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fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

27
Nov25

Livros | Frankenstein

Vera

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(Não gosto nada desta capa, para que conste, mas era a única edição disponível para empréstimo na BiblioLed)

 

Fiquei muito curiosa com o livro depois de ter visto o filme de 1931 — o que até é irónico porque, agora que li o livro, a minha opinião desse filme mudou drasticamente já que é um take completamente diferente, vazio e superficial da história original. Mas adiante.

 

Existem muitas opiniões na internet sobre os temas que este livro aborda; algumas com as quais concordo e que são até descaradamente apresentadas no livro, como o abandono parental ou a rejeição social. Outras, embora compreenda de onde possam vir, não consigo ver assim tanto — como o lado negativo do parto.

 

Gostei muito de toda a complexidade das personagens nesta história, é isso que nos faz chegar ao fim sem sabermos muito bem com quem deveríamos simpatizar. Ambos os protagonistas passaram por experiências horríveis que os levaram ali e pelas quais ninguém deveria passar, e ambos cometeram acções atrozes que fazem com que seja impossível defender qualquer um deles.

 

Dado que só vi dois filmes: o de 1931, que não confere profundidade a nenhuma personagem; e o deste ano, onde apenas a criatura tem alguma complexidade — foi bom poder ler a história original e perceber que é suposto ambos terem complexidade, ambos serem multidimensionais de uma forma que nos impede de chegar a qualquer conclusão. A minha ideia, com os filmes, era de que Viktor Frankenstein era um homem simplesmente maldoso com um complexo de superioridade; fico feliz de ter lido o livro e percebido que não é bem assim.

 

Não esperava também que a história fosse tão violenta, não apenas pela rejeição e discriminação que a criatura sofre, mas por todas as mortes que vão acontecendo ao longo do livro, todo o ambiente de vingança que o domina.

 

É difícil acreditar que Mary Shelley escreveu esta obra com base numa aposta entre amigos, quando tinha apenas 18/19 anos. É um livro muito, muito bom. Recomendo imenso.

 

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Quem aqui já leu?

 

18
Nov25

Livros | Nem Todas as Baleias Voam, Afonso Cruz

Vera

Acho que é oficial: após três livros lidos (e um deles que até gostei mas nem adorei), tenho de dizer que Afonso Cruz é, talvez, um dos meus escritores favoritos neste momento. E quero ler tudo dele, quero absorver todas as palavras deste autor, todas as histórias, todas as personagens.

 

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Esta história ocorre durante a Guerra Fria e introduz-nos a um plano da CIA chamado Jazz Ambassadors, algo que no fundo pretende empregar a música jazz para captar o apoio de jovens do Leste e, basicamente, convencer as pessoas de que os EUA não são um país assim tão mau. É assim que conhecemos Erik Gould, um pianista de excelência, com sinestesia — vê sons e traduz palavras e retratos em música. A CIA está interessada em recrutar Erik para este programa e planeia fazê-lo através daquilo que ele mais ama, mais ainda que a música: Natasha Zimina, a sua mulher.

 

Acontece que Natasha desaparece de um dia para o outro, deixando Erik Gould e Tristan (o filho de ambos, também com sinestesia, que vê sentimentos e estados de espírito) num sofrimento marcado por uma sensação de abandono. Erik Gould não consegue lidar com a tristeza provocada pelo vazio da mulher e acaba por deixar Tristan com uns amigos — Isaac Dressner e Tsilia — por uns tempos. Para além disto, há partes do livro — com fundo cinzento — intituladas «Relatório Gould», onde vamos descobrindo os progressos da CIA em captar Erik Gould para a sua causa.

 

Sim, parece muita coisa e tem ainda mais personagens e mais nuances, mas gosto muito de como Afonso Cruz liga tão bem estas personagens, como as diferentes narrativas se cruzam.

 

Este livro surpreendeu-me muito, talvez por conhecer admitidamente ainda pouco do autor, não esperava que tivesse certos momentos tão pesados. Há momentos do livro que descrevem acontecimentos horríveis dos tempos dos bombardeamentos de Dresden e do Holocausto; há outros momentos marcados por tortura. Ainda assim, só me fez gostar dele ainda mais como escritor.

 

Para mim, este é um livro, no fundo, sobre tristeza, talvez até depressão — personificada numa das pessoas que Tristan vê —, mas também sobre ultrapassá-la, encontrarmo-nos de novo, encontrarmos um sentido na vida e reconectarmo-nos. É um livro bonito, mas triste, repleto de acontecimentos dolorosos que marcaram as vidas das várias personagens, o que o torna talvez também incrivelmente humano.

