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fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

30
Dez25

Retrospectiva | 2025

Vera

2025 começou com algum desafio, alguns meses de luta para tentar não cair na espiral de negatividade em que as circunstâncias tendiam a colocar-me. Felizmente, após alguns meses, coisas boas começaram a acontecer e desde então não posso dizer que algo de muito mau se tenha passado. Antes de passar para a retrospectiva propriamente dita, isto é aquilo pelo qual sinto que tenho realmente de agradecer: que nada de terrivelmente mau e irremediável tenha acontecido em 2025. Só por isso, para mim — e apesar de não ter começado da melhor forma —, já foi um ano bom. Já não procuro os melhores anos da vida, todos aqueles que não são maus são bons.

 

O ano começou com a nossa viagem a Barcelona e, confesso, nem me parece. Continuo a sentir que estive muito desligada naquela viagem, que talvez tenha ocorrido numa altura em que o que eu mais precisava era de parar um pouco — não de andar mais. Não parece que foi ainda este ano, parece que passou uma eternidade.

 

Outros momentos de destaque deste ano incluem:

  • Ir ao Jardim Zoológico pela primeira vez (embora tenha sido agridoce, para mim; pelo que o destaque vai para o facto de ter sido a primeira experiência).
  • Ter conseguido emprego na minha área e a fazer o que queria.
  • Termos a nossa casa (ainda não conseguimos mudar-nos, mas talvez em breve).
  • A sementinha de uma ideia para um negócio próprio nasceu; eu não sei se se vai concretizar, mas só o facto de essa vontade ter existido é um grande ponto positivo para mim.
  • Tentar estar mais com diferentes pessoas em diferentes momentos do ano.
  • Fomos a Coimbra e à Quinta das Lágrimas.
  • Terminei o curso técnico que comecei no ano passado.
  • Passei muito dos fins de semana de Verão em piscinas (um milagre, para mim).
  • Fui à praia pela primeira vez em não sei quanto tempo, e tive umas mini-mini-mini férias em Buarcos.
  • Fui ao Avante pela primeira vez.
  • Vi o espectáculo de comédia do Hugo Sousa, vi O Fantasma da Ópera em Lisboa, e vi o espectáculo do Terapia de Casal ao vivo.
  • Joguei um dos melhores jogos que já experienciei na vida e que acho sinceramente que vai para a minha lista de jogos favoritos.
  • Envolvi-me mais numa comunidade digital no Discord, onde me juntei também ao film club, ao clube de leitura, e a desafios artísticos e, honestamente, têm sido um espaço seguro.

 

Para além disso, 2025 foi um ano em que senti que me envolvi em vários hobbies diferentes e, apesar de passar por fases, sinto que consegui encontrar aqueles com os quais me envolvo de forma mais regular: desde colorir a fazer crochet, aprender italiano; além de ter sido um ano em que consegui criar um hábito de leitura mais consistente, em que vi mais filmes, e até em que joguei mais do que costumo.

 

Continuo a colocar uma maior importância e destaque em experiências, e sinto que 2025 foi um ano rico em experiências — tanto as que requerem sair, como as que implicam ficar dentro de casa, dentro de mim, e comigo própria.

 

Há algum tempo que eu deixei de definir objectivos para cada ano, no entanto vou listar algumas coisas que gostava que acontecessem em 2026:

  • Voltar a viajar e fazê-lo um pouco mais (não muito mais, só um pouco mais). Entre os destinos desejados estão Londres, voltar à Madeira, voltar a Madrid ou Barcelona e ir a qualquer cidade em Itália. Não vai acontecer isto tudo, mas espero que pelo menos dois se concretizem;
  • Ter aulas de natação;
  • Estar mais vezes com as pessoas;
  • Manter ou, quem sabe, melhorar ainda mais o hábito de leitura (idealmente, ler pelo menos 2 livros por mês);
  • Continuar a descobrir hobbies criativos de que gosto e manter os que já tenho (estou na mira de experimentar feltro).

