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fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

06
Nov25

Filmes | Smile

Spooky Season #7

Vera

Sim, eu sei, o Halloween já foi — e por mim, até já podem começar a falar do Natal —, mas este foi o filme que escolhi ver no dia 31 de Outubro e, por isso, vou incluí-lo na rubrica. Além disso, não é preciso ser Halloween para ver filmes de terror.

 

Até há pouco tempo, não tinha interesse em ver estes filmes — que entretanto saiu o segundo —, achava genuinamente que talvez não fossem muito bons, não sei porquê. Mas depois disseram-me que não são assim tão maus e, de facto, acabei por gostar. Além disso, escolhi bem; faltavam apenas 3 horas para o filme deixar de estar disponível no Prime. Foi obra do destino.

 

Poster do filme Smile

 

A psicóloga Rose Cotter recebe uma paciente de urgência que testemunhou o suicídio macabro de um dos seus professores algumas semanas antes. Desde então, ela relata estar a ser seguida por uma entidade que a persegue com a cara de várias pessoas — familiares, estranhos, falecidos —, dizendo que ela é a próxima a morrer. E o que mais a assusta é o sorriso.

 

Gostei muito do filme e, de facto, não acho que seja mau, de todo. Conseguiu criar desconforto em momentos menos esperados, não se cingindo ao cliché dos jumpscares quando já todos sabemos que vão acontecer — embora também tenha momentos assim, claro. O filme acaba também por explorar um pouco as relações entre algumas personagens, o que dá alguma profundidade à história e à personagem principal, fazendo deste um filme de terror diferente daqueles que só são feitos para, de facto, pregar uns sustos.

 

Outro ponto de que gostei foi o facto do filme tocar muito no assunto do trauma e de traumas não resolvidos. Lembrou-me muito o The Babadook neste aspecto, mas ainda assim, não chega de todo aos seus pés (The Babadook continua, até hoje, a ser um dos melhores filmes de terror que já vi. Desconfio que vou adorá-lo ainda mais quando o revir, sobretudo porque hoje tenho um entendimento do conceito de trauma que na altura não tinha).

 

Ainda assim, acho que a partir da segunda metade o filme teve alguns problemas de ritmo, o que não considero de todo ideal quando se trata de um filme de terror. Acho que, nos filmes de terror, há uma dança que precisa ser muito bem coreografada entre momentos de tensão e relaxamento, que têm de surgir nos momentos certos, mas também ter a duração certa. Não foi o que aconteceu aqui.

 

Apesar disso, no geral, gostei bastante do filme. Como disse, não acho de todo que seja um filme mau. Vale bastante a pena ver e fiquei muito curiosa com o segundo.

 

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Alguém aqui já viu? O que acharam?

***

Spooky Season 2025:

31
Out25

Spooky Season #6

Weapons (Filme) | Conta-me, Escuridão, Mafalda Santos (Livro)

Vera

Fecho a época de Halloween em bom. Bom, fecho como quem diz... Ainda conto ver pelo menos um filme de terror hoje.

 

Weapons

Poster do filme Weapons

Uma turma inteira de alunos desaparece na mesma noite, à mesma hora, e as crianças apenas foram vistas a correr em direcção à escuridão, de braços abertos. Apenas uma criança daquela turma não desapareceu, e agora todos se perguntam o que aconteceu...

O filme começa por ser narrado por uma criança da escola onde estes acontecimentos se deram e devo desde já dizer que gostei muito desta escolha e de como a executaram no filme. Ela deixa-nos que saber que isto já aconteceu há dois anos e o conteúdo e a forma como interpreta os seus diálogos foram feitos de tal forma que senti por completo a sensação de: ok, tenho uma criança a contar-me aquilo que para ela é apenas uma história. A quase indiferença que se nota na sua entoação faz todo o sentido para uma criança que não foi afectada pelo que aconteceu.

Mas adiante. O filme conta-nos a história através de vários "capítulos", cada um dedicado a uma personagem em específico. Ao acompanharmos essas personagens momentaneamente, vamo-nos apercebendo, aos poucos, do que aconteceu. Mas as verdadeiras respostas só chegam no final, claro — aliás, o meu namorado que diga: passei grande parte do filme só a dizer "wtf" ou "o que é que está a acontecer aqui". Era cada coisa mais bizarra que a outra a acontecer, sem qualquer explicação.

