Livros | A Casa Holandesa, Ann Patchett
Cyril Conroy decide comprar uma grande casa, antes ocupada por uma família holandesa, para surpreender a mulher, Elna, depois de anos a viverem como uma família pobre. Mudam-se para lá com a sua filha, Maeve, mas Elna não consegue habituar-se a esta nova vida de riquezas e, mais tarde, já com o seu filho nascido — Danny, o nosso narrador —, decide fugir e nunca mais voltar. É isto que faz com que Cyril se junte a Andrea, uma madrasta fria que vai afastando os filhos de Cyril da casa, até os afastar de vez.

Só tenho ouvido falar bem deste livro, é adorado por muitos e isso fez-me ficar com expectativas que acabaram por não ser correspondidas. Demorei algum tempo a conseguir concluir, com alguma certeza, o que tinha achado deste livro. Embora tenha gostado, e embora consiga compreender porque tanta gente gosta tanto dele, a verdade é que julgo que este livro não é para mim.
Não posso dizer que me tenha aborrecido ou chateado, li-o com prazer e satisfação. Contudo, cheguei ao fim com a sensação de "...é isto?". A primeira parte do livro começa bem, com muita coisa a acontecer, e é uma parte em que a casa parece, de facto, uma personagem do livro. No entanto, assim que os protagonistas são afastados da casa, o enredo perde-se e... nada acontece. Até ao final do livro, nada mais acontece.
Percebo que seja o tipo de história que apenas acompanha a vida das personagens. Percebo que seja um livro que pretende mostrar o amor entre irmãos, a relação familiar tão forte que criaram, e atenção, fá-lo bastante bem. Afinal, durante muito tempo eles não tiveram mais ninguém do que apenas um ao outro. Mas se é só isso que ele pretende fazer — e eu acho que é —, para mim não chega.
A casa deixou de ter relevância a partir deste ponto da história, o que é natural — e todas as vezes que eles voltavam junto dela não me fizeram sentir que era novamente uma "personagem" relevante da história. Sobretudo porque a viam de fora, de modo superficial; nunca cheguei a perceber muito bem o que os levava ali tantas vezes, na verdade. De todas as vezes, esperava que algum confronto acontecesse, perto ou longe da casa. Mas esse momento nunca chegou. E para um livro que diz centrar-se tanto numa casa, deixei de sentir esse foco depois de eles saírem. A casa passou a ser algo apenas mencionado.
Também não compreendi bem a perspetiva final que se criou em volta das duas personagens maternas, não sinto que houve qualquer sentido de justiça para aquilo que qualquer uma delas fez — sobretudo para com Andrea. Mas tive dificuldade em compreender também o ponto de vista de Elna — aliás, no fim de contas, não compreendi de todo.
Sinto que não houve nenhuma "lição" que se tenha retirado deste livro, nada de substancial além da relação fraternal e isso incomoda-me. Ainda assim, não posso dizer que não tenha gostado da leitura ou da escrita. Como disse, nunca me aborreceu e acho que para um livro que, no fundo, não tem um enredo concreto, isso é um ponto bastante positivo.

Gostei, mas não é o meu tipo de leitura. Atrevo-me a perguntar quem já leu e o que acharam? Já percebi que toda a gente gosta muito deste livro e eu sou um outlier.