 

Desejo a todos um excelente 2026, com muita saúde (vossa e dos vossos); e, de preferência, com tudo aquilo que mais desejam ❤️

28
Dez25

Filmes | Vistos em 2025 & Top 5

Vera

Estou muito surpreendida comigo mesma, porque vi imensos filmes em 2025 e, até hoje, não sei bem como aconteceu. Não foi, até ver, o ano em que vi mais filmes — o primeiro lugar do pódio ainda pertence a 2012, com 90 filmes vistos. Mas 2025 está agora em segundo lugar, com 75 filmes vistos (por pouco não empatava com 2013, em que vi 72). Talvez ainda veja mais até ao final do ano, quem sabe?

 

Foram tantos que, ao contrário das outras publicações, vou começar pelo meu top 5 e deixar a lista de todos os filmes que vi — com links para as respectivas reviews — bem para o final do post, porque é longa e fica apenas para quem tem realmente interesse em vê-la.

 

Top 5 Filmes 2025.png

 

Aqui fica o meu top 5 de filmes vistos em 2025, sem ordem específica:

1. Conclave

Junto com o filme seguinte, estes empatam aquilo que seria verdadeiramente o primeiro lugar. Adorei este filme, achei-o muito bem feito e teve planos que me deliciaram, simplesmente. Ficou comigo.

2. Flow

Uma das animações mais bonitas que vi. O filme é triste, é bonito, deixou-me a chorar horrores porque não aguento gatinhos a sofrer um bocadinho que seja. Mas é tão bom.

3. Apocalypse Now

O filme que me trouxe a sensação, que não sentia há algum tempo, de "isto é verdadeiro cinema". Extremamente bem feito, um grande filme, mesmo que pesado.

4. Robot Dreams

Outra animação bonita e triste, mas tão, tão boa. Na verdade, tal como o Flow, consegue a proeza de nos transmitir e fazer sentir tanto sem qualquer diálogo. Que filme tão bonito que foi.

5. Nimona

Mais um filme de animação! Não sabia que animação iria figurar tanto no meu top filmes do ano, mas todos eles merecem. Nimona também é um filme extremamente bonito, com cores lindíssimas, e eu adorei a personagem homónima.

 

Partilhem comigo os vossos filmes favoritos que viram este ano!

 

E agora, sem mais demoras e para quem tiver interesse, aqui fica a lista de todos os filmes que vi este ano — e que é possível que ainda cresça, porque ainda devo ver mais filmes até ao final do ano:

21
Dez25

Livros | Lidos em 2025 & Top 5

Vera

Sinto que a partir da metade do ano consegui desenvolver um melhor hábito de leitura que, de uma forma ou de outra, se tem mantido. Até tinha melhorado ainda mais a partir de Outubro, mas ficou rapidamente arruinado quando comecei um livro que entretanto decidi não terminar (e desde então, tento ler o máximo possível, mas ainda não consegui voltar à regularidade de antes desse livro).

 

Na verdade, sinto que estou a desenvolver uma relação diferente com a leitura — melhor, claro —, mas mais sobre isso noutra altura, se se confirmar. De qualquer forma, por esse mesmo motivo, 2025 será sempre um ano vencedor em livros.

 

Bom, sem mais demoras, aqui estão os livros que li (e aquele que estou ainda a ler) em 2025:

 

Sem mais demoras, aqui fica o meu top 5 de livros que li no ano de 2025.

 

Top 5 Livros 2025.png

 

1. Maybe You Should Talk to Someone, Lori Gottlieb

Embora muitas pessoas considerem-no desenvolvimento pessoal, honestamente não acho; mas se for, então é o primeiro livro de desenvolvimento pessoal de que gostei muito. Adorei acompanhar os pacientes que Lori seleccionou para partilhar connosco e todas as reflexões próprias da sua profissão.

2. Lá, Onde o Vento Chora, Delia Owens

Este livro tomou conta do meu coração. A ambiência do livro, toda a natureza que o rodeia são incríveis, e Kya é das personagens femininas mais interessantes que já encontrei. A forma como, sem qualquer escolaridade e educação, conseguiu alcançar tanto é tão admirável; ao mesmo tempo que a sua independência tem tanto de admirável como de triste, por ser solitária.