Achei que esta forma de contar a história se tornou repetitiva em um ou dois momentos em que estávamos a ver exactamente as mesmas coisas acontecer; ainda assim, acho que este pormenor é super irrelevante para o filme como um todo. O filme conta ainda com algumas críticas sociais, embora não ache que esse seja o foco dele (bom, talvez o das armas seja... afinal, está no nome).

Gostei muito do filme, ainda mais do que gostei do Barbarian, na altura — filme do mesmo realizador. Sem dúvida que recomendo.

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Conta-me, Escuridão, Mafalda Santos

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Vi recentemente algumas pessoas falarem muito bem deste livro e aproveitei que, depois de terminar Drácula, ainda tinha alguns dias até ao fim do mês para ler Conta-me, Escuridão (abençoada BiblioLed), um livro de contos de terror. Na verdade, eu acho que é o meu primeiro livro de contos, no geral. Foi assim que descobri que tenho um problema com contos: é que quero sempre saber mais — sobre o mundo, sobre as personagens, enfim, toda a lore por detrás daquela pequena história. Acaba a saber pouco, embora não de uma forma negativa. Como se costuma dizer: é o que é. Ainda assim, consigo perceber a atracção que existe em ler pequenas histórias, diferentes umas das outras, e vou ter de apostar mais neste género.

Passando para o livro em si, Mafalda Santos presenteia-nos com 8 contos de terror. Acredito que talvez este livro seja melhor apreciado por pessoas com conhecimentos de teologia ou mitologia, já que alguns dos contos parecem estar indirectamente relacionados com certos elementos (ou mais directamente, no caso do conto «Caim e Abel», talvez). De qualquer modo, eu não sou essa pessoa.

Ainda assim, no geral gostei muito deste livro. Apesar de existirem alguns contos melhores que outros, a verdade é que são todos macabros, especialmente quando consideramos que existe um tema comum a quase todos eles: a natalidade. Mafalda Santos é exímia em criar um ambiente de desconforto puro. Não são contos de meter medo, mas sim de criar uma grande perturbação. As ilustrações de David Benasulin também ajudam muito a criar um imaginário visual para cada conto.

Gostei muito da experiência e estou curiosa de ler mais livros da autora (aliás, já tenho o «Aquilo que o Sono Esconde» na minha lista), bem como mais livros de contos.

Os meus preferidos foram: Caim e Abel, A Festa de Yaksha, Laura e os Cães e O Mundo de Christina.

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Conhecem alguma destas obras? Têm sugestões parecidas?

 

Spooky Season 2025:

30
Out25

Filmes | Toy Story of Terror!, The Rocky Horror Picture Show, Final Destination

Spooky Season #5

Vera

Toy Story of Terror!

Poster do filme Toy Story of Terror

Uma curta-metragem de 20 minutos que, além das vibes creepy, também é engraçada — sobretudo devido à personagem de Mr. Pricklepants, que faz questão de explicar de forma técnica todos os momentos que compõem este filme de terror, o que torna isto numa obra meio meta, até.

Introduz-nos a novas personagens com carisma suficiente para nos conquistarem em apenas 20 minutos. Vê-se rapidamente e é bastante divertido! Gostei muito e recomendo, para esta altura até é perfeito porque é spooky, mas não assustador. Ah, e ocorre após o terceiro filme.

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The Rocky Horror Picture Show

Poster do filme The Rocky Horror Picture Show

Revi este filme após mais de uma década, sendo que na altura adorei. Acho que continua a não desiludir. Não é um filme para ter sentido, não é um filme para levar a sério — é simplesmente para ser uma experiência divertidíssima, e cumpre isso na perfeição. Para além disso, é um filme icónico pela sua ousadia e excentricidade, e ficou muito marcado na comunidade queer.

Foi também apenas agora que descobri que vão sendo feitos espectáculos deste musical e que, ao contrário do que estamos habituados, este conta com participação da audiência — não da forma que estão a pensar, mas com um cast específico que vai para a audiência atirar e gritar umas coisas em vários momentos do musical. Como revi isto no film club digital onde participo, estava lá uma rapariga americana que já fez parte desta experiência durante vários anos e nos preparou um guia de participação, além dela própria ter dito várias das falas da audiência (são mesmo muitas, por isso o guia que ela nos deu foi muito básico).

