Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

03
Dez25

Filmes | Ernest & Celestine

Vera

Posters do filme Ernest & Celestine

Celestine é uma jovem ratinha que vive com a sua comunidade num esgoto — esgoto esse que fica por baixo de uma cidade onde vivem ursos e, entre eles, Ernest, um músico de rua que os moradores da sua cidade parecem desprezar. Já Celestine, parece não querer fazer aquilo que todos os ratos devem fazer. Estas dificuldades na vida de ambos acabam por juntar os dois numa amizade que não é suposto acontecer; ratos e ursos não se devem misturar. É assim que a amizade de Ernest e Celestine é posta à prova.

 

Só consigo dizer-vos: que filme bonito e fofinho. A arte é lindíssima, fazendo lembrar livros de ilustrações para crianças. Celestine é uma personagem maravilhosa e Ernest vem logo a seguir.

 

Como existe este elemento de separação entre os dois povos, o filme acaba por tocar muito em questões ligadas ao preconceito e à discriminação, sobretudo ao racismo. Mas também acaba por estar muito ligado à desvalorização da arte, que é tudo o que Celestine e Ernest querem fazer, embora de formas diferentes — e a verdade é que ainda hoje vemos muito essa ideia, de que fazer arte da vida nunca é a melhor opção.

 

No geral, gostei muito do filme e recomendo. Não mudou a minha vida, mas é um filme muito bonito e fofo (parece que estou sempre a dizer isto, mas é que é mesmo) e, por isso, se quiserem sentir o abraço apertadinho de um filme e aquele quentinho no coração, esta é a escolha certa.

 

4.5.JPG

 

Alguém conhece?

22
Nov25

Filmes | O Agente Secreto

Vera

Um filme que ocorre em 1977, bem na época da ditadura militar no Brasil. Marcelo é um especialista em tecnologia e foge para o Recife para reencontrar o filho. Mas, num país dominado por autoritarismo e repressão, em que sítio poderia ele encontrar um verdadeiro refúgio?

 

Poster do filme O Agente Secreto

 

Podemos começar, antes de mais, pelo nome — que faz parecer, erradamente, que este é um filme de acção, de espionagem... a realidade é que não tem nada disso. Confesso que não consigo entender muito bem a escolha do nome; imagino que esteja claramente ligado ao contexto sociopolítico, mas, depois de ver o filme, continuo a não conseguir compreender muito bem.

 

Não sendo eu, naturalmente, brasileira, houve momentos neste filme que me fizeram sentir que eram uma carta de amor ao Brasil e aos brasileiros — embora esse não seja o foco do filme; afinal, ocorre num contexto ditatorial. Mas todas as cenas de convívio entre os refugiados, a cultura e o ambiente em volta do Carnaval fizeram-me sentir isso.

 

Gostei muito também da narrativa não-linear (apesar do filme estar dividido em três partes), de como inicialmente não conseguimos compreender absolutamente nada do que se está a passar — para mais tarde começar a fazer tudo sentido e as personagens se ligarem todas umas às outras. Outro ponto a destacar é o início do filme; só depois compreendi como a cena inicial nos mostra logo aquilo a que o filme vem. Sem revelar muito, vemos basicamente como dois agentes da polícia estão mais preocupados com um condutor completamente inocente — quem é, o que está ali a fazer, se tem algo que não deve estar no carro — do que com um cadáver que está a apodrecer na rua há dias e para o qual a polícia já tinha sido, efectivamente, chamada.

 

Houve momentos do filme que só compreendi depois, ao fazer alguma pesquisa, por exemplo:

  • O filme faz alusão a um caso real de 2020 onde o filho de uma empregada doméstica morreu sob a (falta de) supervisão da sua patroa, enquanto a empregada passeava o cão da mulher;
  • Um momento que inicialmente me pareceu muito bizarro no filme, com vibes de terror e uma perna humana, é na verdade baseado numa lenda urbana daquela região (Recife): naquela época, dizia-se que havia uma perna cabeluda que atacava descontroladamente pessoas à noite — na realidade, esta lenda é um reflexo da violência nas ruas e do medo colectivo que se fazia sentir na altura.

