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fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

31
Out25

Spooky Season #6

Weapons (Filme) | Conta-me, Escuridão, Mafalda Santos (Livro)

Vera

Fecho a época de Halloween em bom. Bom, fecho como quem diz... Ainda conto ver pelo menos um filme de terror hoje.

 

Weapons

Poster do filme Weapons

Uma turma inteira de alunos desaparece na mesma noite, à mesma hora, e as crianças apenas foram vistas a correr em direcção à escuridão, de braços abertos. Apenas uma criança daquela turma não desapareceu, e agora todos se perguntam o que aconteceu...

O filme começa por ser narrado por uma criança da escola onde estes acontecimentos se deram e devo desde já dizer que gostei muito desta escolha e de como a executaram no filme. Ela deixa-nos que saber que isto já aconteceu há dois anos e o conteúdo e a forma como interpreta os seus diálogos foram feitos de tal forma que senti por completo a sensação de: ok, tenho uma criança a contar-me aquilo que para ela é apenas uma história. A quase indiferença que se nota na sua entoação faz todo o sentido para uma criança que não foi afectada pelo que aconteceu.

Mas adiante. O filme conta-nos a história através de vários "capítulos", cada um dedicado a uma personagem em específico. Ao acompanharmos essas personagens momentaneamente, vamo-nos apercebendo, aos poucos, do que aconteceu. Mas as verdadeiras respostas só chegam no final, claro — aliás, o meu namorado que diga: passei grande parte do filme só a dizer "wtf" ou "o que é que está a acontecer aqui". Era cada coisa mais bizarra que a outra a acontecer, sem qualquer explicação.

Achei que esta forma de contar a história se tornou repetitiva em um ou dois momentos em que estávamos a ver exactamente as mesmas coisas acontecer; ainda assim, acho que este pormenor é super irrelevante para o filme como um todo. O filme conta ainda com algumas críticas sociais, embora não ache que esse seja o foco dele (bom, talvez o das armas seja... afinal, está no nome).

Gostei muito do filme, ainda mais do que gostei do Barbarian, na altura — filme do mesmo realizador. Sem dúvida que recomendo.

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Conta-me, Escuridão, Mafalda Santos

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Vi recentemente algumas pessoas falarem muito bem deste livro e aproveitei que, depois de terminar Drácula, ainda tinha alguns dias até ao fim do mês para ler Conta-me, Escuridão (abençoada BiblioLed), um livro de contos de terror. Na verdade, eu acho que é o meu primeiro livro de contos, no geral. Foi assim que descobri que tenho um problema com contos: é que quero sempre saber mais — sobre o mundo, sobre as personagens, enfim, toda a lore por detrás daquela pequena história. Acaba a saber pouco, embora não de uma forma negativa. Como se costuma dizer: é o que é. Ainda assim, consigo perceber a atracção que existe em ler pequenas histórias, diferentes umas das outras, e vou ter de apostar mais neste género.

Passando para o livro em si, Mafalda Santos presenteia-nos com 8 contos de terror. Acredito que talvez este livro seja melhor apreciado por pessoas com conhecimentos de teologia ou mitologia, já que alguns dos contos parecem estar indirectamente relacionados com certos elementos (ou mais directamente, no caso do conto «Caim e Abel», talvez). De qualquer modo, eu não sou essa pessoa.

Ainda assim, no geral gostei muito deste livro. Apesar de existirem alguns contos melhores que outros, a verdade é que são todos macabros, especialmente quando consideramos que existe um tema comum a quase todos eles: a natalidade. Mafalda Santos é exímia em criar um ambiente de desconforto puro. Não são contos de meter medo, mas sim de criar uma grande perturbação. As ilustrações de David Benasulin também ajudam muito a criar um imaginário visual para cada conto.

Gostei muito da experiência e estou curiosa de ler mais livros da autora (aliás, já tenho o «Aquilo que o Sono Esconde» na minha lista), bem como mais livros de contos.

