Spooky Season #3
The Lost Boys | Frankenstein (1931)
Sejam bem-vindos ao mês do terror. Por cá, adoramos e, embora a vida não tenha permitido muito, tento sempre aproveitar esta época para consumir coisinhas mais assustadoras (ou não tanto, mas dentro do tema).

The Lost Boys
Uma família muda-se para aquela que é considerada a capital mundial do homicídio. Numa ida à feira da cidade, Michael, o filho mais velho, acompanha o seu irmão mais novo — Sam —, mas rapidamente se afasta dele para ir atrás de uma rapariga pela qual se encantou. E é isto que desencadeia uma série de eventos onde Michael conhece um grupo de jovens delinquentes e acaba a ser transformado em vampiro. Sam tenta, com os seus novos amigos, ajudá-lo a reverter a situação antes que seja tarde demais.
Acabei de descobrir que o ator que interpretou Sam já morreu — cedo demais —, o que é uma pena porque fez um excelente trabalho a representar a personagem mais engraçada deste filme. Sem dúvida que este miúdo é das melhores partes desta história.
Já tinha ouvido falar deste filme de uma forma que talvez me tenha deixado com expectativas que não foram correspondidas. Fiquei com a sensação que este era um filme icónico, de alguma forma, mas não achei nada disso. É um filme sobre vampiros que não se leva nada a sério e é perfeito para entreter. Gostei muito porque é extremamente engraçado, com uma leveza que só os atores que interpretaram Sam e os seus amigos podiam fazer. Esperava que o grupo de vampiros fosse também mais icónico, mas não achei.
O filme é bom, fez-me rir várias vezes e é uma excelente peça de entretenimento. Mas não me arrebatou.


Frankenstein (1931)
Creio que já todos conhecemos esta história, mas ainda assim: este filme é baseado num livro homónimo, escrito por Mary Shelley, e fala-nos de como o Doutor Frankenstein cria um monstro a partir de várias partes de pessoas mortas — e claro, óbvio, que não corre nada bem.
Gostei muito deste filme. Para já, devo dizer que me deixou com muita curiosidade de ler o livro. Segundo vi, muito por alto, o livro tem um monstro com mais humanidade do que o filme e tenho muito interesse em ver como Mary Shelley concebeu o monstro de Frankenstein original.
Talvez exista alguma parte do filme — mas acredito que seja muito mais vincado no livro — que pretenda mostrar como o monstro é incompreendido ou imediatamente rejeitado. No entanto, para mim, este filme é muito mais sobre como as ações de um homem — sedento de poder e com um complexo de Deus (ele literalmente diz algo do género "agora já sei o que é ser Deus") — colocam pessoas em perigo e arruinam vidas. Soa-vos familiar? Lembra-vos alguém? Pois é, o filme, apesar de ser dos anos 30, é incrivelmente atual. No fim, este homem sai ileso e sem quaisquer consequências pelas suas ações.
Para mim, neste filme, o vilão nunca será o monstro de Frankenstein, mas o próprio Frankenstein — e um bom filme de terror nunca é sobre o monstro. Ou talvez aqui o monstro seja outro.

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