 

Adoro a escrita de Afonso Cruz, o seu lado poético, o modo como explica tantas coisas complexas de formas tão simples, mas acima de tudo a forma como torna tudo tão bonito. Às vezes até aquilo que não deveria ser bonito — mas que o é, talvez de uma forma mais melancólica ou triste, mas bonita. Além disso, este livro também discorre muitas vezes sobre música e, mais especificamente, sobre jazz e blues — o que me transportou de volta à minha curta fase na adolescência em que me sentia fascinada com este último género musical.

 

Gostei muito deste livro e estou muito curiosa por ler mais deste autor. Acho que o próximo será o Flores, embora queira muito reler O Pintor Debaixo do Lava-Loiças, que li já em 2020, mas que me lembro de ter adorado. Outros que estão na minha mira são o Para Onde Vão os Guarda-Chuvas e Jesus Cristo Bebia Cerveja.

 

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E como nem podia deixar de ser, são vários os excertos que me ficaram deste livro:

 

Que outros livros recomendam deste escritor?

31
Out25

Spooky Season #6

Weapons (Filme) | Conta-me, Escuridão, Mafalda Santos (Livro)

Vera

Fecho a época de Halloween em bom. Bom, fecho como quem diz... Ainda conto ver pelo menos um filme de terror hoje.

 

Weapons

Poster do filme Weapons

Uma turma inteira de alunos desaparece na mesma noite, à mesma hora, e as crianças apenas foram vistas a correr em direcção à escuridão, de braços abertos. Apenas uma criança daquela turma não desapareceu, e agora todos se perguntam o que aconteceu...

O filme começa por ser narrado por uma criança da escola onde estes acontecimentos se deram e devo desde já dizer que gostei muito desta escolha e de como a executaram no filme. Ela deixa-nos que saber que isto já aconteceu há dois anos e o conteúdo e a forma como interpreta os seus diálogos foram feitos de tal forma que senti por completo a sensação de: ok, tenho uma criança a contar-me aquilo que para ela é apenas uma história. A quase indiferença que se nota na sua entoação faz todo o sentido para uma criança que não foi afectada pelo que aconteceu.

Mas adiante. O filme conta-nos a história através de vários "capítulos", cada um dedicado a uma personagem em específico. Ao acompanharmos essas personagens momentaneamente, vamo-nos apercebendo, aos poucos, do que aconteceu. Mas as verdadeiras respostas só chegam no final, claro — aliás, o meu namorado que diga: passei grande parte do filme só a dizer "wtf" ou "o que é que está a acontecer aqui". Era cada coisa mais bizarra que a outra a acontecer, sem qualquer explicação.

Achei que esta forma de contar a história se tornou repetitiva em um ou dois momentos em que estávamos a ver exactamente as mesmas coisas acontecer; ainda assim, acho que este pormenor é super irrelevante para o filme como um todo. O filme conta ainda com algumas críticas sociais, embora não ache que esse seja o foco dele (bom, talvez o das armas seja... afinal, está no nome).

Gostei muito do filme, ainda mais do que gostei do Barbarian, na altura — filme do mesmo realizador. Sem dúvida que recomendo.

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Conta-me, Escuridão, Mafalda Santos

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Vi recentemente algumas pessoas falarem muito bem deste livro e aproveitei que, depois de terminar Drácula, ainda tinha alguns dias até ao fim do mês para ler Conta-me, Escuridão (abençoada BiblioLed), um livro de contos de terror. Na verdade, eu acho que é o meu primeiro livro de contos, no geral. Foi assim que descobri que tenho um problema com contos: é que quero sempre saber mais — sobre o mundo, sobre as personagens, enfim, toda a lore por detrás daquela pequena história. Acaba a saber pouco, embora não de uma forma negativa. Como se costuma dizer: é o que é. Ainda assim, consigo perceber a atracção que existe em ler pequenas histórias, diferentes umas das outras, e vou ter de apostar mais neste género.

Passando para o livro em si, Mafalda Santos presenteia-nos com 8 contos de terror. Acredito que talvez este livro seja melhor apreciado por pessoas com conhecimentos de teologia ou mitologia, já que alguns dos contos parecem estar indirectamente relacionados com certos elementos (ou mais directamente, no caso do conto «Caim e Abel», talvez). De qualquer modo, eu não sou essa pessoa.