Os meus preferidos foram: Caim e Abel, A Festa de Yaksha, Laura e os Cães e O Mundo de Christina.

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Conhecem alguma destas obras? Têm sugestões parecidas?

 

Spooky Season 2025:

30
Out25

Filmes | Toy Story of Terror!, The Rocky Horror Picture Show, Final Destination

Spooky Season #5

Vera

Toy Story of Terror!

Poster do filme Toy Story of Terror

Uma curta-metragem de 20 minutos que, além das vibes creepy, também é engraçada — sobretudo devido à personagem de Mr. Pricklepants, que faz questão de explicar de forma técnica todos os momentos que compõem este filme de terror, o que torna isto numa obra meio meta, até.

Introduz-nos a novas personagens com carisma suficiente para nos conquistarem em apenas 20 minutos. Vê-se rapidamente e é bastante divertido! Gostei muito e recomendo, para esta altura até é perfeito porque é spooky, mas não assustador. Ah, e ocorre após o terceiro filme.

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The Rocky Horror Picture Show

Poster do filme The Rocky Horror Picture Show

Revi este filme após mais de uma década, sendo que na altura adorei. Acho que continua a não desiludir. Não é um filme para ter sentido, não é um filme para levar a sério — é simplesmente para ser uma experiência divertidíssima, e cumpre isso na perfeição. Para além disso, é um filme icónico pela sua ousadia e excentricidade, e ficou muito marcado na comunidade queer.

Foi também apenas agora que descobri que vão sendo feitos espectáculos deste musical e que, ao contrário do que estamos habituados, este conta com participação da audiência — não da forma que estão a pensar, mas com um cast específico que vai para a audiência atirar e gritar umas coisas em vários momentos do musical. Como revi isto no film club digital onde participo, estava lá uma rapariga americana que já fez parte desta experiência durante vários anos e nos preparou um guia de participação, além dela própria ter dito várias das falas da audiência (são mesmo muitas, por isso o guia que ela nos deu foi muito básico).

Isto para dizer que isto tornou a experiência duplamente divertida e deu para ter um gostinho do que seria ver este musical ao vivo. Gostei muito.

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Final Destination

Poster do filme Final Destination

Esta série de filmes já vai em não sei quantos, mas eu nunca tinha visto um único. Tenho algum preconceito com sagas de terror, porque é muito fácil estragar. Não era suposto ver este filme; na verdade, tinha outro em mente que não dava para ver sem encontrar o DVD no chão e, como já não tinha muito tempo, optei por escolher outro disponível para streaming.

A verdade é que me fez sentir que tinha algumas saudades de filmes deste género: que não são nenhuma obra-prima do cinema, mas se tornam icónicos à sua maneira. Para quem não conhece a história — eu confesso que nem sabia muito bem do que se tratava —, no fundo, vemos um grupo de pessoas a tentar enganar e fugir à morte, que as persegue porque chegou a hora delas. Claro que não corre muito bem.

Acho que foi um filme que criou bastante bem uma ambiência não assustadora, mas talvez arrepiante de cada vez que víamos a morte aproximar-se. A questão toda em volta da ordem de mortes também foi um elemento que tornou o enredo interessante.

Agora vou querer ver o resto, claro, mesmo os filmes muito maus (se os houver).

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Já viram algum destes? O que acharam?

27
Out25

Livros | Dracula, Bram Stoker

Spooky Season #4

Vera

Para o Halloween, aproveitei para ler um clássico que estava a faltar na minha lista. E não é que acabei a gostar muito mais deste livro do que estava à espera?

 

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O livro apresenta-nos inicialmente ao Conde Drácula, mas não é sobre ele; começa com o primeiro contacto de Jonathan Harker com este, e debruça-se sobre todo um processo de o perseguir para o matar, não sem antes vermos algumas pessoas serem transformadas em vampiras.