 

Por fim, houve três coisas que gostei bastante no filme. A primeira foi a forma inconclusiva como acaba; o nosso protagonista é apenas mais um, no meio de tantos; as investigações começam mas não acabam; até uma personagem diz claramente que a memória está a desaparecer. Parece dar a ideia de que todos aqueles acontecimentos, todas as mortes, toda a violência, por mais horríveis que tivessem sido, estão tão longe no passado que hoje em dia não são mais recordadas; mas também que este filme está aqui para homenagear todos os "mais um" que existiram naquela época.

 

A segunda coisa que preciso de destacar é a banda sonora. Maravilhosa, maravilhosa, maravilhosa. E finalmente, adorei a personagem da Dona Sebastiana. Que mulherzinha querida, que me fez sentir que também era uma carta de amor aos brasileiros, mas na verdade uma avózinha que todos nós conhecemos. ❤️

 

Posto tudo isto, temos de passar para os pontos negativos do filme. E acho que o mais significativo deles todos é o ritmo. O filme não é propriamente curto; tem quase 2h40 e, a partir de certo ponto, eu senti o tempo a passar... e senti muito. O ritmo é incrivelmente lento e não se justifica, há cenas que duram demasiado tempo, cortes que podiam ter sido feitos mais cedo na edição e partes que se arrastam tanto sem qualquer necessidade. E infelizmente, isto sacrificou algumas das partes positivas do filme, porque houve momentos em que me senti apenas farta de estar ali, só queria que o filme acabasse... Acho que a segunda parte, especialmente, durou muito mais do que era necessário. Tanto que comecei a pensar que o filme devia estar quase a terminar — por essa altura, já tinha passado tanto tempo que me tinha esquecido que o filme estava dividido em partes e que deveria naturalmente haver ainda uma terceira —, e quando o ecrã mostrou o início da terceira parte senti algum sofrimento.

 

Eu não quero que isto soe demasiado bruto, porque a verdade é que continuei investida na história e a querer ver o resto. Mas foi uma experiência certamente ambígua porque estava simultaneamente cansada.

 

Recomendo o filme, sem dúvida, mas acho que valerá mais a pena ver em casa, com o conforto de poder parar se assim nos apetecer. No cinema, achei uma experiência um bocadinho sofrega.

 

3.JPG

 

Alguém já viu?

15
Nov25

Filmes | Frankenstein

Vera

Já está disponível na Netflix a adaptação de Frankenstein de Guillermo del Toro, um filme que tem estado pelas bocas do mundo.

 

Poster do filme Frankenstein

 

Vou começar pelos pontos negativos: não gostei muito da fotografia usada em algumas cenas, chegou a dar-me vibes de Wicked e sinceramente não teria sido essa a escolha que eu faria. Achei também que algum do CGI (porque ele continua lá, mesmo que tenham usado — e bem — muitos efeitos práticos) não foi tão bom e notava-se perfeitamente que o era.

 

Apesar destes aspectos me terem desagradado, são pontos quase irrelevantes no filme como um todo e que apenas me fizeram retirar meia estrela — só não leva as 5 por isto. Embora o filme esteja a ser super falado e consiga reconhecer que é bastante bom, quando o terminei, não me arrebatou. Gostei muito, mas não me arrebatou. Tem acontecido muito este ano com filmes com imenso hype e eu juro que não faço de propósito para ser aquela pessoa que "ai, toda a gente gosta tanto, então eu não vou gostar"; acho que é simplesmente um problema de expectativas e esse é um problema inteiramente meu.

 

Dito isto, sinto que quanto mais tempo passa, mais gosto dele, por isso talvez, neste caso, seja apenas uma questão de me dar tempo para apreciar as coisas. Com o passar dos dias, percebo que é um filme muito bonito na forma como humaniza a criação de Frankenstein e como mostra o quão incompreendido este ser é. O filme é também incrivelmente bonito visualmente, apesar dos pontos negativos que referi estarem ligados a elementos visuais.

 

E por falar na Criatura de Frankenstein, Jacob Elordi esteve brilhante nesse papel. Só o conheço de Saltburn, mas espero genuinamente que possamos ver mais dele em papéis deste género, porque não há dúvidas do seu talento enquanto actor. A Mia Goth e o Oscar Isaac, na verdade, também estão tremendos.

 

Penso que o último trabalho que vi de Guillermo del Toro foi a sua série Cabinet of Curiosities, que me desiludiu um bocadinho e da qual acabei por não gostar muito. Por isso, é muito bom voltar a ver algo dele num registo que não tem como falhar. Segundo consta, ele também vai fazer uma adaptação do Fantasma da Ópera e, depois de ter assistido ao musical ao vivo, mal posso esperar.