Isto para dizer que isto tornou a experiência duplamente divertida e deu para ter um gostinho do que seria ver este musical ao vivo. Gostei muito.

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Final Destination

Poster do filme Final Destination

Esta série de filmes já vai em não sei quantos, mas eu nunca tinha visto um único. Tenho algum preconceito com sagas de terror, porque é muito fácil estragar. Não era suposto ver este filme; na verdade, tinha outro em mente que não dava para ver sem encontrar o DVD no chão e, como já não tinha muito tempo, optei por escolher outro disponível para streaming.

A verdade é que me fez sentir que tinha algumas saudades de filmes deste género: que não são nenhuma obra-prima do cinema, mas se tornam icónicos à sua maneira. Para quem não conhece a história — eu confesso que nem sabia muito bem do que se tratava —, no fundo, vemos um grupo de pessoas a tentar enganar e fugir à morte, que as persegue porque chegou a hora delas. Claro que não corre muito bem.

Acho que foi um filme que criou bastante bem uma ambiência não assustadora, mas talvez arrepiante de cada vez que víamos a morte aproximar-se. A questão toda em volta da ordem de mortes também foi um elemento que tornou o enredo interessante.

Agora vou querer ver o resto, claro, mesmo os filmes muito maus (se os houver).

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Já viram algum destes? O que acharam?

27
Out25

Livros | Dracula, Bram Stoker

Spooky Season #4

Vera

Para o Halloween, aproveitei para ler um clássico que estava a faltar na minha lista. E não é que acabei a gostar muito mais deste livro do que estava à espera?

 

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O livro apresenta-nos inicialmente ao Conde Drácula, mas não é sobre ele; começa com o primeiro contacto de Jonathan Harker com este, e debruça-se sobre todo um processo de o perseguir para o matar, não sem antes vermos algumas pessoas serem transformadas em vampiras.

 

O livro não tem um protagonista único e ocorre em volta de várias pessoas: Mina e Jonathan Harker, Dr. John Seward, Dr. Van Helsing, Arthur Godalming, Lucy e Quincey Morris. A história é-nos contada através de cartas, diários, telegramas e notícias, embora nos mostre apenas diários escritos por Mina, Jonathan e Dr. Seward.

 

Pensei que este livro fosse ser uma leitura pesada e cansativa, mas a verdade é que me agarrou, mesmo nas partes mais paradas em que tudo indicaria o contrário. Talvez a forma de contar a história tenha contribuído para isso. (Aparte: Lembrei-me logo do livro Where'd You Go, Bernadette, que conta a história através de emails, notas e documentos soltos, mas do qual não gostei nada.) No entanto, acho que também ajudou a escrita descritiva, sobretudo nos momentos mais "assustadores" — sem dar muitos spoilers, o momento em que Jonathan sai por uma janela, ou em que uma das personagens é transformada, ou em que um certo paciente é violentamente atacado são das melhores coisas neste livro. São momentos quase arrepiantes e isso surpreende-me muito num livro dos finais de 1800.

 

Outra coisa que me surpreendeu muito foi a forma como a mulher é retratada na história. Estamos, claro, a falar de um livro de 1897, pelo que certas coisas menos boas são de esperar. Ainda assim, pelo que tenho visto é um assunto que divide muitas nações e acho que depende muito da interpretação que cada pessoa faz do livro.

 

Na minha interpretação pessoal, Bram Stoker desafia em certos momentos os papéis de género e o ideal de mulher na altura: uma das personagens femininas é cobiçada por vários homens ao mesmo tempo e isto é tratado com uma naturalidade tal que nem hoje se vê semelhante em comentários do Facebook. Não o digo apenas em questões de preconceito ou julgamentos, mas até nas relações entre as personagens — não há qualquer desprezo por esta questão por parte de ninguém em relação a ninguém. Relembro que estamos a falar de um livro de 1897, por isso isto surpreendeu-me bastante.