 

O livro não tem um protagonista único e ocorre em volta de várias pessoas: Mina e Jonathan Harker, Dr. John Seward, Dr. Van Helsing, Arthur Godalming, Lucy e Quincey Morris. A história é-nos contada através de cartas, diários, telegramas e notícias, embora nos mostre apenas diários escritos por Mina, Jonathan e Dr. Seward.

 

Pensei que este livro fosse ser uma leitura pesada e cansativa, mas a verdade é que me agarrou, mesmo nas partes mais paradas em que tudo indicaria o contrário. Talvez a forma de contar a história tenha contribuído para isso. (Aparte: Lembrei-me logo do livro Where'd You Go, Bernadette, que conta a história através de emails, notas e documentos soltos, mas do qual não gostei nada.) No entanto, acho que também ajudou a escrita descritiva, sobretudo nos momentos mais "assustadores" — sem dar muitos spoilers, o momento em que Jonathan sai por uma janela, ou em que uma das personagens é transformada, ou em que um certo paciente é violentamente atacado são das melhores coisas neste livro. São momentos quase arrepiantes e isso surpreende-me muito num livro dos finais de 1800.

 

Outra coisa que me surpreendeu muito foi a forma como a mulher é retratada na história. Estamos, claro, a falar de um livro de 1897, pelo que certas coisas menos boas são de esperar. Ainda assim, pelo que tenho visto é um assunto que divide muitas nações e acho que depende muito da interpretação que cada pessoa faz do livro.

 

Na minha interpretação pessoal, Bram Stoker desafia em certos momentos os papéis de género e o ideal de mulher na altura: uma das personagens femininas é cobiçada por vários homens ao mesmo tempo e isto é tratado com uma naturalidade tal que nem hoje se vê semelhante em comentários do Facebook. Não o digo apenas em questões de preconceito ou julgamentos, mas até nas relações entre as personagens — não há qualquer desprezo por esta questão por parte de ninguém em relação a ninguém. Relembro que estamos a falar de um livro de 1897, por isso isto surpreendeu-me bastante.

 

Não consigo deixar de achar que este livro foi escrito, em certos momentos, com alguma sátira para desafiar certas concepções da altura: temos homens em vários momentos a chorar e a mostrar emoção (se hoje ainda é um bocadinho tabu, imagine-se na altura), por "tudo e por nada", a mostrarem-se vulneráveis — aliás, creio que até há um momento do livro em que é a mulher "a aguentar-se" e a confortar o homem, claramente a sofrer. Além disso, quando uma das personagens femininas é descartada do plano de "caça ao vampiro" por ser mulher, o que é que acontece? Tudo dá errado, eventualmente ela volta a estar envolvida e, para além disso, passa a ter um papel incrivelmente crucial para avançar na história, sendo no final tratada como igual — e o fim, literal fim, do livro celebra a sua bravura e coragem.

 

Existem, claro, aspectos que se possam apontar contra esta ideia que tenho do livro, como o retrato de mulheres como puras ou impuras, por exemplo. Não deixa de ser escrito por um homem nos finais de 1800. Mas creio que também existem vários argumentos positivos; daí achar que este livro é fortemente divisivo nesta questão e que deixa abertas interpretações neste assunto.

 

Gostei muito de como este livro é no fundo sobre amizades profundas, entre homens, entre mulheres, e entre ambos — sem qualquer pudor de serem genuínos e vulneráveis uns com os outros, dando lugar a uma sinceridade tão refrescante, mesmo nos dias de hoje. Acho que é um livro que em certos aspectos é incrivelmente moderno e vale a pena a leitura. No entanto, recomendo lerem a versão traduzida; li o inglês e por vezes foi complicado, sobretudo por ter pequenas partes que reflectem um inglês cheio de calão (tive de recorrer à app do tradutor para esta, com a câmara...).

