Livros | Frankenstein, Mary Shelley

(Não gosto nada desta capa, para que conste, mas era a única edição disponível para empréstimo na BiblioLed)
Fiquei muito curiosa com o livro depois de ter visto o filme de 1931 — o que até é irónico porque, agora que li o livro, a minha opinião desse filme mudou drasticamente já que é um take completamente diferente, vazio e superficial da história original. Mas adiante.
Existem muitas opiniões na internet sobre os temas que este livro aborda; algumas com as quais concordo e que são até descaradamente apresentadas no livro, como o abandono parental ou a rejeição social. Outras, embora compreenda de onde possam vir, não consigo ver assim tanto — como o lado negativo do parto.
Gostei muito de toda a complexidade das personagens nesta história, é isso que nos faz chegar ao fim sem sabermos muito bem com quem deveríamos simpatizar. Ambos os protagonistas passaram por experiências horríveis que os levaram ali e pelas quais ninguém deveria passar, e ambos cometeram acções atrozes que fazem com que seja impossível defender qualquer um deles.
Dado que só vi dois filmes: o de 1931, que não confere profundidade a nenhuma personagem; e o deste ano, onde apenas a criatura tem alguma complexidade — foi bom poder ler a história original e perceber que é suposto ambos terem complexidade, ambos serem multidimensionais de uma forma que nos impede de chegar a qualquer conclusão. A minha ideia, com os filmes, era de que Viktor Frankenstein era um homem simplesmente maldoso com um complexo de superioridade; fico feliz de ter lido o livro e percebido que não é bem assim.
Não esperava também que a história fosse tão violenta, não apenas pela rejeição e discriminação que a criatura sofre, mas por todas as mortes que vão acontecendo ao longo do livro, todo o ambiente de vingança que o domina.
É difícil acreditar que Mary Shelley escreveu esta obra com base numa aposta entre amigos, quando tinha apenas 18/19 anos. É um livro muito, muito bom. Recomendo imenso.

Quem aqui já leu?