 

Quanto a este Frankenstein, é belíssimo, é profundo, é muito, muito bonito e eu recomendo bastante.

 

4.5.JPG

 

Quem aqui já viu? O que acharam deste filme?

 

P.S: Desde que escrevi esta review, já vi mais de uma pessoa dizer que o filme se distancia bastante da essência da história original e que é muito diferente. Se já leram o livro, tenham isso em mente. Este filme é capaz de ser melhor para quem não o leu.

06
Nov25

Filmes | Smile

Spooky Season #7

Vera

Sim, eu sei, o Halloween já foi — e por mim, até já podem começar a falar do Natal —, mas este foi o filme que escolhi ver no dia 31 de Outubro e, por isso, vou incluí-lo na rubrica. Além disso, não é preciso ser Halloween para ver filmes de terror.

 

Até há pouco tempo, não tinha interesse em ver estes filmes — que entretanto saiu o segundo —, achava genuinamente que talvez não fossem muito bons, não sei porquê. Mas depois disseram-me que não são assim tão maus e, de facto, acabei por gostar. Além disso, escolhi bem; faltavam apenas 3 horas para o filme deixar de estar disponível no Prime. Foi obra do destino.

 

Poster do filme Smile

 

A psicóloga Rose Cotter recebe uma paciente de urgência que testemunhou o suicídio macabro de um dos seus professores algumas semanas antes. Desde então, ela relata estar a ser seguida por uma entidade que a persegue com a cara de várias pessoas — familiares, estranhos, falecidos —, dizendo que ela é a próxima a morrer. E o que mais a assusta é o sorriso.

 

Gostei muito do filme e, de facto, não acho que seja mau, de todo. Conseguiu criar desconforto em momentos menos esperados, não se cingindo ao cliché dos jumpscares quando já todos sabemos que vão acontecer — embora também tenha momentos assim, claro. O filme acaba também por explorar um pouco as relações entre algumas personagens, o que dá alguma profundidade à história e à personagem principal, fazendo deste um filme de terror diferente daqueles que só são feitos para, de facto, pregar uns sustos.

 

Outro ponto de que gostei foi o facto do filme tocar muito no assunto do trauma e de traumas não resolvidos. Lembrou-me muito o The Babadook neste aspecto, mas ainda assim, não chega de todo aos seus pés (The Babadook continua, até hoje, a ser um dos melhores filmes de terror que já vi. Desconfio que vou adorá-lo ainda mais quando o revir, sobretudo porque hoje tenho um entendimento do conceito de trauma que na altura não tinha).

 

Ainda assim, acho que a partir da segunda metade o filme teve alguns problemas de ritmo, o que não considero de todo ideal quando se trata de um filme de terror. Acho que, nos filmes de terror, há uma dança que precisa ser muito bem coreografada entre momentos de tensão e relaxamento, que têm de surgir nos momentos certos, mas também ter a duração certa. Não foi o que aconteceu aqui.

 

Apesar disso, no geral, gostei bastante do filme. Como disse, não acho de todo que seja um filme mau. Vale bastante a pena ver e fiquei muito curiosa com o segundo.

 

3.5.JPG

 

Alguém aqui já viu? O que acharam?

***

Spooky Season 2025:

31
Out25

Spooky Season #6

Weapons (Filme) | Conta-me, Escuridão, Mafalda Santos (Livro)

Vera

Fecho a época de Halloween em bom. Bom, fecho como quem diz... Ainda conto ver pelo menos um filme de terror hoje.

 

Weapons

Poster do filme Weapons

Uma turma inteira de alunos desaparece na mesma noite, à mesma hora, e as crianças apenas foram vistas a correr em direcção à escuridão, de braços abertos. Apenas uma criança daquela turma não desapareceu, e agora todos se perguntam o que aconteceu...

O filme começa por ser narrado por uma criança da escola onde estes acontecimentos se deram e devo desde já dizer que gostei muito desta escolha e de como a executaram no filme. Ela deixa-nos que saber que isto já aconteceu há dois anos e o conteúdo e a forma como interpreta os seus diálogos foram feitos de tal forma que senti por completo a sensação de: ok, tenho uma criança a contar-me aquilo que para ela é apenas uma história. A quase indiferença que se nota na sua entoação faz todo o sentido para uma criança que não foi afectada pelo que aconteceu.

