudou bastante porque tenho feito pequenos desenhos relacionados com cada entrada e tem sido divertido pensar no que vou desenhar e como, bem como na ideia de pintar esses desenhos.

 

Comecei por procurar templates do Notion, quando ainda estava a considerar fazer isto no computador, e encontrei um (que infelizmente já não estou a conseguir encontrar) que tinha cerca de 60 prompts para escrever sobre um filme que visse! Desses, retirei apenas mais de 10 e decidi que não me ia forçar a responder a todos sempre, pelo que incluo no papel apenas aqueles que me fazem sentido e sobre os quais tenho resposta. A verdade é que, apesar de serem relativos a filmes, são facilmente adaptáveis a séries ou livros. Deixo aqui os que retirei, sendo que os dois primeiros eu tenho incluído sempre — o primeiro porque é um resumo, o segundo porque gosto de pensar nas palavras que a obra me evoca e porque sinto que é também um resumo, de outra forma:

  • This movie is about
  • Five words I associate with this movie
  • Time and place of action
  • Favorite character
  • Favorite scene
  • This movie teaches that
  • The emotions and feelings this movie evoked in me
  • The values this movie touches on
  • The issues this film addresses are
  • The lesson I learned from this movie
  • Memories from my personal life that this movie brought back to me
  • Has my life changed after watching this movie? If so, how?
  • Should the ending be changed? Why?

 

Depois destes prompts, há sempre um espaço para escrever livremente sobre tudo o que quiser acerca do que consumi.

 

A verdade é que isto tem sido divertidíssimo de fazer. E em absolutamente nada se assemelha ao blog, porque é um caderno pessoal, onde escrevo apenas para mim — e por isso não tenho de me preocupar com a apresentação, com a escrita, com a forma como comunico. Posso pôr lá tudo o que me apetecer, desde pontos mais relevantes até às coisas mais insignificantes que provavelmente não incluiria numa publicação no blog. E a verdade é que esses escritos me ajudam a passar as reviews para aqui, de uma forma melhor e mais estruturada, mais clara, sem a névoa das memórias que vão desaparecendo.

 

Tenho chamado isto de entertainment journal, ou diário de entretenimento. E nunca pensei que fosse gostar tanto de o manter. Todas as preocupações que tinha de se tornar uma "tarefa chata e forçosa" eram absolutamente infundadas. Na verdade, assim que acabo de ler e ver algo, já estou a pensar no que vou colocar no meu diário!

 

Como não tenho qualquer jeito para desenho, tenho vergonha de partilhar alguns (que não estão maus, mas também não estão bons), por isso o único que partilho é o mais simples, que fiz para o filme Apocalypse Now:

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17
Ago25

Um desabafo sobre a blogosfera

Vera

Há momentos em que, por algum motivo, revisito a página de subscrições dos blogs do Sapo — pessoas que sigo, há muito ou pouco tempo. Não é algo que acontece muitas vezes, mas quando acontece, a realidade com que me deparo é sempre semelhante: uma lista infindável de pessoas que já não pisam estas bandas. Algumas com perfis privados, outras com blogs apagados, outras ainda que simplesmente abandonaram a blogosfera, deixando tudo para trás — tal como estava.

 

Sei que muitas vêem a vida continuar, e manter um blog torna-se incompatível. Sei que muitas tentaram o hobby, e provavelmente perceberam que não seria algo que conseguissem manter, ou que lhes desse o prazer que esperavam. E qualquer que seja a realidade, está tudo bem com isso.

 

Ainda assim, é sempre algo que me entristece — ainda mais quando são blogs e pessoas que eu gostava genuinamente de ler e acompanhar. É um saudosismo, uma espécie de nostalgia por alguém que nem sequer se conhece, é verdade — mas que trazia a sua magia ao sítio.

 

Infelizmente — e todos sabemos —, não é uma realidade nova e não é algo que veja melhorias: é cada vez mais raro encontrar pessoas que mantenham blogs. O mundo virou-se tanto para o visual que, na verdade, trabalhando eu numa área de escrita, ouço várias vezes (demasiadas) que "já ninguém lê". Como se metade do nosso trabalho fosse para nada — como se ele subsistisse pela outra metade; o outro propósito que ele serve.