Ainda assim, no geral gostei muito deste livro. Apesar de existirem alguns contos melhores que outros, a verdade é que são todos macabros, especialmente quando consideramos que existe um tema comum a quase todos eles: a natalidade. Mafalda Santos é exímia em criar um ambiente de desconforto puro. Não são contos de meter medo, mas sim de criar uma grande perturbação. As ilustrações de David Benasulin também ajudam muito a criar um imaginário visual para cada conto.

Gostei muito da experiência e estou curiosa de ler mais livros da autora (aliás, já tenho o «Aquilo que o Sono Esconde» na minha lista), bem como mais livros de contos.

Os meus preferidos foram: Caim e Abel, A Festa de Yaksha, Laura e os Cães e O Mundo de Christina.

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Conhecem alguma destas obras? Têm sugestões parecidas?

 

Spooky Season 2025:

27
Out25

Livros | Dracula, Bram Stoker

Spooky Season #4

Vera

Para o Halloween, aproveitei para ler um clássico que estava a faltar na minha lista. E não é que acabei a gostar muito mais deste livro do que estava à espera?

 

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O livro apresenta-nos inicialmente ao Conde Drácula, mas não é sobre ele; começa com o primeiro contacto de Jonathan Harker com este, e debruça-se sobre todo um processo de o perseguir para o matar, não sem antes vermos algumas pessoas serem transformadas em vampiras.

 

O livro não tem um protagonista único e ocorre em volta de várias pessoas: Mina e Jonathan Harker, Dr. John Seward, Dr. Van Helsing, Arthur Godalming, Lucy e Quincey Morris. A história é-nos contada através de cartas, diários, telegramas e notícias, embora nos mostre apenas diários escritos por Mina, Jonathan e Dr. Seward.

 

Pensei que este livro fosse ser uma leitura pesada e cansativa, mas a verdade é que me agarrou, mesmo nas partes mais paradas em que tudo indicaria o contrário. Talvez a forma de contar a história tenha contribuído para isso. (Aparte: Lembrei-me logo do livro Where'd You Go, Bernadette, que conta a história através de emails, notas e documentos soltos, mas do qual não gostei nada.) No entanto, acho que também ajudou a escrita descritiva, sobretudo nos momentos mais "assustadores" — sem dar muitos spoilers, o momento em que Jonathan sai por uma janela, ou em que uma das personagens é transformada, ou em que um certo paciente é violentamente atacado são das melhores coisas neste livro. São momentos quase arrepiantes e isso surpreende-me muito num livro dos finais de 1800.

 

Outra coisa que me surpreendeu muito foi a forma como a mulher é retratada na história. Estamos, claro, a falar de um livro de 1897, pelo que certas coisas menos boas são de esperar. Ainda assim, pelo que tenho visto é um assunto que divide muitas nações e acho que depende muito da interpretação que cada pessoa faz do livro.

 

Na minha interpretação pessoal, Bram Stoker desafia em certos momentos os papéis de género e o ideal de mulher na altura: uma das personagens femininas é cobiçada por vários homens ao mesmo tempo e isto é tratado com uma naturalidade tal que nem hoje se vê semelhante em comentários do Facebook. Não o digo apenas em questões de preconceito ou julgamentos, mas até nas relações entre as personagens — não há qualquer desprezo por esta questão por parte de ninguém em relação a ninguém. Relembro que estamos a falar de um livro de 1897, por isso isto surpreendeu-me bastante.

 

Não consigo deixar de achar que este livro foi escrito, em certos momentos, com alguma sátira para desafiar certas concepções da altura: temos homens em vários momentos a chorar e a mostrar emoção (se hoje ainda é um bocadinho tabu, imagine-se na altura), por "tudo e por nada", a mostrarem-se vulneráveis — aliás, creio que até há um momento do livro em que é a mulher "a aguentar-se" e a confortar o homem, claramente a sofrer. Além disso, quando uma das personagens femininas é descartada do plano de "caça ao vampiro" por ser mulher, o que é que acontece? Tudo dá errado, eventualmente ela volta a estar envolvida e, para além disso, passa a ter um papel incrivelmente crucial para avançar na história, sendo no final tratada como igual — e o fim, literal fim, do livro celebra a sua bravura e coragem.

 

Existem, claro, aspectos que se possam apontar contra esta ideia que tenho do livro, como o retrato de mulheres como puras ou impuras, por exemplo. Não deixa de ser escrito por um homem nos finais de 1800. Mas creio que também existem vários argumentos positivos; daí achar que este livro é fortemente divisivo nesta questão e que deixa abertas interpretações neste assunto.