 

Não consigo deixar de achar que este livro foi escrito, em certos momentos, com alguma sátira para desafiar certas concepções da altura: temos homens em vários momentos a chorar e a mostrar emoção (se hoje ainda é um bocadinho tabu, imagine-se na altura), por "tudo e por nada", a mostrarem-se vulneráveis — aliás, creio que até há um momento do livro em que é a mulher "a aguentar-se" e a confortar o homem, claramente a sofrer. Além disso, quando uma das personagens femininas é descartada do plano de "caça ao vampiro" por ser mulher, o que é que acontece? Tudo dá errado, eventualmente ela volta a estar envolvida e, para além disso, passa a ter um papel incrivelmente crucial para avançar na história, sendo no final tratada como igual — e o fim, literal fim, do livro celebra a sua bravura e coragem.

 

Existem, claro, aspectos que se possam apontar contra esta ideia que tenho do livro, como o retrato de mulheres como puras ou impuras, por exemplo. Não deixa de ser escrito por um homem nos finais de 1800. Mas creio que também existem vários argumentos positivos; daí achar que este livro é fortemente divisivo nesta questão e que deixa abertas interpretações neste assunto.

 

Gostei muito de como este livro é no fundo sobre amizades profundas, entre homens, entre mulheres, e entre ambos — sem qualquer pudor de serem genuínos e vulneráveis uns com os outros, dando lugar a uma sinceridade tão refrescante, mesmo nos dias de hoje. Acho que é um livro que em certos aspectos é incrivelmente moderno e vale a pena a leitura. No entanto, recomendo lerem a versão traduzida; li o inglês e por vezes foi complicado, sobretudo por ter pequenas partes que reflectem um inglês cheio de calão (tive de recorrer à app do tradutor para esta, com a câmara...).

 

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Ah! E eu vou celebrar, sim, finalmente ter uma obra que NÃO sexualiza esta questão toda dos vampiros e onde não existe qualquer relação romântica com o Dracula, ao contrário dos filmes (estou tão farta desse elemento, desculpem).

 

 

14
Out25

Spooky Season #3

The Lost Boys | Frankenstein (1931)

Vera

Sejam bem-vindos ao mês do terror. Por cá, adoramos e, embora a vida não tenha permitido muito, tento sempre aproveitar esta época para consumir coisinhas mais assustadoras (ou não tanto, mas dentro do tema).

 

Poster do filme The Lost Boys

The Lost Boys

Uma família muda-se para aquela que é considerada a capital mundial do homicídio. Numa ida à feira da cidade, Michael, o filho mais velho, acompanha o seu irmão mais novo — Sam —, mas rapidamente se afasta dele para ir atrás de uma rapariga pela qual se encantou. E é isto que desencadeia uma série de eventos onde Michael conhece um grupo de jovens delinquentes e acaba a ser transformado em vampiro. Sam tenta, com os seus novos amigos, ajudá-lo a reverter a situação antes que seja tarde demais.

Acabei de descobrir que o ator que interpretou Sam já morreu — cedo demais —, o que é uma pena porque fez um excelente trabalho a representar a personagem mais engraçada deste filme. Sem dúvida que este miúdo é das melhores partes desta história.

Já tinha ouvido falar deste filme de uma forma que talvez me tenha deixado com expectativas que não foram correspondidas. Fiquei com a sensação que este era um filme icónico, de alguma forma, mas não achei nada disso. É um filme sobre vampiros que não se leva nada a sério e é perfeito para entreter. Gostei muito porque é extremamente engraçado, com uma leveza que só os atores que interpretaram Sam e os seus amigos podiam fazer. Esperava que o grupo de vampiros fosse também mais icónico, mas não achei.

O filme é bom, fez-me rir várias vezes e é uma excelente peça de entretenimento. Mas não me arrebatou.

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Poster do filme Frankenstein (1931)

Frankenstein (1931)

Creio que já todos conhecemos esta história, mas ainda assim: este filme é baseado num livro homónimo, escrito por Mary Shelley, e fala-nos de como o Doutor Frankenstein cria um monstro a partir de várias partes de pessoas mortas — e claro, óbvio, que não corre nada bem.

Gostei muito deste filme. Para já, devo dizer que me deixou com muita curiosidade de ler o livro. Segundo vi, muito por alto, o livro tem um monstro com mais humanidade do que o filme e tenho muito interesse em ver como Mary Shelley concebeu o monstro de Frankenstein original.