 

Apesar de tudo, não posso deixar de me sentir feliz por pensar nas pessoas que continuam, anos após anos, ignorando as tendências. E acho que o Sapo, sobretudo, fez um excelente trabalho em criar um sentido de comunidade que até hoje se mantém viva — não é algo que se veja na concorrência, nos Bloggers da vida, por exemplo.

 

Feito o desabafo, sou toda ouvidos se tiverem sugestões de blogs que seguem, que gostam e que se mantêm vivos até hoje (preferencialmente dentro do Sapo, que sou uma nódoa a seguir noutros sites, mas não é obrigatório que assim seja).

10
Ago25

Um novo hobby

Vera

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A minha saga com crochet começou ainda no ano passado, por volta de Março/Abril, quando decidi aprender a fazer. Na altura, quis começar por fazer um cachecol e rapidamente desisti — ele começou a encurtar e, como qualquer iniciante ignorante do assunto, foi aí que descobri que precisava de contar pontos para não saltar nenhum. Bom, a "lã" que escolhi também não ajudou: de acrílico, era simplesmente impossível conseguir discernir os pontos em si.

 

Comprei uma de algodão e, assustada com a primeira experiência que de pouco valeu — ainda hoje tenho o cachecol como o deixei, já estava tão avançada e a lã é tão péssima que nunca o desfiz —, comecei então apenas a treinar os pontos básicos. Fiz pedaços pequenos de cada ponto e depois comecei a fazer quadrados que ainda hoje mantenho como bases para copos. Depois fiz uma base circular — que é tudo menos um círculo, está mais para um hexágono esquisito — e... parei.

 

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Acho que comecei a sentir-me aborrecida por estar a fazer coisas tão básicas mas, ao mesmo tempo, não senti confiança suficiente para avançar para projetos mais "a sério". E portanto, parei. Parei até há um ou dois meses — sim, passou praticamente um ano desde que tinha feito algo em crochet pela última vez. Desta vez, decidi começar pequeno para me habituar, mas ir avançando na complexidade de projetos.

 

Tinha medo de não me lembrar de nada, mas acompanhar vídeos é fácil e assim que apanhei o jeito foi como se nunca tivesse esquecido. Comecei por fazer um pequeno laço (que acho amoroso), avancei para dois marcadores de livros com um ponto diferente, que nunca tinha feito. Parei um mês depois dos marcadores mas voltei nos últimos dias para fazer uma bolsa para guardar as minhas agulhas e as "molas" para contar pontos.

 

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E todos estes projetos, absolutamente todos têm tido defeitos — alguns com os quais vou aprendendo, outros que ainda não estou a conseguir compreender ou contornar. Por vezes, o meu lado perfecionista toma conta da situação e faz-me sentir mal por não conseguir sair desta curva de aprendizagem. Mas tento lembrar-me sempre que é normal. E celebrar os progressos, que existem — tal como sentir que a tensão que aplico está cada vez melhor, que consigo cada vez mais facilmente compreender a estrutura dos pontos/linhas e que tenho conseguido ganhar mais rapidez.

 

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No último ano, tenho descoberto o quão importante é termos hobbies que nos preencham e nos sirvam em momentos diferentes, acima de tudo que nos façam sair dos ecrãs (literal ou figurativamente). Sou muito de fases e posso passar algum tempo sem imergir num, mas por agora descobri três que me fazem sentir bem: colorir, fazer crochet e aprender italiano.

 

Estou pronta para continuar a avançar nesta aprendizagem e sinto-me preparada para começar a fazer amigurumi, que no fundo sempre foi a principal razão de ter querido aprender a fazer crochet. Acho que há imensos bonequinhos adoráveis. Vou também fazer uma capa para o e-reader do meu namorado, já que ele fez essa sugestão depois de lhe mostrar a bolsa que fiz para os materiais de crochet, e eu achei boa ideia.