Mas adiante. O filme conta-nos a história através de vários "capítulos", cada um dedicado a uma personagem em específico. Ao acompanharmos essas personagens momentaneamente, vamo-nos apercebendo, aos poucos, do que aconteceu. Mas as verdadeiras respostas só chegam no final, claro — aliás, o meu namorado que diga: passei grande parte do filme só a dizer "wtf" ou "o que é que está a acontecer aqui". Era cada coisa mais bizarra que a outra a acontecer, sem qualquer explicação.

Achei que esta forma de contar a história se tornou repetitiva em um ou dois momentos em que estávamos a ver exactamente as mesmas coisas acontecer; ainda assim, acho que este pormenor é super irrelevante para o filme como um todo. O filme conta ainda com algumas críticas sociais, embora não ache que esse seja o foco dele (bom, talvez o das armas seja... afinal, está no nome).

Gostei muito do filme, ainda mais do que gostei do Barbarian, na altura — filme do mesmo realizador. Sem dúvida que recomendo.

4.JPG

 

Conta-me, Escuridão, Mafalda Santos

IMG_20251031_113528.jpg

Vi recentemente algumas pessoas falarem muito bem deste livro e aproveitei que, depois de terminar Drácula, ainda tinha alguns dias até ao fim do mês para ler Conta-me, Escuridão (abençoada BiblioLed), um livro de contos de terror. Na verdade, eu acho que é o meu primeiro livro de contos, no geral. Foi assim que descobri que tenho um problema com contos: é que quero sempre saber mais — sobre o mundo, sobre as personagens, enfim, toda a lore por detrás daquela pequena história. Acaba a saber pouco, embora não de uma forma negativa. Como se costuma dizer: é o que é. Ainda assim, consigo perceber a atracção que existe em ler pequenas histórias, diferentes umas das outras, e vou ter de apostar mais neste género.

Passando para o livro em si, Mafalda Santos presenteia-nos com 8 contos de terror. Acredito que talvez este livro seja melhor apreciado por pessoas com conhecimentos de teologia ou mitologia, já que alguns dos contos parecem estar indirectamente relacionados com certos elementos (ou mais directamente, no caso do conto «Caim e Abel», talvez). De qualquer modo, eu não sou essa pessoa.

Ainda assim, no geral gostei muito deste livro. Apesar de existirem alguns contos melhores que outros, a verdade é que são todos macabros, especialmente quando consideramos que existe um tema comum a quase todos eles: a natalidade. Mafalda Santos é exímia em criar um ambiente de desconforto puro. Não são contos de meter medo, mas sim de criar uma grande perturbação. As ilustrações de David Benasulin também ajudam muito a criar um imaginário visual para cada conto.

Gostei muito da experiência e estou curiosa de ler mais livros da autora (aliás, já tenho o «Aquilo que o Sono Esconde» na minha lista), bem como mais livros de contos.

Os meus preferidos foram: Caim e Abel, A Festa de Yaksha, Laura e os Cães e O Mundo de Christina.

4.JPG

 

 

Conhecem alguma destas obras? Têm sugestões parecidas?

 

Spooky Season 2025:

30
Out25

Filmes | Toy Story of Terror!, The Rocky Horror Picture Show, Final Destination

Spooky Season #5

Vera

Toy Story of Terror!

Poster do filme Toy Story of Terror

Uma curta-metragem de 20 minutos que, além das vibes creepy, também é engraçada — sobretudo devido à personagem de Mr. Pricklepants, que faz questão de explicar de forma técnica todos os momentos que compõem este filme de terror, o que torna isto numa obra meio meta, até.

Introduz-nos a novas personagens com carisma suficiente para nos conquistarem em apenas 20 minutos. Vê-se rapidamente e é bastante divertido! Gostei muito e recomendo, para esta altura até é perfeito porque é spooky, mas não assustador. Ah, e ocorre após o terceiro filme.

4.JPG

 

The Rocky Horror Picture Show

Poster do filme The Rocky Horror Picture Show

Revi este filme após mais de uma década, sendo que na altura adorei. Acho que continua a não desiludir. Não é um filme para ter sentido, não é um filme para levar a sério — é simplesmente para ser uma experiência divertidíssima, e cumpre isso na perfeição. Para além disso, é um filme icónico pela sua ousadia e excentricidade, e ficou muito marcado na comunidade queer.