 

Gostei muito de como este livro é no fundo sobre amizades profundas, entre homens, entre mulheres, e entre ambos — sem qualquer pudor de serem genuínos e vulneráveis uns com os outros, dando lugar a uma sinceridade tão refrescante, mesmo nos dias de hoje. Acho que é um livro que em certos aspectos é incrivelmente moderno e vale a pena a leitura. No entanto, recomendo lerem a versão traduzida; li o inglês e por vezes foi complicado, sobretudo por ter pequenas partes que reflectem um inglês cheio de calão (tive de recorrer à app do tradutor para esta, com a câmara...).

 

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Ah! E eu vou celebrar, sim, finalmente ter uma obra que NÃO sexualiza esta questão toda dos vampiros e onde não existe qualquer relação romântica com o Dracula, ao contrário dos filmes (estou tão farta desse elemento, desculpem).

 

 

01
Out25

Sobre leituras consistentemente rápidas (mas diagonais...)

Vera

Sinto que preciso de "deitar" este tema "cá para fora", sendo algo sobre o qual conversei há pouco tempo com uma amiga e que continua a fazer-me pensar. Quero tentar tratá-lo com o maior respeito possível, ou mostrando o maior respeito possível por quem o faz, mas preciso de confessar desde já que isto é um assunto que me custa muito compreender e por isso peço desde já desculpa se encontrarem alguma parte nesta publicação que vos faça sentir de alguma forma julgados ou onde achem que não me expressei corretamente (e sintam-se à vontade para alertar — de forma igualmente respeitosa, obviamente).

 

Esta conversa que tive com a minha amiga começou porque eu resolvi, no dia em que terminei de ler o Quociente de Felicidade, ler de uma vez só as poucas mais de 100 páginas que me faltavam deste livro, porque o empréstimo da Biblioled estava quase a terminar e eu não vi necessidade de o renovar por "apenas" 100 páginas. Ora, acontece que estas "apenas" 100 páginas me levaram, na verdade, 4 ou 5 horas para terminar (com uma pausa para jantar). Eu posso simplesmente ler devagar — o que é bem possível, porque eu gosto de ler com calma, e também porque por vezes tenho de reler quando me apercebo de que não estava concentrada —, mas creio que essa questão não é assim tão relevante para aqui.

 

Comentei com a minha amiga como é que, tendo esta experiência em conta, há pessoas que lêem tantos livros tão rapidamente (incluindo as book influencers, embora acredite que não sejam as únicas). E acabámos a falar sobre ler na diagonal (e muitas delas o fazerem).

 

O conceito de ler na diagonal faz-me muita confusão quando se trata da leitura, por prazer, de um livro. Na altura desta discussão, pesquisei na internet sobre isto e vi algumas pessoas no Reddit dizerem coisas como "se eu vejo que uma personagem abre uma porta, eu só preciso de saber que abriu a porta, não preciso de saber como o fez" e eu não podia discordar mais de uma afirmação. Pessoalmente, acho um pouco desrespeitoso esta coisa de ler um livro na diagonal — desrespeitoso para com o autor e o livro. Se o autor escolheu dizer-vos que a personagem abriu a porta de forma XYZ, é porque achou que seria pertinente, que fazia sentido — e faz parte da sua escrita, da sua forma de escrever, do conteúdo que é parte integrante do livro. Dito isto, como é que parece natural a alguém saltar tudo isto, ficar-se pela superficialidade do que a pessoa quer contar? É algo que me causa muita confusão. Como disse no início, é-me mesmo muito difícil compreender este conceito.

 

Tantas vezes se vê o debate "podemos contar audiolivros como ler um livro?", e pessoalmente, digo-vos já que um audiolivro não só é, para mim, a leitura integral de um livro, como o ato de o ouvir conta muito mais como leitura de um livro do que conta a leitura diagonal do mesmo. Para mim, a leitura é tudo sobre absorver, e leitura diagonal não inclui essa absorção da história e da escrita. Eu já li na diagonal, e sabem em que momentos aconteceu? Quando eu já não estava a suportar uma leitura e o fiz à base do ódio; quando já não me interessava absorver a história, a forma como o autor escolheu contar-ma — apenas queria terminá-la o mais rápido possível.

 

Dito isto, compreendo perfeitamente que book influencers o façam se essa foi a "marca" que criaram — isto é, se não forem especificamente influencers que defendam o slow reading, porque é o trabalho delas (parcial ou a tempo inteiro, não interessa) e infelizmente — por questões de consumismo desenfreado e outras — precisam de apresentar constantemente algo novo. Essa parte não me cabe julgar, ainda que pessoalmente não me identifique e não seja uma seguidora ávida deste tipo de criadores de conteúdo.