3. Quociente de Felicidade, Angie Kim

Outro livro que tomou conta do meu coração. Este top 3 foram excelentes escolhas de 2025. Esta história foi das coisas mais wholesome (de forma tão triste) que li, e adorei que tenha incluído reflexões interessantes sobre tantas áreas diferentes.

4. Dracula, Bram Stoker 

Desculpem, desculpem. Eu sinto que estou a cometer um crime ao incluir este livro aqui no mesmo ano em que li Frankenstein, de Mary Shelley, que não faz parte da lista. Mas tenho de ser sincera comigo mesma e admitir que, em termos de experiência de leitura, acabei por gostar mais de Dracula. Na verdade, o livro surpreendeu-me bastante.

5. Nem Todas as Baleias Voam, Afonso Cruz

Este livro está aqui um pouco porque "tem de" haver um quinto lugar, desculpem. E podia disputá-lo com o livro que estou a ler agora, mas que ainda não terminei. De qualquer forma, gostei muito de Nem Todas as Baleias Voam; de conhecer todas as personagens, da forma como se interligaram e das vibes mais sombrias em certas partes do livro.

 

Quais foram os vossos livros do ano?

19
Dez25

Filmes | Oldboy

Vera

Já tinha ouvido falar deste filme, sendo considerado um clássico moderno. Este filme é sobre um homem que, sem saber exactamente porquê, é capturado, preso e torturado durante 15 anos. Quando sai em liberdade, parte em procura dos seus captores para se vingar.

 

Poster do filme Oldboy

 

Não me podem dizer "este filme tem um grande plot twist" porque a meio eu vou adivinhar qual é — aconteceu com este, aconteceu com Incendies... E acabei de potencialmente estragar-vos a experiência se considerarem ver estes filmes, porque pode acontecer o mesmo. Desculpem. Não quero com isto dizer que os plot twists são previsíveis; para quem vir sem saber sequer que irá haver algum, provavelmente irão ser de facto surpreendentes.

 

Oldboy é de facto um filme bastante bom: em termos de representação, enredo, edição... Dá muitas voltas à história de forma surpreendente e envolvente e quase não teria nada negativo a apontar.

 

Se não fosse o facto de achar que retrata a mulher de forma intragável. Eu sei, o filme é de 2003... Na altura, provavelmente, nada parecia ser minimamente problemático. Eu compreendo que foi feito numa altura completamente diferente, no entanto, fez-me muita impressão ver isto em 2025.

 

Falando em meter impressão, salto ainda para outro aspecto do filme que é, de certa forma, positivo — ênfase no "de certa forma". É um filme um pouco gráfico e doentio em alguns aspectos, e acho que de facto faz isso de forma bastante boa e forte. Significa que poderão não querer voltar a vê-lo nunca mais? Talvez, mas se calhar também não é preciso. Independentemente disso, acaba por ser um aspecto marcante e que faz sentido em todo o contexto do filme.

 

No geral, é um filme bastante bom, gostei bastante e recomendo. Mas não posso dizer que não me tenha ficado aquele gostinho amargo na garganta com todo o aspecto feminino do filme. E não, não vou querer vê-lo mais vezes; mas também está tudo bem com isso.

 

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14
Dez25

Séries | Vistas em 2025 & Top 5

Vera

Chegou o fim do ano e, com ele, chegam as já clássicas retrospectivas. Por cá, costumo fazer sempre dos livros que li ao longo do ano, séries e filmes que vi, e seleccionar um top (idealmente) de 5 — além, claro, da publicação final com uma retrospectiva mais pessoal.

 

Hoje trago-vos, então, a lista de séries que vi este ano e as 5 que mais gostei. Sinto que tenho sempre de fazer este disclaimer, mas nesta lista eu só incluo as séries que comecei este ano, independentemente do ano de lançamento.