Foi também apenas agora que descobri que vão sendo feitos espectáculos deste musical e que, ao contrário do que estamos habituados, este conta com participação da audiência — não da forma que estão a pensar, mas com um cast específico que vai para a audiência atirar e gritar umas coisas em vários momentos do musical. Como revi isto no film club digital onde participo, estava lá uma rapariga americana que já fez parte desta experiência durante vários anos e nos preparou um guia de participação, além dela própria ter dito várias das falas da audiência (são mesmo muitas, por isso o guia que ela nos deu foi muito básico).

Isto para dizer que isto tornou a experiência duplamente divertida e deu para ter um gostinho do que seria ver este musical ao vivo. Gostei muito.

4.JPG

 

Final Destination

Poster do filme Final Destination

Esta série de filmes já vai em não sei quantos, mas eu nunca tinha visto um único. Tenho algum preconceito com sagas de terror, porque é muito fácil estragar. Não era suposto ver este filme; na verdade, tinha outro em mente que não dava para ver sem encontrar o DVD no chão e, como já não tinha muito tempo, optei por escolher outro disponível para streaming.

A verdade é que me fez sentir que tinha algumas saudades de filmes deste género: que não são nenhuma obra-prima do cinema, mas se tornam icónicos à sua maneira. Para quem não conhece a história — eu confesso que nem sabia muito bem do que se tratava —, no fundo, vemos um grupo de pessoas a tentar enganar e fugir à morte, que as persegue porque chegou a hora delas. Claro que não corre muito bem.

Acho que foi um filme que criou bastante bem uma ambiência não assustadora, mas talvez arrepiante de cada vez que víamos a morte aproximar-se. A questão toda em volta da ordem de mortes também foi um elemento que tornou o enredo interessante.

Agora vou querer ver o resto, claro, mesmo os filmes muito maus (se os houver).

3.JPG

 

Já viram algum destes? O que acharam?

23
Out25

Filmes | Partir Un Jour, John Wick

Vera

Partir Un Jour

Poster do filme Partir Un Jour

Tive a oportunidade de ver a antestreia deste filme, após ter passado no Festival de Cannes.

Cécile é uma chef que está prestes a abrir o seu próprio restaurante em Paris, após ter vencido o programa Top Chef. No entanto, precisa de voltar por uns tempos à sua cidade natal após o seu pai sofrer um ataque cardíaco. De volta ao sítio onde cresceu, tudo regressa: a relação entre os pais e com os pais, os amigos e os amores de adolescência. Ao mesmo tempo, Cécile tem de lidar com a decisão de manter ou não uma gravidez indesejada.

É uma comédia dramática musical e, não sendo eu a maior fã de musicais, posso dizer que este não é muito cansativo. O filme é um pouco parado, não tem grande história, mas está bem feito e é uma boa experiência cinematográfica que nos mostra de forma clara a sensação de regressar ao passado, e nós não precisamos de ver muito da vida atual de Cécile para sentirmos o quão diferente ela é da vida que tinha na sua cidade natal.

Não sei se a questão da gravidez aqui era propriamente necessária ou relevante, mas talvez fosse para a realizadora poder também mostrar a sua posição em relação a alguns temas mais feministas. O final é um pouco semi-aberto (ou totalmente aberto, dependendo da perspetiva), e acho que este filme serve acima de tudo o propósito de ser uma boa peça de reflexão sobre os seus temas mais centrais.

3.5.JPG

 

John Wick

Poster do filme John Wick

John Wick é um assassino contratado reformado. A sua mulher faleceu há pouco tempo e, dela, recebe um cão. Pouco depois, John Wick é assaltado por um grupo de mafiosos que lhe roubam o carro e matam o cão. Neste grupo, encontra-se o filho do antigo chefe de John Wick — por outro lado, o grupo acha que assaltou um "Zé-ninguém" e não faz ideia de que acabou de se meter com um assassino completamente implacável, que agora irá persegui-los numa vingança pela morte do cão.

John Wick é um filme de ação, que não é de todo a minha praia; mas acho que, dentro desse género, até é um filme bastante bom. Apesar de ter os típicos "tiros e porrada", não acho que o filme se centre nesses elementos, dando tempo para construir o mundo que compõe o filme: apresentar mafiosos, o chefe, o que por ali se passa no geral, quem está ligado a quem, em que locais estes criminosos se encontram, quais são as regras e todo um rol de informações que dão profundidade à história (algo que, talvez por preconceito, sinto que falta muitas vezes neste género de filmes).