 

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Ah! E eu vou celebrar, sim, finalmente ter uma obra que NÃO sexualiza esta questão toda dos vampiros e onde não existe qualquer relação romântica com o Dracula, ao contrário dos filmes (estou tão farta desse elemento, desculpem).

 

 

23
Out25

Filmes | Partir Un Jour, John Wick

Vera

Partir Un Jour

Poster do filme Partir Un Jour

Tive a oportunidade de ver a antestreia deste filme, após ter passado no Festival de Cannes.

Cécile é uma chef que está prestes a abrir o seu próprio restaurante em Paris, após ter vencido o programa Top Chef. No entanto, precisa de voltar por uns tempos à sua cidade natal após o seu pai sofrer um ataque cardíaco. De volta ao sítio onde cresceu, tudo regressa: a relação entre os pais e com os pais, os amigos e os amores de adolescência. Ao mesmo tempo, Cécile tem de lidar com a decisão de manter ou não uma gravidez indesejada.

É uma comédia dramática musical e, não sendo eu a maior fã de musicais, posso dizer que este não é muito cansativo. O filme é um pouco parado, não tem grande história, mas está bem feito e é uma boa experiência cinematográfica que nos mostra de forma clara a sensação de regressar ao passado, e nós não precisamos de ver muito da vida atual de Cécile para sentirmos o quão diferente ela é da vida que tinha na sua cidade natal.

Não sei se a questão da gravidez aqui era propriamente necessária ou relevante, mas talvez fosse para a realizadora poder também mostrar a sua posição em relação a alguns temas mais feministas. O final é um pouco semi-aberto (ou totalmente aberto, dependendo da perspetiva), e acho que este filme serve acima de tudo o propósito de ser uma boa peça de reflexão sobre os seus temas mais centrais.

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John Wick

Poster do filme John Wick

John Wick é um assassino contratado reformado. A sua mulher faleceu há pouco tempo e, dela, recebe um cão. Pouco depois, John Wick é assaltado por um grupo de mafiosos que lhe roubam o carro e matam o cão. Neste grupo, encontra-se o filho do antigo chefe de John Wick — por outro lado, o grupo acha que assaltou um "Zé-ninguém" e não faz ideia de que acabou de se meter com um assassino completamente implacável, que agora irá persegui-los numa vingança pela morte do cão.

John Wick é um filme de ação, que não é de todo a minha praia; mas acho que, dentro desse género, até é um filme bastante bom. Apesar de ter os típicos "tiros e porrada", não acho que o filme se centre nesses elementos, dando tempo para construir o mundo que compõe o filme: apresentar mafiosos, o chefe, o que por ali se passa no geral, quem está ligado a quem, em que locais estes criminosos se encontram, quais são as regras e todo um rol de informações que dão profundidade à história (algo que, talvez por preconceito, sinto que falta muitas vezes neste género de filmes).

Acho inusitado (num sentido positivo), e de certa forma incrivelmente amoroso, que se tenha feito um filme destes com base na premissa de que a morte de um animal vai mover mundos e fundos para ser vingada — claro que nunca deixa de estar ligada à morte também da sua mulher. Confesso que estou com medo de ver os restantes filmes, tenho algum "preconceito" com sagas que nasceram de filmes que eram para serem filhos únicos. Mas esta série de filmes é tão falada dentro do meio que talvez ainda venha a surpreender.

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14
Out25

Spooky Season #3

The Lost Boys | Frankenstein (1931)

Vera

Sejam bem-vindos ao mês do terror. Por cá, adoramos e, embora a vida não tenha permitido muito, tento sempre aproveitar esta época para consumir coisinhas mais assustadoras (ou não tanto, mas dentro do tema).

 

Poster do filme The Lost Boys

The Lost Boys

Uma família muda-se para aquela que é considerada a capital mundial do homicídio. Numa ida à feira da cidade, Michael, o filho mais velho, acompanha o seu irmão mais novo — Sam —, mas rapidamente se afasta dele para ir atrás de uma rapariga pela qual se encantou. E é isto que desencadeia uma série de eventos onde Michael conhece um grupo de jovens delinquentes e acaba a ser transformado em vampiro. Sam tenta, com os seus novos amigos, ajudá-lo a reverter a situação antes que seja tarde demais.

