Filmes | Partir Un Jour, John Wick
Partir Un Jour

Tive a oportunidade de ver a antestreia deste filme, após ter passado no Festival de Cannes.
Cécile é uma chef que está prestes a abrir o seu próprio restaurante em Paris, após ter vencido o programa Top Chef. No entanto, precisa de voltar por uns tempos à sua cidade natal após o seu pai sofrer um ataque cardíaco. De volta ao sítio onde cresceu, tudo regressa: a relação entre os pais e com os pais, os amigos e os amores de adolescência. Ao mesmo tempo, Cécile tem de lidar com a decisão de manter ou não uma gravidez indesejada.
É uma comédia dramática musical e, não sendo eu a maior fã de musicais, posso dizer que este não é muito cansativo. O filme é um pouco parado, não tem grande história, mas está bem feito e é uma boa experiência cinematográfica que nos mostra de forma clara a sensação de regressar ao passado, e nós não precisamos de ver muito da vida atual de Cécile para sentirmos o quão diferente ela é da vida que tinha na sua cidade natal.
Não sei se a questão da gravidez aqui era propriamente necessária ou relevante, mas talvez fosse para a realizadora poder também mostrar a sua posição em relação a alguns temas mais feministas. O final é um pouco semi-aberto (ou totalmente aberto, dependendo da perspetiva), e acho que este filme serve acima de tudo o propósito de ser uma boa peça de reflexão sobre os seus temas mais centrais.

John Wick

John Wick é um assassino contratado reformado. A sua mulher faleceu há pouco tempo e, dela, recebe um cão. Pouco depois, John Wick é assaltado por um grupo de mafiosos que lhe roubam o carro e matam o cão. Neste grupo, encontra-se o filho do antigo chefe de John Wick — por outro lado, o grupo acha que assaltou um "Zé-ninguém" e não faz ideia de que acabou de se meter com um assassino completamente implacável, que agora irá persegui-los numa vingança pela morte do cão.
John Wick é um filme de ação, que não é de todo a minha praia; mas acho que, dentro desse género, até é um filme bastante bom. Apesar de ter os típicos "tiros e porrada", não acho que o filme se centre nesses elementos, dando tempo para construir o mundo que compõe o filme: apresentar mafiosos, o chefe, o que por ali se passa no geral, quem está ligado a quem, em que locais estes criminosos se encontram, quais são as regras e todo um rol de informações que dão profundidade à história (algo que, talvez por preconceito, sinto que falta muitas vezes neste género de filmes).
Acho inusitado (num sentido positivo), e de certa forma incrivelmente amoroso, que se tenha feito um filme destes com base na premissa de que a morte de um animal vai mover mundos e fundos para ser vingada — claro que nunca deixa de estar ligada à morte também da sua mulher. Confesso que estou com medo de ver os restantes filmes, tenho algum "preconceito" com sagas que nasceram de filmes que eram para serem filhos únicos. Mas esta série de filmes é tão falada dentro do meio que talvez ainda venha a surpreender.