Acho inusitado (num sentido positivo), e de certa forma incrivelmente amoroso, que se tenha feito um filme destes com base na premissa de que a morte de um animal vai mover mundos e fundos para ser vingada — claro que nunca deixa de estar ligada à morte também da sua mulher. Confesso que estou com medo de ver os restantes filmes, tenho algum "preconceito" com sagas que nasceram de filmes que eram para serem filhos únicos. Mas esta série de filmes é tão falada dentro do meio que talvez ainda venha a surpreender.

3.5.JPG

14
Out25

Spooky Season #3

The Lost Boys | Frankenstein (1931)

Vera

Sejam bem-vindos ao mês do terror. Por cá, adoramos e, embora a vida não tenha permitido muito, tento sempre aproveitar esta época para consumir coisinhas mais assustadoras (ou não tanto, mas dentro do tema).

 

Poster do filme The Lost Boys

The Lost Boys

Uma família muda-se para aquela que é considerada a capital mundial do homicídio. Numa ida à feira da cidade, Michael, o filho mais velho, acompanha o seu irmão mais novo — Sam —, mas rapidamente se afasta dele para ir atrás de uma rapariga pela qual se encantou. E é isto que desencadeia uma série de eventos onde Michael conhece um grupo de jovens delinquentes e acaba a ser transformado em vampiro. Sam tenta, com os seus novos amigos, ajudá-lo a reverter a situação antes que seja tarde demais.

Acabei de descobrir que o ator que interpretou Sam já morreu — cedo demais —, o que é uma pena porque fez um excelente trabalho a representar a personagem mais engraçada deste filme. Sem dúvida que este miúdo é das melhores partes desta história.

Já tinha ouvido falar deste filme de uma forma que talvez me tenha deixado com expectativas que não foram correspondidas. Fiquei com a sensação que este era um filme icónico, de alguma forma, mas não achei nada disso. É um filme sobre vampiros que não se leva nada a sério e é perfeito para entreter. Gostei muito porque é extremamente engraçado, com uma leveza que só os atores que interpretaram Sam e os seus amigos podiam fazer. Esperava que o grupo de vampiros fosse também mais icónico, mas não achei.

O filme é bom, fez-me rir várias vezes e é uma excelente peça de entretenimento. Mas não me arrebatou.

3.5.JPG

 

Poster do filme Frankenstein (1931)

Frankenstein (1931)

Creio que já todos conhecemos esta história, mas ainda assim: este filme é baseado num livro homónimo, escrito por Mary Shelley, e fala-nos de como o Doutor Frankenstein cria um monstro a partir de várias partes de pessoas mortas — e claro, óbvio, que não corre nada bem.

Gostei muito deste filme. Para já, devo dizer que me deixou com muita curiosidade de ler o livro. Segundo vi, muito por alto, o livro tem um monstro com mais humanidade do que o filme e tenho muito interesse em ver como Mary Shelley concebeu o monstro de Frankenstein original.

Talvez exista alguma parte do filme — mas acredito que seja muito mais vincado no livro — que pretenda mostrar como o monstro é incompreendido ou imediatamente rejeitado. No entanto, para mim, este filme é muito mais sobre como as ações de um homem — sedento de poder e com um complexo de Deus (ele literalmente diz algo do género "agora já sei o que é ser Deus") — colocam pessoas em perigo e arruinam vidas. Soa-vos familiar? Lembra-vos alguém? Pois é, o filme, apesar de ser dos anos 30, é incrivelmente atual. No fim, este homem sai ileso e sem quaisquer consequências pelas suas ações.

Para mim, neste filme, o vilão nunca será o monstro de Frankenstein, mas o próprio Frankenstein — e um bom filme de terror nunca é sobre o monstro. Ou talvez aqui o monstro seja outro.

4.JPG

 

***

 

Ver mais (Spooky Season 2024)

10
Out25

Filmes | Toy Story 3 & Toy Story 4

Vera

Chegou ao fim a minha jornada pelos filmes Toy Story e confirmo que na realidade o único que não tinha visto era o último.

 

Toy Story | Toy Story 2

 

Poster do filme Toy Story 3

Toy Story 3

Este era aquele de que, a par do primeiro, me lembrava melhor: Andy está prestes a ir para a universidade, pelo que o filme lida muito com a questão do crescimento, de já não sermos crianças (e consequentemente já não prestarmos qualquer atenção aos nossos brinquedos), da despedida da infância.