Acabei de descobrir que o ator que interpretou Sam já morreu — cedo demais —, o que é uma pena porque fez um excelente trabalho a representar a personagem mais engraçada deste filme. Sem dúvida que este miúdo é das melhores partes desta história.

Já tinha ouvido falar deste filme de uma forma que talvez me tenha deixado com expectativas que não foram correspondidas. Fiquei com a sensação que este era um filme icónico, de alguma forma, mas não achei nada disso. É um filme sobre vampiros que não se leva nada a sério e é perfeito para entreter. Gostei muito porque é extremamente engraçado, com uma leveza que só os atores que interpretaram Sam e os seus amigos podiam fazer. Esperava que o grupo de vampiros fosse também mais icónico, mas não achei.

O filme é bom, fez-me rir várias vezes e é uma excelente peça de entretenimento. Mas não me arrebatou.

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Poster do filme Frankenstein (1931)

Frankenstein (1931)

Creio que já todos conhecemos esta história, mas ainda assim: este filme é baseado num livro homónimo, escrito por Mary Shelley, e fala-nos de como o Doutor Frankenstein cria um monstro a partir de várias partes de pessoas mortas — e claro, óbvio, que não corre nada bem.

Gostei muito deste filme. Para já, devo dizer que me deixou com muita curiosidade de ler o livro. Segundo vi, muito por alto, o livro tem um monstro com mais humanidade do que o filme e tenho muito interesse em ver como Mary Shelley concebeu o monstro de Frankenstein original.

Talvez exista alguma parte do filme — mas acredito que seja muito mais vincado no livro — que pretenda mostrar como o monstro é incompreendido ou imediatamente rejeitado. No entanto, para mim, este filme é muito mais sobre como as ações de um homem — sedento de poder e com um complexo de Deus (ele literalmente diz algo do género "agora já sei o que é ser Deus") — colocam pessoas em perigo e arruinam vidas. Soa-vos familiar? Lembra-vos alguém? Pois é, o filme, apesar de ser dos anos 30, é incrivelmente atual. No fim, este homem sai ileso e sem quaisquer consequências pelas suas ações.

Para mim, neste filme, o vilão nunca será o monstro de Frankenstein, mas o próprio Frankenstein — e um bom filme de terror nunca é sobre o monstro. Ou talvez aqui o monstro seja outro.

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***

 

Ver mais (Spooky Season 2024)

10
Out25

Filmes | Toy Story 3 & Toy Story 4

Vera

Chegou ao fim a minha jornada pelos filmes Toy Story e confirmo que na realidade o único que não tinha visto era o último.

 

Toy Story | Toy Story 2

 

Poster do filme Toy Story 3

Toy Story 3

Este era aquele de que, a par do primeiro, me lembrava melhor: Andy está prestes a ir para a universidade, pelo que o filme lida muito com a questão do crescimento, de já não sermos crianças (e consequentemente já não prestarmos qualquer atenção aos nossos brinquedos), da despedida da infância.

Acho que este é o meu preferido de todos. É um filme triste porque é sobre o fim de um ciclo — a infância —, sobre o início da vida adulta e das responsabilidades. Quantos de nós não davam tudo para voltar àqueles tempos em que os nossos brinquedos eram tudo? E agora não são mais.

Acabei a chorar que nem um bebé no final, mas também me fez rir em vários momentos (toda a sequência da versão espanhola do Buzz é incrível).

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Poster do filme Toy Story 4

Toy Story 4

Talvez este filme fosse completamente desnecessário e a saga pudesse ter fechado como uma trilogia, mas acho que também trouxe um elemento interessante à saga, no geral.