Talvez exista alguma parte do filme — mas acredito que seja muito mais vincado no livro — que pretenda mostrar como o monstro é incompreendido ou imediatamente rejeitado. No entanto, para mim, este filme é muito mais sobre como as ações de um homem — sedento de poder e com um complexo de Deus (ele literalmente diz algo do género "agora já sei o que é ser Deus") — colocam pessoas em perigo e arruinam vidas. Soa-vos familiar? Lembra-vos alguém? Pois é, o filme, apesar de ser dos anos 30, é incrivelmente atual. No fim, este homem sai ileso e sem quaisquer consequências pelas suas ações.

Para mim, neste filme, o vilão nunca será o monstro de Frankenstein, mas o próprio Frankenstein — e um bom filme de terror nunca é sobre o monstro. Ou talvez aqui o monstro seja outro.

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***

 

Ver mais (Spooky Season 2024)

29
Out24

Spooky Season #2

Incidents Around the House, The Black Phone

Vera

Uma estreia literária e um filme nunca antes visto.

 

Incidents Around the House, Josh Malerman

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Temos livro de terror? Temos, o primeiro do Halloween e o primeiro da minha vida. Sendo terror um dos meus géneros preferidos no cinema, pergunto-me porque nunca o consumi nas minhas leituras até hoje. Mas que fiquei com vontade de ler mais depois deste livro, fiquei.

 

Incidents Around the House é do mesmo autor que escreveu Birdbox, cuja adaptação para filme cheguei a ver. Conta-nos a história de Bella, uma criança que há muito criou amizade com uma entidade que surgiu do seu guarda-roupa, que chama de Other Mommy (Outra Mãe) e que lhe pergunta constantemente se pode entrar no seu coração. Com uma resposta repetidamente negativa, esta entidade começa a perder a paciência e a agir de forma cada vez mais agressiva... Na realidade, a família de Bella esconde um segredo que acabará por mudar as suas vidas.

 

Devorei este livro em poucos dias e adorei. Conseguiu ser creepy na medida certa e até trazer algumas reflexões ligadas à questão da maternidade, por exemplo (embora este não seja, de todo, o foco do livro). Gostei muito da experiência de ler uma história narrada por uma criança e da forma como Josh Malerman moldou a sua voz. Apesar de nunca nos ser dita a idade de Bella, percebemos que é uma criança com idade suficiente para compreender certas coisas no mundo, mas que, ao mesmo tempo, ainda acarreta a inocência e ingenuidade tipicamente infantis. Gostei de certas ferramentas utilizadas, como por exemplo referir que os pais "costumam usar esta palavra" quando é um termo mais complexo, ou com frases com pouca ou nenhuma vírgula onde há muitos "e", que nos levam claramente ao pensamento menos estruturado de um menor.

 

Gostei da ambiência e do ritmo a que a história se desenrolou. As únicas críticas negativas que tenho são que não consegui ligar-me emocionalmente às personagens (inclusive, algumas delas são difíceis de gostar) e, além disso, não gostei do final. Achei-o um pouco confuso, não tanto no que descreve da história mas no que é suposto representar, e tive de ir procurar explicações. Não fiquei a entender muito mais, sinceramente. Achei um pouco anticlimático devorar um livro que estava a ser tão bem sucedido em agarrar o meu interesse para chegar ao final e ficar "...o quê?".

 

Gostava de ter tido um final mais esclarecedor, e acho que ficou a faltar um pouco mais de informação sobre a Other Mommy também - sem essa informação, o final tentou ligar duas coisas sem que uma delas tivesse tido assim tanta força no enredo. Ainda assim, recomendo muito a leitura e não nego que gostava muito que existisse uma adaptação audiovisual do livro - e certamente que veria.

 

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The Black Phone

The Black Phone

Finney, um jovem rapaz de 13 anos, é raptado por um homem de máscara - e não é a sua primeira vítima. Mantido num local fechado e à prova de som, um telefone preto desconectado começa a tocar incessantemente, e é quando Finney atende que descobre que do outro lado estão todos os adolescentes que o seu raptor capturou e matou.

 

Não tenho muito a dizer deste filme, não sinto que tenha tido algum ponto de destaque. Achei-o bom, mas também não achei nada de especial. Conta uma história linear e fá-lo de forma satisfatória. É um bom filme para entreter; gostei do enredo e dos atores (sobretudo a atriz que interpreta a irmã do jovem, achei-a bastante boa). Não acho que seja particularmente assustador (tirando um pequeno jumpscare que até a mim me apanhou, o que não é hábito), por isso é seguro para os espectadores mais medrosos.