Acho que este é o meu preferido de todos. É um filme triste porque é sobre o fim de um ciclo — a infância —, sobre o início da vida adulta e das responsabilidades. Quantos de nós não davam tudo para voltar àqueles tempos em que os nossos brinquedos eram tudo? E agora não são mais.

Acabei a chorar que nem um bebé no final, mas também me fez rir em vários momentos (toda a sequência da versão espanhola do Buzz é incrível).

5.JPG

 

Poster do filme Toy Story 4

Toy Story 4

Talvez este filme fosse completamente desnecessário e a saga pudesse ter fechado como uma trilogia, mas acho que também trouxe um elemento interessante à saga, no geral.

Gostei muito das vibes creepy e de terror deste filme, sobretudo porque me faz sentir que, apesar de ser sempre um filme para crianças, é um filme para as crianças que cresceram com os Toy Story e que hoje são adultos.

Acho que é um filme que "brinca" muito bem com o conceito de se estar perdido — algo que, para Woody, inicialmente significa apenas não ter um dono; mas no final do filme ele percebe que, apesar de pertencer a uma criança, um brinquedo perdido pode estar perdido de outras formas. Gostei da dualidade que tivemos neste filme entre brinquedos que se encontram de várias formas — alguns, encontrando um dono, e outros, libertando-se dessa conceção.

No fundo, este filme também fecha um ciclo e eu gostei muito que tenha mudado a dinâmica habitual (SPOILER: Woody fica na feira e os brinquedos, pela primeira vez em todos estes filmes, separam-se; já não estão todos juntos em tudo e para sempre). Se era necessário, depois do terceiro filme? Nem por isso. Se estragou alguma coisa? Também não, acho que conseguiram criar uma história e mensagens com sentido.

4.5.JPG

 

Tenho gostado da ideia de ver filmes em torno de "temáticas" — acho que simplesmente não tenho energia, de momento, para mais e para pensar muito no que ver —, e por isso já comecei a pensar no que gostaria que fossem as próximas:

  • Ver/rever todos os filmes do Wes Anderson;
  • Ver/rever todos os filmes do Christopher Nolan;
  • Ver/rever todos os filmes do Shrek;
  • Rever filmes que já vi há uma data de anos ou há mais de uma década — ainda não tenho uma lista feita, mas há tantos que sinto que teria um entendimento completamente diferente agora e gostava de revisitar.
13
Set25

Filmes | Toy Story 2, Robot Dreams, The Long Walk

Vera

Graças ao universo pelo agendamento de posts porque, embora não pareça, tenho andado um bocadinho desaparecida por aqui. Para não perder a leva de publicações (pelo menos, enquanto as há), aproveito para vos vir falar de mais três filmes que vi nas últimas semanas.

 

Poster do filme Toy Story 2

Toy Story 2

Tinha dito aqui que julgava não ter visto para além do segundo Toy Story, mas na realidade lembro-me da história do que vi e não era a história do segundo filme, por isso é provável que na verdade tenha visto até ao terceiro. Aliás, não é provável — é certo, porque o quarto eu sei que definitivamente não vi. Bom, adiante.

Nesta sequela de Toy Story, o Woody acaba por ir parar às mãos de um colecionador adulto que o quer vender a um comprador japonês, e é lá que conhece a sua "família de origem" e descobre que tem muito mais valor do que pensava.

Acabei por preferir o primeiro filme a este, por duas razões: porque este não se foca tanto no Andy, na casa e na família; e porque achei que a principal preocupação do Woody aqui foi uma ideia reciclada da principal preocupação no primeiro filme. Em Toy Story, ele tinha medo de deixar de ser o brinquedo favorito de Andy e que este deixasse de brincar com ele. Neste filme, ele tem medo de estar a ficar demasiado velho/ultrapassado e... que o Andy deixe de brincar com ele. É um filme divertido e não deixa de ser bom; gostei de terem incorporado o elemento do colecionismo. Mas, no fundo, é uma ideia reciclada.

Ainda assim, gostei da mensagem que passou: que temos mais valor e somos mais felizes quando estamos acompanhados de quem gosta de nós; sozinhos não somos nada.