Gostei muito das vibes creepy e de terror deste filme, sobretudo porque me faz sentir que, apesar de ser sempre um filme para crianças, é um filme para as crianças que cresceram com os Toy Story e que hoje são adultos.

Acho que é um filme que "brinca" muito bem com o conceito de se estar perdido — algo que, para Woody, inicialmente significa apenas não ter um dono; mas no final do filme ele percebe que, apesar de pertencer a uma criança, um brinquedo perdido pode estar perdido de outras formas. Gostei da dualidade que tivemos neste filme entre brinquedos que se encontram de várias formas — alguns, encontrando um dono, e outros, libertando-se dessa conceção.

No fundo, este filme também fecha um ciclo e eu gostei muito que tenha mudado a dinâmica habitual (SPOILER: Woody fica na feira e os brinquedos, pela primeira vez em todos estes filmes, separam-se; já não estão todos juntos em tudo e para sempre). Se era necessário, depois do terceiro filme? Nem por isso. Se estragou alguma coisa? Também não, acho que conseguiram criar uma história e mensagens com sentido.

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Tenho gostado da ideia de ver filmes em torno de "temáticas" — acho que simplesmente não tenho energia, de momento, para mais e para pensar muito no que ver —, e por isso já comecei a pensar no que gostaria que fossem as próximas:

  • Ver/rever todos os filmes do Wes Anderson;
  • Ver/rever todos os filmes do Christopher Nolan;
  • Ver/rever todos os filmes do Shrek;
  • Rever filmes que já vi há uma data de anos ou há mais de uma década — ainda não tenho uma lista feita, mas há tantos que sinto que teria um entendimento completamente diferente agora e gostava de revisitar.
04
Out25

Diário | Setembro 2025

Vera

O meu primeiro Avante — pareceu uma segunda celebração do 25 de Abril, mas em Setembro; e para isso estou cá. Rever família que mora longe, no Avante (inesperadamente). Descobrir artistas novos. Ver os Linda Martini. Começar Hollow Knight, um dos melhores jogos que já tive o prazer de jogar na vida. Encontrar gatos bonitos na rua. Ir a um evento de gaming. Ir a um festival de sopas. Ler um dos melhores livros que li este ano. Ler sobre sono. Nova temporada de Only Murders in the Building. Mandar piadas especialmente bem recebidas. Conseguir um vinil da Taylor Swift. A tradição anual de comer churros na feira — que quase não acontecia este ano, com a chuva. O segundo god pack no TCG Pocket (esta é muito nicho). Desarrumos e limpezas da casa (e um gasto astronómico de dinheiro para se começar a parecer com uma).

 

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01
Out25

Sobre leituras consistentemente rápidas (mas diagonais...)

Vera

Sinto que preciso de "deitar" este tema "cá para fora", sendo algo sobre o qual conversei há pouco tempo com uma amiga e que continua a fazer-me pensar. Quero tentar tratá-lo com o maior respeito possível, ou mostrando o maior respeito possível por quem o faz, mas preciso de confessar desde já que isto é um assunto que me custa muito compreender e por isso peço desde já desculpa se encontrarem alguma parte nesta publicação que vos faça sentir de alguma forma julgados ou onde achem que não me expressei corretamente (e sintam-se à vontade para alertar — de forma igualmente respeitosa, obviamente).

 

Esta conversa que tive com a minha amiga começou porque eu resolvi, no dia em que terminei de ler o Quociente de Felicidade, ler de uma vez só as poucas mais de 100 páginas que me faltavam deste livro, porque o empréstimo da Biblioled estava quase a terminar e eu não vi necessidade de o renovar por "apenas" 100 páginas. Ora, acontece que estas "apenas" 100 páginas me levaram, na verdade, 4 ou 5 horas para terminar (com uma pausa para jantar). Eu posso simplesmente ler devagar — o que é bem possível, porque eu gosto de ler com calma, e também porque por vezes tenho de reler quando me apercebo de que não estava concentrada —, mas creio que essa questão não é assim tão relevante para aqui.