 

Entendo também que existam pessoas que naturalmente leiam mais rápido, mas acho que esta publicação não é, de todo, sobre elas.

 

Nunca vou conseguir compreender leitores que "devoram" livros lendo-os na diagonal e acho que ainda menos conseguirei compreender porque é que a quantidade de leitura se tornou assim tão mais importante que a qualidade de leitura — e acho que já deu para perceber que, pessoalmente, não vejo muita qualidade de leitura na leitura diagonal. Quando estou a ler um livro, quero absorver ao máximo as palavras do autor, compreender porque me está a contar isto desta forma, interiorizar o seu estilo de escrita. É isto que é, para mim, leitura (por prazer). Ler livros na diagonal vai, portanto, contra tudo aquilo que pessoalmente considero leitura por prazer. Quero lembrar, no entanto, que esta é só a minha opinião e eu sou apenas uma estranha na internet, e não sendo isto um assunto fraturante da sociedade — que esses são bem mais importantes —, espero que ninguém se sinta atacado. Eu não compreendo, mas leiam como quiserem 💕

 

Qual é a vossa opinião?

19
Set25

Livros | Quociente de Felicidade, Angie Kim

Vera

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Neste livro, um homem desaparece num parque e a única pessoa que estava com ele e sabe o que aconteceu é Eugene, o seu filho adolescente de 14 anos não falante com síndrome de Angelman. Quem nos narra a história é Mia, também filha de Adam, que nos conta toda a experiência da família — a quem se junta o seu irmão gémeo John e a mãe — em busca do pai.

 

Embora possa parecer, esta não é a típica história sobre uma pessoa desaparecida. Na verdade, o enredo evolui de forma natural para aquilo que é uma verdadeira prisão interna na qual Eugene vive. O livro gira em volta da condição de Eugene e da falta de comunicação da sua parte, que é erradamente entendida por todos como uma disfunção cognitiva. Por este motivo, Eugene passou a sua vida inteira a ser tratado como alguém que não tem capacidade de pensar, sem inteligência, com o desenvolvimento equiparável ao de uma criança.

 

Este livro tem uma representatividade incrível, não só neste aspeto, mas também pelo facto de nos falar de uma família coreana que se mudou para os Estados Unidos. Aliás, a autora equipara muitas vezes a dificuldade de um imigrante que mal consegue ainda falar a língua do novo país à falta de meios para comunicar do Eugene.

 

Adorei a escrita — ainda que por vezes contenha asneiras —, que me deu a completa sensação de ter uma amiga a contar-me a história, de tão envolvida que me fez sentir. Ainda assim, a autora faz muito uso de notas de rodapé que, embora possam acrescentar algo ao raciocínio da personagem principal, por vezes também quebram demasiado o nosso próprio raciocínio e a leitura em si.

 

Achei Quociente de Felicidade um livro extremamente completo e incrivelmente interessante, onde podemos encontrar reflexões muito ligadas à filosofia, psicologia, linguística, e até música e programação musical (uma área que desconhecia por completo).

 

Um pequeno apontamento que posso fazer é que acho que o final podia ter sido mais curto e o livro podia ter acabado mais cedo, sem que o enredo sofresse muito com isso. Mas acho que é um detalhe quase irrelevante na totalidade deste que é um dos melhores livros que li este ano, facilmente, se não o melhor. E por isso, é uma forte — muito forte — recomendação.

 

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07
Set25

Livros | Crime na Quinta das Lágrimas, Lourenço Seruya

Vera

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A Cristina do blog My Books News falou deste livro em Julho e, curiosamente, eu tinha estado na Quinta das Lágrimas pouco antes — vi isso imediatamente como um sinal de que tinha de ler Crime na Quinta das Lágrimas e, antes que a memória me atraiçoasse, tinha de o ler o mais rápido possível, para poder conjugá-lo com a minha recente visita ao local. Isso e o facto de ser um autor português que eu não conhecia; tenho tentado começar a ler mais do que se faz por cá, aos poucos.

 

Alice e Diogo estão prestes a casar e escolheram fazê-lo na Quinta das Lágrimas — o primeiro local onde passaram um fim de semana juntos após começarem a namorar. Mas na manhã do casamento, alguém desaparece, pondo fim ao espírito de festa que se fazia sentir...

 

Tal como a Cristina fez, aconselho-vos a não ler a sinopse que está no livro e nas livrarias online, porque acho que é benéfico ir para este livro sabendo o menos possível.

 

Tenho de ser honesta e dizer que este não seria um livro no qual pegaria por vontade própria se o visse numa livraria — a capa e o título não me atraem; mas é também por essas e por outras que se costuma dizer para não julgarmos um livro pela capa, não é? Ao fim e ao cabo, acabei por gostar bastante do que li.

