Livros | Crime na Quinta das Lágrimas, Lourenço Seruya

A Cristina do blog My Books News falou deste livro em Julho e, curiosamente, eu tinha estado na Quinta das Lágrimas pouco antes — vi isso imediatamente como um sinal de que tinha de ler Crime na Quinta das Lágrimas e, antes que a memória me atraiçoasse, tinha de o ler o mais rápido possível, para poder conjugá-lo com a minha recente visita ao local. Isso e o facto de ser um autor português que eu não conhecia; tenho tentado começar a ler mais do que se faz por cá, aos poucos.
Alice e Diogo estão prestes a casar e escolheram fazê-lo na Quinta das Lágrimas — o primeiro local onde passaram um fim de semana juntos após começarem a namorar. Mas na manhã do casamento, alguém desaparece, pondo fim ao espírito de festa que se fazia sentir...
Tal como a Cristina fez, aconselho-vos a não ler a sinopse que está no livro e nas livrarias online, porque acho que é benéfico ir para este livro sabendo o menos possível.
Tenho de ser honesta e dizer que este não seria um livro no qual pegaria por vontade própria se o visse numa livraria — a capa e o título não me atraem; mas é também por essas e por outras que se costuma dizer para não julgarmos um livro pela capa, não é? Ao fim e ao cabo, acabei por gostar bastante do que li.
Tenho algumas coisas a dizer que vão necessariamente ser spoilers, por isso vou ser breve para vos dar uma ideia do que achei sem revelar nada. O livro tem um ritmo um pouco lento, mas acho que a escrita flui bastante bem e, por isso, acabei por nem me importar tanto. Aliás, gostei bastante da escrita do autor. E achei que fez um excelente trabalho em tornar a Quinta das Lágrimas quase que numa personagem do livro também.
Outro aspeto que achei positivo foi o facto de sentir que muita coisa nos passa ao lado enquanto leitores, mas que podemos ir descobrindo esses pontos junto com os próprios inspetores. Gostei das reviravoltas na história e do facto de não ter tido propriamente um final positivo.
Achei também que o elemento de romance que existe na história era um pouco dispensável (mas mais a dizer sobre isto adiante). Por fim, com tantos suspeitos que arranjei... não acertei em nenhum! Acho que isto já diz tudo o que se precisa de saber sobre um policial — se formos capazes de prever o culpado, talvez seja mau sinal.
De um modo geral, gostei bastante da escrita, de conhecer esta história e o autor. Fiquei interessada em ler outros livros do autor e perceber se são histórias que poderei acompanhar. Além disso, deixou-me com muita nostalgia porque me fez lembrar bastante Uma Aventura. Agora, vamos aos detalhes...
(⚠️ AVISO DE SPOILER! ⚠️ Daqui para baixo, vou falar em detalhe. Se ainda não leste, salta para a nota final!)
Vou começar pelo mais simples e que já referi em cima: acho que o elemento de romance entre os inspetores não era necessário, mas também digo isto como alguém cujo primeiro livro do autor foi este. Talvez, conhecendo a história passada de Bruno, este romance faça mais sentido. Posto isto, tenho de dizer que me agradou o facto de fugir um pouco do cliché de "estamos muito apaixonados e agora estamos numa relação".
Gostei muito da reviravolta de a Alice se ter envolvido com a Beatriz, por ser tão inesperado. Também gostei que o final não tenha sido muito feliz e que Diogo tenha acabado por morrer na mesma. Agradeço ler livros que não são perfeitos e onde, neste caso, os inspetores também falham.
Nesta linha, achei que a saída "escondida" que os inspetores encontraram no final — e que acabou por ser o elemento que ligou tudo — deveria, realisticamente, ter sido encontrada bastante mais cedo. Não sei se me faz muito sentido que eles tenham falhado nesse aspeto, na minha cabeça a análise completa da planta tinha de ter acontecido logo ao início. Se deixaram escapar algo que parece tão "simples", então não são muito bons inspetores... E foi nesta linha de raciocínio que pensei: bom, se calhar também não é para serem. Por que é que os livros têm de ter todos excelentes profissionais, super perspicazes? Achei a falha um pouco tonta, mas vou relevar como um "somos todos humanos, todos falhamos, que seja".
Não faço ideia se a história passada de Bruno se encontra noutro livro, mas vou certamente ler mais e talvez começar "pelo primeiro" nessa história.