 

Comentei com a minha amiga como é que, tendo esta experiência em conta, há pessoas que lêem tantos livros tão rapidamente (incluindo as book influencers, embora acredite que não sejam as únicas). E acabámos a falar sobre ler na diagonal (e muitas delas o fazerem).

 

O conceito de ler na diagonal faz-me muita confusão quando se trata da leitura, por prazer, de um livro. Na altura desta discussão, pesquisei na internet sobre isto e vi algumas pessoas no Reddit dizerem coisas como "se eu vejo que uma personagem abre uma porta, eu só preciso de saber que abriu a porta, não preciso de saber como o fez" e eu não podia discordar mais de uma afirmação. Pessoalmente, acho um pouco desrespeitoso esta coisa de ler um livro na diagonal — desrespeitoso para com o autor e o livro. Se o autor escolheu dizer-vos que a personagem abriu a porta de forma XYZ, é porque achou que seria pertinente, que fazia sentido — e faz parte da sua escrita, da sua forma de escrever, do conteúdo que é parte integrante do livro. Dito isto, como é que parece natural a alguém saltar tudo isto, ficar-se pela superficialidade do que a pessoa quer contar? É algo que me causa muita confusão. Como disse no início, é-me mesmo muito difícil compreender este conceito.

 

Tantas vezes se vê o debate "podemos contar audiolivros como ler um livro?", e pessoalmente, digo-vos já que um audiolivro não só é, para mim, a leitura integral de um livro, como o ato de o ouvir conta muito mais como leitura de um livro do que conta a leitura diagonal do mesmo. Para mim, a leitura é tudo sobre absorver, e leitura diagonal não inclui essa absorção da história e da escrita. Eu já li na diagonal, e sabem em que momentos aconteceu? Quando eu já não estava a suportar uma leitura e o fiz à base do ódio; quando já não me interessava absorver a história, a forma como o autor escolheu contar-ma — apenas queria terminá-la o mais rápido possível.

 

Dito isto, compreendo perfeitamente que book influencers o façam se essa foi a "marca" que criaram — isto é, se não forem especificamente influencers que defendam o slow reading, porque é o trabalho delas (parcial ou a tempo inteiro, não interessa) e infelizmente — por questões de consumismo desenfreado e outras — precisam de apresentar constantemente algo novo. Essa parte não me cabe julgar, ainda que pessoalmente não me identifique e não seja uma seguidora ávida deste tipo de criadores de conteúdo.

 

Entendo também que existam pessoas que naturalmente leiam mais rápido, mas acho que esta publicação não é, de todo, sobre elas.

 

Nunca vou conseguir compreender leitores que "devoram" livros lendo-os na diagonal e acho que ainda menos conseguirei compreender porque é que a quantidade de leitura se tornou assim tão mais importante que a qualidade de leitura — e acho que já deu para perceber que, pessoalmente, não vejo muita qualidade de leitura na leitura diagonal. Quando estou a ler um livro, quero absorver ao máximo as palavras do autor, compreender porque me está a contar isto desta forma, interiorizar o seu estilo de escrita. É isto que é, para mim, leitura (por prazer). Ler livros na diagonal vai, portanto, contra tudo aquilo que pessoalmente considero leitura por prazer. Quero lembrar, no entanto, que esta é só a minha opinião e eu sou apenas uma estranha na internet, e não sendo isto um assunto fraturante da sociedade — que esses são bem mais importantes —, espero que ninguém se sinta atacado. Eu não compreendo, mas leiam como quiserem 💕

 

Qual é a vossa opinião?

24
Set25

Recomendações | Conta Lá: Informações sobre as autárquicas em TODO o país

Vera

É algo vergonhoso estarmos tão perto das eleições autárquicas e existir tão pouca informação para aqueles que não estão nos grandes centros. (Esta desvalorização e desigualdade no país serão para sempre uma das minhas maiores queixas.)