 

Tenho algumas coisas a dizer que vão necessariamente ser spoilers, por isso vou ser breve para vos dar uma ideia do que achei sem revelar nada. O livro tem um ritmo um pouco lento, mas acho que a escrita flui bastante bem e, por isso, acabei por nem me importar tanto. Aliás, gostei bastante da escrita do autor. E achei que fez um excelente trabalho em tornar a Quinta das Lágrimas quase que numa personagem do livro também.

 

Outro aspeto que achei positivo foi o facto de sentir que muita coisa nos passa ao lado enquanto leitores, mas que podemos ir descobrindo esses pontos junto com os próprios inspetores. Gostei das reviravoltas na história e do facto de não ter tido propriamente um final positivo.

 

Achei também que o elemento de romance que existe na história era um pouco dispensável (mas mais a dizer sobre isto adiante). Por fim, com tantos suspeitos que arranjei... não acertei em nenhum! Acho que isto já diz tudo o que se precisa de saber sobre um policial — se formos capazes de prever o culpado, talvez seja mau sinal.

 

De um modo geral, gostei bastante da escrita, de conhecer esta história e o autor. Fiquei interessada em ler outros livros do autor e perceber se são histórias que poderei acompanhar. Além disso, deixou-me com muita nostalgia porque me fez lembrar bastante Uma Aventura. Agora, vamos aos detalhes...

 

(⚠️ AVISO DE SPOILER! ⚠️ Daqui para baixo, vou falar em detalhe. Se ainda não leste, salta para a nota final!)

 

Vou começar pelo mais simples e que já referi em cima: acho que o elemento de romance entre os inspetores não era necessário, mas também digo isto como alguém cujo primeiro livro do autor foi este. Talvez, conhecendo a história passada de Bruno, este romance faça mais sentido. Posto isto, tenho de dizer que me agradou o facto de fugir um pouco do cliché de "estamos muito apaixonados e agora estamos numa relação".

 

Gostei muito da reviravolta de a Alice se ter envolvido com a Beatriz, por ser tão inesperado. Também gostei que o final não tenha sido muito feliz e que Diogo tenha acabado por morrer na mesma. Agradeço ler livros que não são perfeitos e onde, neste caso, os inspetores também falham.

 

Nesta linha, achei que a saída "escondida" que os inspetores encontraram no final — e que acabou por ser o elemento que ligou tudo — deveria, realisticamente, ter sido encontrada bastante mais cedo. Não sei se me faz muito sentido que eles tenham falhado nesse aspeto, na minha cabeça a análise completa da planta tinha de ter acontecido logo ao início. Se deixaram escapar algo que parece tão "simples", então não são muito bons inspetores... E foi nesta linha de raciocínio que pensei: bom, se calhar também não é para serem. Por que é que os livros têm de ter todos excelentes profissionais, super perspicazes? Achei a falha um pouco tonta, mas vou relevar como um "somos todos humanos, todos falhamos, que seja".

 

Não faço ideia se a história passada de Bruno se encontra noutro livro, mas vou certamente ler mais e talvez começar "pelo primeiro" nessa história. 

 

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02
Ago25

Livros | A Casa Holandesa, Ann Patchett

Vera

Cyril Conroy decide comprar uma grande casa, antes ocupada por uma família holandesa, para surpreender a mulher, Elna, depois de anos a viverem como uma família pobre. Mudam-se para lá com a sua filha, Maeve, mas Elna não consegue habituar-se a esta nova vida de riquezas e, mais tarde, já com o seu filho nascido — Danny, o nosso narrador —, decide fugir e nunca mais voltar. É isto que faz com que Cyril se junte a Andrea, uma madrasta fria que vai afastando os filhos de Cyril da casa, até os afastar de vez.

 

A Casa Holandesa, Ann Patchett

 

Só tenho ouvido falar bem deste livro, é adorado por muitos e isso fez-me ficar com expectativas que acabaram por não ser correspondidas. Demorei algum tempo a conseguir concluir, com alguma certeza, o que tinha achado deste livro. Embora tenha gostado, e embora consiga compreender porque tanta gente gosta tanto dele, a verdade é que julgo que este livro não é para mim.

 

Não posso dizer que me tenha aborrecido ou chateado, li-o com prazer e satisfação. Contudo, cheguei ao fim com a sensação de "...é isto?". A primeira parte do livro começa bem, com muita coisa a acontecer, e é uma parte em que a casa parece, de facto, uma personagem do livro. No entanto, assim que os protagonistas são afastados da casa, o enredo perde-se e... nada acontece. Até ao final do livro, nada mais acontece.