 

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Apesar da voz auto-crítica que por vezes se faz sentir, estou muito orgulhosa de — ainda que inconsistentemente — conseguir manter este hobby. Primeiro, por ser capaz de não deixar que aquela voz me vença a vontade; por conseguir manter-me na curva de aprendizagem, com todos os pontos menos bons que isso implica. O meu eu de há uns anos nunca sonharia em insistir em algo que não saía bom à primeira — muito menos em algo que não sai 100% bom nunca. De facto, não quer dizer que seja fácil ignorar todos os defeitos que encontro, ou relembrar-me a mim própria que não é suposto sair tudo perfeitinho, muito menos nesta fase. Mas, apesar de não ser fácil, tenho conseguido fazê-lo e não me tem impedido de continuar. O que virá mais daqui, não sei, mas estou curiosa para saber onde isto me irá levar.

19
Mai25

Um dia triste de revolta

Vera

Há uma revolta dentro de mim. Há revolta por aqueles que fecham os olhos a um perigo ideológico com a justificação de "parecer cada vez mais a única alternativa possível". Há revolta por todos os partidos que, ao longo dos anos, deixaram isto acontecer (sim, nenhuma destas é mutuamente exclusiva, sabiam? Não se anulam uma à outra, e a meu ver há culpa em ambas). Que não souberam, e continuam a não saber endereçar os principais problemas que o país está a enfrentar e tem vindo a enfrentar há anos. Que apenas souberam dar razões a quem já antes pensava: mas afinal ninguém faz nada? Não estão errados. Votar em Portugal sempre foi um pouco "votar no mal menor", mas essa sensação tem-se intensificado ao longo dos anos.

 

Há revolta pelo sistema de votos — por saber que, estando eu no meio do nada, o meu voto que, pessoalmente, vai para um partido pequeno, é sempre completa e absolutamente desperdiçado. É um voto ao lixo. Há revolta por saber que não sou a única pessoa nesta situação, que estou fortemente acompanhada e que isto retira oportunidade aos "pequenos" de crescer significativamente — bom, pelo menos, aos que não se apoiam em discursos populistas. Esses não precisam que o sistema mude para crescer.

 

Há revolta por Portugal ser continuamente um país preocupado apenas com Lisboa e Porto. Ninguém quer saber dos restantes, e isso nota-se desde logo, uma vez mais, no próprio sistema de votos. É de uma sensação de impotência enorme estar do lado de cá, dos "pequeninos", sentir que não há absolutamente nada de significativo que possamos fazer por um país que também é nosso. Sentir que as nossas vozes são caladas, que somos silenciados, que a nossa maior arma democrática é, afinal, também ela completamente impotente. Bom, pelo menos, se não votarmos num dos "grandes". Passamos a um tripartidarismo perigoso onde eu, aqui no meio do nada, nada posso fazer quanto a isso — nem mesmo com a coisa mais importante que posso fazer.

 

Há revolta por um país onde tudo se perde, nada se transforma. Ano após ano, vivemos os mesmos problemas; ano após ano, o panorama político piora; ano após ano, estamos cada vez mais próximos de um governo perigoso. Ano após ano, temos um conjunto de pessoas incompetentes que pouco mudam no nosso país.

 

Hoje é um dia triste, para mim. Não, não vou dizer "para a democracia" (embora seja, porque temos um partido antidemocrático a avançar no parlamento), porque foi a democracia que decidiu isto. Mas é um dia triste. E muitos mais dias tristes se seguirão. E o que custa mais no meio de tudo isto é a completa sensação de nada poder fazer.

29
Dez24

Retrospetiva | 2024

Vera

2024 não foi um ano muito fácil. Sinto que repito isto quase todos os anos, infelizmente, mas talvez seja eu que precise de trabalhar nas minhas expectativas (não apenas numa grande escala, mas até em coisas teoricamente mais "pequenas" - os resultados que daí vieram podiam ter sido, também eles, diferentes). Talvez não tenha sido um ano em que tenha cumprido qualquer das coisas que idealizava, talvez até algumas tenham acontecido num caminho completamente ao lado - em jeito de "não era bem isto, mas por agora servirá". E uma vez mais, acabou comigo desamparada, tal como no ano passado - mas desta vez, não foi uma escolha minha. Irei iniciar 2025 da mesma forma que iniciei este ano, mas espero que munida de ferramentas que me ajudarão a lidar com o vazio e a incerteza.