 

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Deixei alguém com curiosidade?

20
Out24

Spooky Season #1

It's the Great Pumpkin, Charlie Brown & Abigail

Vera

Não sei o que se passa este ano, mas sinto um maior gosto por duas coisas pelas quais nunca tive particular apreço: o Outono (embora desconfie que seja porque, ao contrário de muitos outros anos, estou de facto a poder experienciar um Outono genuíno e não um que só aparece no calendário mas que se assemelha a um Verão tardio ou um Inverno precoce), e o Halloween. Sempre fiz questão de ver pelo menos um filme de terror nesta altura, coisa que já sabem que adoro, mas nunca liguei muito ao Halloween em si. A verdade é que sinto isso a mudar - a ponto de olhar para decorações de Natal (uma época que tanto aprecio) à venda e pensar "acalmem-se, ainda não é altura! Deixem o Halloween em paz!". Aliás, se me visitam de um computador, já repararam no meu cursor de morcego? 

 

Como tal, em honra desta pequena mudança em mim (que espero que perdure pelos próximos anos), criei agora uma pseudo-rubrica (são só mais reviews normais, como já faço, mas com um nome temático) para durar também ela muitos anos. E para a inaugurar, venho falar-vos de dois filmes que vi, um bastante diferente do outro.

 

It's the Great Pumpkin, Charlie Brown

Poster do filme It's the Great Pumpkin, Charlie Brown

Tenho 31 anos, mas já vivi experiências precoces como perder a minha mãe em idade jovem. Há duas coisas que me lembram muito dela: o Sozinho em Casa e Peanuts. Nenhum deles pela regularidade, mas talvez pelos momentos que proporcionavam. O primeiro era o filme que via religiosamente todos os anos no Natal e com o qual ria alto sempre. O segundo porque de vez em quando apanhávamos o filme de Natal, ou episódios soltos, na televisão e víamos juntas. Ambos ligados pelas duas à braseira no sofá da cozinha (sim... temos um sofá na cozinha) a ver televisão.

 

Bom, Peanuts - os comics criados por Charles Schulz que nos apresentaram a Snoopy e Charlie Brown - sempre foi algo que gostei, não numa adoração ferverosa, mas num agrado que sempre existiu no fundo do meu coração. E ultimamente o meu namorado passou a conhecer mais pequenos excertos deste pequeno mundo, pelo que decidimos ver o filme de Halloween.

 

Um filme de animação curtíssimo (25 minutos) que se centra sobretudo na carta que Linus escreve à Great Pumpkin, e na noite de Halloween - com os seus amigos a pedir doces ou travessuras pelas casas, enquanto Linus aguarda pacientemente que a Great Pumpkin apareça. No fundo, uma espécie de Pai Natal em que só ele acredita. O filme é aquilo que se pode esperar de Peanuts: engraçado, fofinho e bonito. Vou querer muito ver o de Natal na altura, ainda tenho memórias dele.

 

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Abigail

Poster do filme Abigail

Para algo completamente diferente, vimos Abigail: um filme de terror que nos mostra um grupo de criminosos contratados para raptar Abigail, uma menina que tem um pai bastante rico. Cada um desses criminosos (anónimos à moda da primeira temporada de La Casa de Papel) vai sair muito mais rico desse rapto, não fosse o facto de os fecharem na casa onde mantêm a menina e começarem a morrer misteriosamente, um a um.

 

Um filme que me lembrou muito And Then There Were None de Agatha Christie (aliás, o próprio filme faz-lhe referência), mas em versão gore e terror. É o melhor filme de terror de todos os tempos? Não, mas também não é o pior. Propõe-se a contar uma história e fá-lo de forma a entreter-nos. É um bom filme para tarde de Domingo (se filmes de terror forem a vossa cena, claro está).

 

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Espero ter em breve mais sobre o qual vos falar com ligação ao Halloween... incluindo um livro!

 

Conhecem alguma destas obras? Têm celebrado a época ou são dos que não ligam? Contem-me tudo!

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📖 A ler:



📺 A ver:

IT: Welcome to Derry, Temporada 1
Alien: Earth, Temporada 1
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Pluribus, Temporada 1
Stranger Things, Temporada 5
Alice in Borderland, Temporada 3

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