 

Percebo que seja o tipo de história que apenas acompanha a vida das personagens. Percebo que seja um livro que pretende mostrar o amor entre irmãos, a relação familiar tão forte que criaram, e atenção, fá-lo bastante bem. Afinal, durante muito tempo eles não tiveram mais ninguém do que apenas um ao outro. Mas se é só isso que ele pretende fazer — e eu acho que é —, para mim não chega.

 

A casa deixou de ter relevância a partir deste ponto da história, o que é natural — e todas as vezes que eles voltavam junto dela não me fizeram sentir que era novamente uma "personagem" relevante da história. Sobretudo porque a viam de fora, de modo superficial; nunca cheguei a perceber muito bem o que os levava ali tantas vezes, na verdade. De todas as vezes, esperava que algum confronto acontecesse, perto ou longe da casa. Mas esse momento nunca chegou. E para um livro que diz centrar-se tanto numa casa, deixei de sentir esse foco depois de eles saírem. A casa passou a ser algo apenas mencionado.

 

Também não compreendi bem a perspetiva final que se criou em volta das duas personagens maternas, não sinto que houve qualquer sentido de justiça para aquilo que qualquer uma delas fez — sobretudo para com Andrea. Mas tive dificuldade em compreender também o ponto de vista de Elna — aliás, no fim de contas, não compreendi de todo.

 

Sinto que não houve nenhuma "lição" que se tenha retirado deste livro, nada de substancial além da relação fraternal e isso incomoda-me. Ainda assim, não posso dizer que não tenha gostado da leitura ou da escrita. Como disse, nunca me aborreceu e acho que para um livro que, no fundo, não tem um enredo concreto, isso é um ponto bastante positivo.

 

A Casa Holandesa 1.png

 

Gostei, mas não é o meu tipo de leitura. Atrevo-me a perguntar quem já leu e o que acharam? Já percebi que toda a gente gosta muito deste livro e eu sou um outlier.

 

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13
Jul25

Livros | Os Livros Que Devoraram o Meu Pai, Afonso Cruz

Vera

Os Livros Que Devoraram o Meu Pai, Afonso Cruz

Vivaldo Bonfim trabalha em finanças e leva livros, às escondidas, para o seu trabalho. Um dia, desaparece para sempre num desses livros. Quando faz 12 anos, o seu filho, Elias Bonfim, tem finalmente acesso à sua coletânea de livros. O jovem parte então numa aventura por todos os livros do pai na esperança de o encontrar.

 

«Os Livros Que Devoraram o Meu Pai» é um livro de cerca de 120+ páginas, daqueles com letras grandes, pelo que é uma leitura bastante rápida. E também bastante simples, na verdade, o que faz sentido se pensarmos que faz parte do Plano Nacional de Leitura.

 

É fácil perceber porquê: neste livro, viajamos por vários clássicos da literatura. São eles: «A Ilha do Dr. Moreau», «O Estranho Caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde», «Crime e Castigo» e «Fahrenheit 451», sendo que, pessoalmente, só li este último.

 

Para além disso, tem também mensagens que considero bastante importantes: todos erramos e todos temos um lado mais sombrio, mas é sempre possível redimirmo-nos e tornarmo-nos melhores pessoas.

 

Gostei muito desta leitura, no entanto, confesso que fiquei um pouco desapontada (à falta de melhor palavra) com a escrita. Atenção, não é que a escrita seja má, apenas não acho que seja para mim. Faz todo o sentido para um livro que, no fim de contas, acabou a ser recomendado para um público mais juvenil, mas achei a escrita demasiado simples, um pouco inocente e childlike (estou a usar o termo inglês porque infantil não é bem o que quero transmitir). Tinha lido há uns anos «O Pintor Debaixo do Lava-Loiças» e achei a escrita dele tão bonita e poética que esperava algo semelhante neste livro. Não é que isto não continue a ser marcadamente Afonso Cruz, mas prefiro algo mais próximo deste outro livro.

 

Em todo o caso, não é por isso que deixa de ser uma excelente história — que é. E deixou-me muito curiosa por ler todos os clássicos, mas sobretudo «A Ilha do Dr. Moreau», que é um livro sobre o qual nunca sequer tinha pensado antes. Mas pareceu-me muito interessante.