 

Em 2025, não vi muitas séries. O meu tempo, este ano, foi mais dedicado a outros formatos, como poderão ver brevemente. Aqui ficam todas as que vi, incluindo algumas que ainda estou a terminar primeiras temporadas e, por isso, ainda não existe publicação sobre elas:

 

Quais foram, então, as minhas 5 preferidas no ano de 2025?

 

Top 5 Séries 2025.png

 

1. The Pitt

Como não poderia deixar de ser. O início de 2025 foi incrível para séries e The Pitt foi o drama médico que eu não sabia que precisava — mas inovador e fugindo completamente aos clichés do mesmo género que já conhecemos. Amo muito e mal posso esperar pela segunda temporada.

2. Adolescence

Se eu só quero esquecer esta série? Sim. Se foi impactante e bastante bem feita? Também. Abriu um debate importantíssimo e, embora a mediatização tenha passado, sinto que muitas pessoas ficaram mais conscientes deste problema. E felizmente, mesmo que muito menos frequentemente, ainda vejo algumas discussões sobre o assunto de vez em quando.

3. Agatha All Along

Dentro das séries da Marvel, para mim está logo a seguir a WandaVision na lista de melhores séries e das mais inovadoras. Surpreendeu-me porque acho que não ia com grandes expectativas, gostei muito.

4. IT: Welcome to Derry

Apesar de ainda não ter terminado, já estou a adorar esta série de terror. Para aquilo que é, está a ser muito pouco falada — certamente bem menos do que merece. Vejam, vale muito a pena.

5. Pluribus

Para terminar o ano de 2025 tal como começou — em grande —, Pluribus chegou e tem estado a arrebatar o mundo. Até ver, está incrível e tenho adorado acompanhar.

 

Menção honrosa para Cunk on Earth, que me divertiu muito. É uma série super engraçada e introduziu-me ao trabalho da Philomena Cunk, de quem ainda quero ver mais.

 

Quais são as vossas séries do ano?

12
Dez25

Filmes | Wicked: For Good, White Christmas, Incendies

Vera

Poster do filme Wicked: For Good

Wicked: For Good

Gostei mais do primeiro filme. Tenho vários problemas com certos elementos do enredo e com o que fizeram com algumas personagens, mas não conheço o musical Wicked e por isso não sei bem se esses problemas estão relacionados com o filme ou com o musical.

Alguns desses problemas vêm do facto de eu ser fã do filme The Wizard of Oz, e eu sei que Wicked é um retelling desse universo, mas a forma como estragaram algumas personagens do universo original incomodou-me bastante. Chamem-me purista, não quero saber. Mesmo fora disso, certos elementos no enredo para mim não fizeram qualquer sentido e até eliminaram determinados aspectos que o primeiro filme pretendeu criar.

De resto, acho o mesmo que achei no primeiro: não acho as músicas assim tão memoráveis. Mas gostei da forma como se focou na rejeição que Glinda sente e como percebe que não, não é perfeita (e está tudo bem com isso).

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Poster do filme White Christmas

White Christmas

Como uma das pessoas com quem vi este musical disse (em inglês): "muito branco, não muito natal". Não achei de todo um filme natalício. Dito isto, é um musical bastante competente. Gosto muito de musicais deste género, que ocorrem num contexto em que existe de facto alguma produção musical dentro do próprio enredo. Boas coreografias e guarda-roupa.

Ainda assim, tem todo um sub-enredo que glorifica a guerra e o exército, fazendo parecer um filme de propaganda de guerra. Ver isto em 2025 torna tudo muito estranho e acho que ninguém está muito interessado nessa parte.

Ah, e foi o primeiro filme de sempre a ser filmado em VistaVision.

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Poster do filme Incendies

Incendies

Este filme tem... uma grande, grande surpresa, vamos dizer assim. Não quero estragar a experiência, acho que quanto menos se souber, melhor.

Gostei bastante. É um filme um pouco pesado, e apesar de ter locais ficcionais, baseia-se muito na Guerra Civil Libanesa. Por isso, toca não só nesses assuntos como também (sobretudo) em traumas intergeracionais.

