Graças ao universo pelo agendamento de posts porque, embora não pareça, tenho andado um bocadinho desaparecida por aqui. Para não perder a leva de publicações (pelo menos, enquanto as há), aproveito para vos vir falar de mais três filmes que vi nas últimas semanas.
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Toy Story 2
Tinha dito aqui que julgava não ter visto para além do segundo Toy Story, mas na realidade lembro-me da história do que vi e não era a história do segundo filme, por isso é provável que na verdade tenha visto até ao terceiro. Aliás, não é provável — é certo, porque o quarto eu sei que definitivamente não vi. Bom, adiante.
Nesta sequela de Toy Story, o Woody acaba por ir parar às mãos de um colecionador adulto que o quer vender a um comprador japonês, e é lá que conhece a sua "família de origem" e descobre que tem muito mais valor do que pensava.
Acabei por preferir o primeiro filme a este, por duas razões: porque este não se foca tanto no Andy, na casa e na família; e porque achei que a principal preocupação do Woody aqui foi uma ideia reciclada da principal preocupação no primeiro filme. Em Toy Story, ele tinha medo de deixar de ser o brinquedo favorito de Andy e que este deixasse de brincar com ele. Neste filme, ele tem medo de estar a ficar demasiado velho/ultrapassado e... que o Andy deixe de brincar com ele. É um filme divertido e não deixa de ser bom; gostei de terem incorporado o elemento do colecionismo. Mas, no fundo, é uma ideia reciclada.
Ainda assim, gostei da mensagem que passou: que temos mais valor e somos mais felizes quando estamos acompanhados de quem gosta de nós; sozinhos não somos nada.
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![Poster do filme Robot Dreams]()
Robot Dreams
Num mundo populado por animais que não falam, um cão sente-se muito sozinho e compra um robô para lhe fazer companhia. Tornam-se amigos, mas um dia, depois de uma tarde de praia, o robô começa a enferrujar e torna-se impossível tirá-lo da areia. É o fim da tarde do último dia de Verão e a praia fica num recinto fechado que só volta a abrir em Junho do próximo ano. Depois de muitas tentativas falhadas, o cão desiste e vê-se forçado a esperar até ao próximo ano para recuperar o seu amigo.
Toda a gente diz que este é um filme muito triste e, embora não deixe de o ser, senti que na verdade me tranquilizou e me deixou com uma sensação de paz. No fundo, o filme mostra-nos que podemos sentir saudades, carinho, pensar no que algo ou alguém significou para nós em tempos — mas há algo de pacífico em saber que é válido a vida seguir noutras direções, continuar, e que está tudo bem com isso.
O filme é triste, sim — mas também é incrivelmente bonito. Consegue mostrar tanto sem quaisquer diálogos ou falas, apenas com a arte, expressões faciais e sonoras, e a música. E retrata tão, tão bem (e de forma tão dolorosa) o peso agoniante de uma solidão profunda. Este filme é cinema e é arte — é mesmo. E eu recomendo vivamente (mas preparem-se para se sentirem tristes).
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![Poster do filme The Long Walk]()
The Long Walk
Baseado no primeiro livro homónimo de Stephen King, este filme distópico retrata um regime totalitário americano onde rapazes adolescentes têm de participar, anualmente, numa longa caminhada onde são obrigados a manter um ritmo mínimo ou são mortos. A caminhada só termina quando houver apenas um sobrevivente.
Toda a gente está louca com este filme e eu posso já dizer que não sou uma dessas pessoas, embora tenha gostado. No meu diário de entretenimento, em "This move is about", escrevi:
Uma longa, interminável e mortal caminhada. Embora ninguém saiba muito bem porquê.
E isto já explica um dos meus problemas com o filme: não há qualquer explicação para o contexto deste mundo distópico. Vocês podem argumentar que não é para ser esse tipo de filme, que é só para mostrar a caminhada — e é válido, mas eu gosto de compreender as coisas e compreensão é coisa que este filme se recusou a dar-me. Bom, não é só o filme, porque depois fui pesquisar sobre o livro e aparentemente também não dá qualquer resposta nesse sentido. Foi a forma mais rápida de me fazer decidir que não o vou ler.
Não quero tornar esta publicação mais longa do que já está, por isso vou tentar ser breve. Pontos que não gostei, além do já referido:
- A primeira parte do filme foi lenta e acabou por se tornar aborrecida — 45 minutos depois, ainda nada tinha acontecido. Por isso, acho que o filme podia ter sido (ligeiramente) mais curto e teria conseguido passar a mesma mensagem. Cortar em algumas das piadas parvas, talvez.
- Há duas coisas super irrealistas para mim que não consigo ultrapassar: 1) a capacidade super-humana que estas personagens têm de andar tanto (eu sabia sobre o que ia ser o filme, mas eu pensei sinceramente que fosse mostrar um período menor de tempo) e continuarem tão bem; 2) o final. Para bem de vos deixar sem spoilers, não vou comentar esta parte mais a fundo.
Dito isto, e afastando todas as queixas, o filme é bastante bom em criar a ambiência de uma realidade pesada, crua e opressiva. Os diálogos — a partir da segunda parte, quando "a porra fica séria" — são excelentes e gostei muito da clara progressão que o filme criou de leve → pesado, onde sentimos muito bem o efeito psicológico e emocional que aquela tortura está a ter sobre as personagens. Para terminar, o filme é bom q.b. na construção e desenvolvimento de personagens, embora concorde com alguém que já vi dizer que precisava de ter arriscado mais e que jogou um pouco pelo seguro para um filme que é muito centrado em personagens. No entanto, os atores são incríveis. Em suma: foi bom, gostei muito, mas não deixou de ter os seus problemas.
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