 

Aqui ficam algumas das frases que mais gostei:

 

 

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06
Jul25

Livros | A História Secreta, Donna Tartt

Vera

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Por onde começar... Decidi, em Abril, pegar finalmente no calhamaço da estante, estilo elefante na sala. Aproveitar que andava a ler tanto para me iniciar nestas 699 páginas. Dois meses e meio depois, consegui terminar, e o meu hábito de leitura foi com os porcos (tirando a pausa que fiz para o Apesar do Sangue. Obrigada, Rita).

 

Vou só copiar a sinopse da Wook, porque acho que não conseguiria resumir melhor:

«Um grupo de estudantes inteligentes, excêntricos e rebeldes de uma escola em Nova Inglaterra frequentada por alunos oriundos da nata da sociedade norte-americana, sob a influência de um carismático professor de Estudos Clássicos, descobre um novo modo de pensar e viver, totalmente diferente do resto dos colegas.
Só que, quando os limites da normalidade moral são ultrapassados, as suas vidas alteram-se totalmente e para eles torna-se tão fácil viver como matar…»

 

Bom, primeiro que tudo, devo dizer que ainda está para aparecer o livro longo que justifique a sua extensão. Ainda não foi desta. Donna, esta história é muito boa, mas tu podias ter escrito bastante menos e acho que teria ficado melhor. Eu sei, já percebi que isto é mesmo a tua cena, mas assim acho que não nos voltamos a encontrar.

 

Antes de mais, vou começar pelo que não tem nada a ver com o livro ou a autora em si, mas que preciso de dizer. Detestei esta edição. Estava repleta de erros ortográficos (alguns bastante graves) que me tiraram imediatamente da história e que me deram a sensação de não ter sequer sido revista — erros como o típico «á» (em vez de há), «massiço» (ou macisso, francamente já nem me lembro qual deles foi), «ptedorátilo», «desideratado». Comprei este livro em segunda mão, mas não consigo deixar de pensar: é nisto que andamos a gastar o nosso dinheiro? Desculpem, mas fiquei mesmo revoltada, acho que nunca vi um texto tão mau.

 

«Do que eu não gostava nada era de estar em casa. Acho que sou incapaz de exprimir o desespero que me inspirava o mundo à minha volta. Embora hoje desconfie, dadas as circunstâncias, e a minha predisposição natural, que teria sido infeliz em qualquer parte do mundo, fosse em Biarritz, em Caracas ou na Ilha de Capri, na altura estava plenamente convencido de que a minha infelicidade era inerente àquele sítio.»

 

Agora, para falar do que realmente importa. Gostei desta história, apesar de sentir que preciso de criar alguma ligação, por mais ínfima, com as personagens, e isso não foi o que aconteceu aqui. Propositadamente, claro está, já que nenhuma delas é minimamente gostável e todas são moralmente dúbias, algumas claramente perturbadas. Ainda assim, parte de mim sente que faltou um pouco de profundidade às personagens e acho que o problema reside também aí.

 

Uma coisa que eu gostei um pouco menos (embora não saiba se é do livro ou da edição, mas parece-me ser do livro em si) foi o facto de não existir qualquer tradução ou explicação para partes em grego e sobre Grego clássico. Se isso for algo propositado por parte da autora, francamente acho um pouco pretensioso. Mas agora que penso, se calhar também é meio genial: dizer ao leitor «tu não pertences aqui porque não sabes nada disto», a fazer parecer um livro exclusivo para os que o sabem, um pouco como o próprio grupo a que Richard, o nosso narrador e protagonista, se juntou.

 

Acho que o livro teria sido melhor se tivesse sido mais bem-sucedido a mostrar algum do fascínio que aquele grupo tinha para Richard no início. Sei que ele se fartou de falar sobre isso, mas sinceramente, apenas li, não senti.

 

Apesar disso, gostei desta leitura e compreendo porque muitos gostam deste livro e desta autora. Penso que fez um trabalho bom q.b. a mostrar a linearidade de: estas pessoas fascinam-me > consegui incluir-me neste grupo > estou a descobrir-lhes os defeitos > percebi que são pessoas horríveis e não quero fazer parte. Mas acho que é uma história que poderia ter sido contada com mais profundidade do que foi.

 

E portanto, sim, gostei. Mas acho também que não é para mim, que foi desnecessariamente longo e não me convenceu o suficiente para repetir a experiência. Foi uma leitura prazerosa, mas teria sido mais se fosse mais curta; na minha opinião, a extensão do livro não se justifica. Mas acho que o facto de nunca me ter aborrecido é um ponto bastante positivo.

 

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P.S: Admito que talvez este seja um daqueles livros que precisam de uma releitura para serem melhor apreciados. Mas pronto, é coisa que não vai acontecer.

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