 

Como todos os anos, no entanto, há coisas boas a recordar e por isso eu trago as minhas (sem qualquer ordem).

 

1. Fui à The Eras Tour

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Uma das melhores coisas que me aconteceram foi ter conhecido, há 2 anos, uma colega de trabalho swiftie. O trabalho dela não foi rápido, mas os resultados chegaram e este ano eu tive a imensa sorte de presenciar um dos concertos em Lisboa e ter esta experiência gravada em mim para todo o sempre. O concerto da Taylor viveu rent-free na minha cabeça por bem mais de um mês depois e, por mim, eu voltava lá e vivia aquilo em loop. Foi incrível. Obrigada, Taylor.

 

2. Vi os Capitão Fausto... duas vezes

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Não... não consegui mesmo uma foto melhor, desculpem

Pessoas de Lisboa ficarão "hã?" com este feito, mas eu sou do interior centro, amigos, aqui não há concertos a dar com pau. Tendo em conta que são uma das minhas bandas favoritas, estou mais que grata por ter podido vê-los apresentar o novo álbum duas vezes (ambas na primeira e segunda fila, respetivamente).

 

3. Novos hobbies

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Alguns não duraram (embora queira voltar a eles), como aprender a fazer crochet; outros, ainda acontecem, como pintar (obrigada, coloringtok). Mas uma coisa é certa: gosto sempre de descobrir coisas novas que me dão prazer fazer. E se há coisa que mais me destrói a alma é sentir que por vezes a vida não nos dá tempo suficiente para dedicar a estas atividades.

 

4. Viagens e experiências

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Este ano não houve, primeiro, disponibilidade financeira para muitas viagens e, depois, tempo para elas - mas já tenho uma marcada bem para o início de 2025 (aguardem a publicação!). Ainda assim, estou agradecida pelas que fiz: visitei pela primeira vez o Buddha Eden, em Leiria, que é um lugar absolutamente incrível; passei um fim-de-semana em Lisboa, que foi do mais mundano possível, mas agradeci a sensação; e, por fim, pude ver, uma vez mais, a Rita da Nova na Feira do Livro de Lisboa.

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Ainda no assunto experiências, mas não relacionado com viagens, tive o prazer de assistir a dois "pequenos" concertos na terrinha - continuo a querer aproveitar o máximo de música ao vivo que conseguir. Uma banda de tributo aos Queen e o António Zambujo fizeram os meus dias.

 

5. Um aniversário bem celebrado

Apenas há uns anos, quando decidi celebrar o meu aniversário com família e amigos, me apercebi que, afinal, gosto sim de fazer anos. Não gosto de envelhecer, mas gosto de fazer anos e gosto de passar o dia com as minhas pessoas - se tal me fizer sentido. E este ano fez-me sentido, pelo que, depois de um almoço com o meu namorado antes de ele ir trabalhar, passei o resto do dia na piscina e em casa de uns amigos a jogar Switch e a comer pizza. E foi dos melhores dias que já vivi.

 

6. Continuar a descobrir-me (e sentir-me mais bonita)

Esta poderá ser estranha. Nem sequer digo isto no sentido de ter mais autoconfiança, mas este ano tem-me permitido descobrir coisas novas - ou devo dizer, arriscar coisas novas? Acho que é mais esta última. Seja por força maior (como ser obrigada a usar maquilhagem no trabalho e perceber que adoro usar blush), por mera observação e convívio (e perceber que se calhar também gosto daquilo - como coletes de malha, chunky cardigans, ou a minha nova obsessão (pouco realizada, não se pr€ocup€m) com perfumes de marca), ou vindo completamente do nada (como surgir uma vontade repentina de usar toda uma roupa com brilhantes no fim de ano... eu, que gosto de ser discreta).

Sempre fui uma pessoa simples, gosto do que é casual e discreto. Ainda sou, mas descobri que às vezes também é giro sair da caixa. Acima de tudo, sair da zona de conforto, experimentar coisas novas, perceber que ainda há tanto no mundo por descobrir - e é tão bom que esse tanto venha com o bónus de me fazer sentir bem.