 

Está certo que não são eleições legislativas ou para a presidência da República, mas não deixam de ser importantes. Embora seja ótimo que existam vários debates na televisão, muitos concelhos ficam de fora e não existe o mesmo esforço que existe nestas eleições que referi para canalizar a informação num só sítio.

 

Por estas e por outras, depois de ter feito um investimento ativo para encontrar qualquer coisa que fosse que me pudesse ajudar na minha decisão de voto no meu concelho, venho recomendar esta iniciativa, que felizmente passou a existir mas infelizmente parece não estar a ser ainda muito difundida:

 

Conta Lá, no YouTube e noutras redes

 

Têm feito e continuarão a fazer debates com todos os concelhos de Portugal. Eu já encontrei do meu (finalmente, depois de mais de uma tentativa de pesquisa por informação).

 

A descrição desta iniciativa começa por: "Acreditamos que Portugal não se resume aos grandes centros."

 

E eu só posso agradecer, como alguém que faz parte de um grupo constantemente deixado de fora (e esse grupo é muito grande, não existe só aqui onde me encontro). Por mais iniciativas assim. Obrigada por valorizarem Portugal como país, não como meia dúzia de regiões.

 

Agora com licença, que finalmente vou ver um debate entre os candidatos do meu concelho.

19
Set25

Livros | Quociente de Felicidade, Angie Kim

Vera

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Neste livro, um homem desaparece num parque e a única pessoa que estava com ele e sabe o que aconteceu é Eugene, o seu filho adolescente de 14 anos não falante com síndrome de Angelman. Quem nos narra a história é Mia, também filha de Adam, que nos conta toda a experiência da família — a quem se junta o seu irmão gémeo John e a mãe — em busca do pai.

 

Embora possa parecer, esta não é a típica história sobre uma pessoa desaparecida. Na verdade, o enredo evolui de forma natural para aquilo que é uma verdadeira prisão interna na qual Eugene vive. O livro gira em volta da condição de Eugene e da falta de comunicação da sua parte, que é erradamente entendida por todos como uma disfunção cognitiva. Por este motivo, Eugene passou a sua vida inteira a ser tratado como alguém que não tem capacidade de pensar, sem inteligência, com o desenvolvimento equiparável ao de uma criança.

 

Este livro tem uma representatividade incrível, não só neste aspeto, mas também pelo facto de nos falar de uma família coreana que se mudou para os Estados Unidos. Aliás, a autora equipara muitas vezes a dificuldade de um imigrante que mal consegue ainda falar a língua do novo país à falta de meios para comunicar do Eugene.

 

Adorei a escrita — ainda que por vezes contenha asneiras —, que me deu a completa sensação de ter uma amiga a contar-me a história, de tão envolvida que me fez sentir. Ainda assim, a autora faz muito uso de notas de rodapé que, embora possam acrescentar algo ao raciocínio da personagem principal, por vezes também quebram demasiado o nosso próprio raciocínio e a leitura em si.

 

Achei Quociente de Felicidade um livro extremamente completo e incrivelmente interessante, onde podemos encontrar reflexões muito ligadas à filosofia, psicologia, linguística, e até música e programação musical (uma área que desconhecia por completo).

 

Um pequeno apontamento que posso fazer é que acho que o final podia ter sido mais curto e o livro podia ter acabado mais cedo, sem que o enredo sofresse muito com isso. Mas acho que é um detalhe quase irrelevante na totalidade deste que é um dos melhores livros que li este ano, facilmente, se não o melhor. E por isso, é uma forte — muito forte — recomendação.

 

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📖 A ler:



📺 A ver:

IT: Welcome to Derry, Temporada 1
Alien: Earth, Temporada 1
Taskmaster (UK), Temporada 19
Pluribus, Temporada 1
Stranger Things, Temporada 5
Alice in Borderland, Temporada 3

🎮 A jogar:

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