4.JPG

 

Poster do filme Robot Dreams

Robot Dreams

Num mundo populado por animais que não falam, um cão sente-se muito sozinho e compra um robô para lhe fazer companhia. Tornam-se amigos, mas um dia, depois de uma tarde de praia, o robô começa a enferrujar e torna-se impossível tirá-lo da areia. É o fim da tarde do último dia de Verão e a praia fica num recinto fechado que só volta a abrir em Junho do próximo ano. Depois de muitas tentativas falhadas, o cão desiste e vê-se forçado a esperar até ao próximo ano para recuperar o seu amigo.

Toda a gente diz que este é um filme muito triste e, embora não deixe de o ser, senti que na verdade me tranquilizou e me deixou com uma sensação de paz. No fundo, o filme mostra-nos que podemos sentir saudades, carinho, pensar no que algo ou alguém significou para nós em tempos — mas há algo de pacífico em saber que é válido a vida seguir noutras direções, continuar, e que está tudo bem com isso.

O filme é triste, sim — mas também é incrivelmente bonito. Consegue mostrar tanto sem quaisquer diálogos ou falas, apenas com a arte, expressões faciais e sonoras, e a música. E retrata tão, tão bem (e de forma tão dolorosa) o peso agoniante de uma solidão profunda. Este filme é cinema e é arte — é mesmo. E eu recomendo vivamente (mas preparem-se para se sentirem tristes).

5.JPG

 

Poster do filme The Long Walk

The Long Walk

Baseado no primeiro livro homónimo de Stephen King, este filme distópico retrata um regime totalitário americano onde rapazes adolescentes têm de participar, anualmente, numa longa caminhada onde são obrigados a manter um ritmo mínimo ou são mortos. A caminhada só termina quando houver apenas um sobrevivente.

Toda a gente está louca com este filme e eu posso já dizer que não sou uma dessas pessoas, embora tenha gostado. No meu diário de entretenimento, em "This move is about", escrevi:

Uma longa, interminável e mortal caminhada. Embora ninguém saiba muito bem porquê.

E isto já explica um dos meus problemas com o filme: não há qualquer explicação para o contexto deste mundo distópico. Vocês podem argumentar que não é para ser esse tipo de filme, que é só para mostrar a caminhada — e é válido, mas eu gosto de compreender as coisas e compreensão é coisa que este filme se recusou a dar-me. Bom, não é só o filme, porque depois fui pesquisar sobre o livro e aparentemente também não dá qualquer resposta nesse sentido. Foi a forma mais rápida de me fazer decidir que não o vou ler.

Não quero tornar esta publicação mais longa do que já está, por isso vou tentar ser breve. Pontos que não gostei, além do já referido:

  • A primeira parte do filme foi lenta e acabou por se tornar aborrecida — 45 minutos depois, ainda nada tinha acontecido. Por isso, acho que o filme podia ter sido (ligeiramente) mais curto e teria conseguido passar a mesma mensagem. Cortar em algumas das piadas parvas, talvez.
  • Há duas coisas super irrealistas para mim que não consigo ultrapassar: 1) a capacidade super-humana que estas personagens têm de andar tanto (eu sabia sobre o que ia ser o filme, mas eu pensei sinceramente que fosse mostrar um período menor de tempo) e continuarem tão bem; 2) o final. Para bem de vos deixar sem spoilers, não vou comentar esta parte mais a fundo.

Dito isto, e afastando todas as queixas, o filme é bastante bom em criar a ambiência de uma realidade pesada, crua e opressiva. Os diálogos — a partir da segunda parte, quando "a porra fica séria" — são excelentes e gostei muito da clara progressão que o filme criou de leve → pesado, onde sentimos muito bem o efeito psicológico e emocional que aquela tortura está a ter sobre as personagens. Para terminar, o filme é bom q.b. na construção e desenvolvimento de personagens, embora concorde com alguém que já vi dizer que precisava de ter arriscado mais e que jogou um pouco pelo seguro para um filme que é muito centrado em personagens. No entanto, os atores são incríveis. Em suma: foi bom, gostei muito, mas não deixou de ter os seus problemas.

3.5.JPG

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

📖 A ler:



📺 A ver:

IT: Welcome to Derry, Temporada 1
Alien: Earth, Temporada 1
Taskmaster (UK), Temporada 19
Pluribus, Temporada 1
Stranger Things, Temporada 5
Alice in Borderland, Temporada 3

🎮 A jogar:

Fields of Mistria
Let's Go Pikachu
Little Nightmares

Arquivo

  1. 2025
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2024
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2023
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2022
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2021
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2020
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D