 

7. Regressar à terapia

Por último, mas não menos importante, um dos passos mais significativos que dei este ano - que, ao seu ritmo lento, e da sua forma pequenina, tem dado os seus frutos. É um processo demorado, mas já dizia o outro: the only way out is through. O meu único arrependimento foi não ter começado mais cedo (talvez este ano tivesse sido um pouquinho mais fácil se assim fosse).

 

Não sei o que 2025 me reserva. Não tenho muitos objetivos, mas gostava de encontrar um emprego na minha área e gostava que fosse este o ano de finalmente sair de casa. Não consigo controlar muito qualquer uma delas, o que é uma excelente receita para o desastre.

 

Não termino 2024 e não inicio 2025 de forma esperançosa. Estou um pouco cansada. Apenas desejo que traga algo melhor... melhor que isto.

 

Um bom ano para todos vocês.

29
Dez23

Retrospetiva | 2023

Vera

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Chegamos, como é habitual, à última publicação do ano com um balanço do mesmo. Se 2022 foi um ano bastante bom, em 2023 muito disso caiu, infelizmente, por terra. Mas, se me ponho a pensar, concluo que 2023 teve quase tanto de mau como teve de bom, em áreas completamente diferentes da minha vida. Infelizmente, o mau acaba por ter um pouco mais de peso neste balanço e por isso não classifico 2023 como um ano propriamente bom.

 

Comecei o ano com uma mudança importante na minha vida, uma que esperava revelar-se pelo melhor mas que acredito que sabia, desde o início, que nunca iria ser (e assim aprendi a nunca, nunca mais ignorar o meu instinto). E infelizmente essa mudança reinou grande parte da minha vida durante o ano praticamente inteiro, trazendo-me não muito de bom. Em termos de saúde mental, como efeito deste acontecimento, 2023 foi péssimo. A única coisa positiva que posso retirar de toda esta experiência foi o quanto pus a minha resiliência à prova. Tantas vezes com vontade de desistir, decidi levar tudo até ao fim, mesmo que me custasse. Se valeu a pena? Não sei. Mas percebi que tenho tendência a desistir, defendendo muitas vezes que nada vale a nossa saúde mental - e embora ainda acredite nisto, também percebi que não estava a desenvolver qualquer capacidade de resiliência e que, se quero sobreviver na selva que é este mundo, é exatamente essa capacidade que tenho de nutrir. E foi precisamente o que fiz. A partir daqui, questionar se valeu a pena ou não deixa de me fazer sentido - o propósito, no fim, não era esse.

 

Termino o ano de forma que nunca previ, quando começou, que iria terminar. Encontro-me de novo num vazio, com incertezas quanto ao presente e quanto ao futuro. Mas prefiro encarar este final não como um término, mas como um novo começo, do que quer que seja que venha aí, que só posso esperar que seja bom.

 

Posto isto, passemos ao bom e a todos os melhores momentos deste ano. Se pudesse resumir 2023 numa palavra (pelo menos, no que toca ao seu lado positivo), é fácil concluir qual: Experiências.

 

Sempre fui uma pessoa poupada, por vezes talvez até demasiado preocupada com o dinheiro e com os gastos. Este ano, conseguindo algum equilíbrio, meti na cabeça que vale sempre a pena gastar dinheiro em experiências. Pequenas ou grandes, não interessa - coisas que nenhum bem material me pode oferecer. E foi assim que:

 

  • Fui ao circo, pela primeira vez desde criança (e fui chamada ao palco pelo palhaço, essa parte eu dispensava...);
  • Fui ao Porto duas vezes, na primeira das quais regressei com duas novas tatuagens, e na segunda com várias visitas e a experiência maravilhosa da exposição imersiva de Van Gogh;
  • Voltei a Lisboa para a Feira do Livro e para voltar a ver o Guilherme Fonseca e a Rita da Nova;
  • Fui a vários concertos na terrinha e arredores, mesmo que pequenos, dos quais destaco Hybrid Theory e Rui Veloso;
  • Comprei bilhete para ir ver a Taylor Swift em 2024, convicta do mesmo mote de que "vale a pena gastar dinheiro em experiências";
  • Passei o meu 30º aniversário numa piscina de um hotel no meio das montanhas;
  • Fui a um pequeno evento de gaming noutra cidade e vi/conheci um dos streamers que vejo na Twitch;
  • Fui à Vila Natal em Óbidos;
  • Fiz a minha primeira viagem "a sério" para fora de Portugal (na qual ainda estou quando isto sair, por isso não há fotos!).

 

Senti que este ano tive muita vontade de fazer coisas diferentes, vivenciar experiências fora da rotina - talvez até por efeito de tudo o resto que estava a afetar a minha vida -, e por isso sinto que esta lista cumpriu esse desejo.

 

Este ano não trago uma lista d'"os melhores momentos de 2023", porque gostava que o destaque de 2023 fosse este: a generalidade de tudo o que vivi num ano que me proporcionou mais do que "fazer o mesmo de sempre". E sobretudo num ano que foi tão mau em simplesmente tudo o resto. Quero que estas experiências sejam, todas elas, o aspeto positivo a retirar destes 365 dias.

 

Mas contem-me: como foi este ano? Há algo que queiram destacar acima de tudo o resto? Estou cá para vos ler (se assim entenderem). Um ótimo ano para todos, repleto de saúde e coisinhas boas!

29
Out23

Sobre o Matthew Perry...

Vera

Hoje acordei (acordámos todos) com uma notícia triste. E não podia deixar de vir dedicar algumas palavras a uma das pessoas que, não me conhecendo de lado absolutamente nenhum, mais me fez rir até hoje.

 

Quero deixar claro que eu não sou este tipo de pessoa: a que vai para a Internet chorar por tudo quanto é morte de celebridade, às vezes com algum fingimento de que realmente alguma vez me importei, só para ganhar alguma atenção ou aprovação de outros que pensam igual a mim. (Desculpem se isto parece agressivo, é a ideia que tenho da maioria das pessoas que vão chorar por um famoso na Internet. O que pode simultaneamente dar uma ideia do quão genuinamente triste me sinto por estar, hoje, a escrever um post num blog precisamente por uma celebridade que partiu.)

 

Sempre achei isto inútil, e é: mesmo se estivessem vivos, dificilmente veriam as nossas palavras (bem, muito menos em português), agora ainda menos. Mas há famosos que nos marcam pelo seu trabalho. E não podia deixar de vir desabafar um pouco da tristeza que sinto ao saber que o Matthew Perry partiu (e cedo demais).

 

Quem me segue há algum tempo já sabe que sou fã acérrima de Friends. Não sei se alguma vez o disse por aqui, mas a minha personagem preferida da série sempre foi, efetivamente, o Chandler Bing.

 

Saber o quanto esta personagem custou ao Matthew Perry, o impacto que a sua participação em Friends teve na sua vida, é quase ingrato - uma faca de dois gumes. Saber que ele estava hoje em recuperação também torna a sua morte precoce mais ingrata ainda. Ele ia partir um dia, não merecia que fosse agora.

 

De longe, uma das mortes que mais me abalou. Sinto que perdi um amigo. Talvez um amigo distante, mas um amigo. E o mundo está hoje um bocadinho mais triste sem o Matthew Perry.

 

Do fundo do coração, só queria agradecer (ao ar, eu sei) por ter tido a oportunidade de ter conhecido o trabalho deste ator, por me ter feito rir, por ter feito parte daquilo que até hoje me dá maior conforto em dias maus. (Re)Ver Friends nunca mais vai ser o mesmo. Não sei se o céu ganhou uma estrela, não sei se acredito muito nessas coisas. Mas sei que o mundo perdeu uma.

 

Obrigada por tudo 🖤

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📖 A ler:



📺 A ver:

Taskmaster (UK), Temporada 19
Pluribus, Temporada 1
Alice in Borderland, Temporada 3

🎮 A jogar:

Fields of Mistria
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Animal Crossing: New Horizons

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