É daqueles filmes memoráveis, que ficam convosco e deixam uma marca. É muito cru, duro, cruel. E a banda sonora (ou quase ausência dela) complementa tudo tão, tão bem.

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06
Dez25

Jogos | Hollow Knight

Vera

Creio que nunca, em momento algum, conseguirei fazer justiça a este jogo, que me tocou de forma tão, tão profunda e é facilmente um dos melhores jogos de todo o sempre. Aviso já que a publicação é longa.

 

 

Tem uma história muito triste e é um jogo surpreendentemente emocional. No entanto, a história é contada de forma muito obscura, visualmente, com texto muito enigmático e com muita simbologia. Há quem chegue ao fim e consiga perceber, de repente, toda a história numa batalha final; e há quem precise de pesquisar um pouco mais. É esse entendimento repentino numa batalha final que torna o jogo tão brilhante. Afinal, não era suposto ser este um derradeiro encontro, um combate há muito esperado? Sim, e pelo meio surpreende-nos com uma chapada de realidade, um momento emocional, que nos abre os olhos e, aos mais sensíveis de nós, poderá até fazer deitar algumas lágrimas. No fundo, faz-nos perceber aquilo que estava a acontecer este tempo todo — e essa realização é das coisas mais tristes que o jogo tem para nos oferecer.

 

Se calhar, estou a adiantar-me muito, não é? Comecemos, então, pelo princípio. Hollow Knight não é um jogo para qualquer pessoa. Aliás, não achava sequer que fosse para mim; quando o comprei, estava convicta de que ia rapidamente pedir o reembolso antes do limite de 2h jogadas — porque não sou, de todo, uma jogadora com as melhores competências de todo o sempre e perco rapidamente a paciência com jogos demasiado difíceis. No entanto, houve qualquer coisa a mais neste jogo que me agarrou e me fez continuar a jogá-lo e testar-me a vários níveis.

 

 

Podemos dizer que Hollow Knight se insere em três géneros, no geral:

  • Metroidvania, o que significa basicamente que é um daqueles jogos que nos fazem andar para trás e para a frente no mapa para aceder a locais e mecânicas que previamente nos estavam interditos.
  • Soulslike: os inimigos, depois de mortos, voltam sempre a aparecer no mapa após recuperarmos vida (que, neste jogo, é sentarmo-nos num banco); os bosses são extremamente difíceis de combater; e quando morremos, perdemos todo o dinheiro que tínhamos e somos forçados a voltar ao local onde morremos para o recuperar. Os jogos soulslike costumam ter tanto dificuldade como punição, por isso não são para qualquer pessoa (mas também conseguem ser muito recompensantes).
  • Plataformas, que todos sabemos o que são, certo? Pois, mas talvez muitas pessoas tenham um desconhecimento enorme deste género como eu tinha. Só joguei e vi pessoas jogarem jogos casuais de plataformas, nunca me passou pela cabeça que este género pudesse ser tão difícil como se tornou neste jogo. Vejam só este exemplo de algo que é opcional no jogo, mas o pior cenário de plataformas que pode existir (e já agora, apreciem a música... a sério, se não tiverem vontade de chorar não são humanos).

 

Por ser um jogo de plataforma e pela sua componente soulslike, Hollow Knight é um jogo bastante difícil e é por esse motivo que não é para qualquer pessoa. Eu, como já referi, achei sinceramente que não ia ser capaz de o jogar, mas a verdade é que cheguei ao fim — com 102% completos, até —, e sinto-me muito orgulhosa por isso. Este jogo testou-me MUITO, em vários níveis diferentes, e fez-me perceber que também eu sou perfeitamente capaz — mesmo que demore anos a chegar lá. E a sensação de conseguirmos algo depois de tanto lutarmos por isso é indescritível.

 

 

Tirando isso, no entanto, é um jogo muito bonito, meio melancólico e por vezes até um pouco spooky — não por assustar, mas pela ambiência de alguns cenários e inimigos juntamente com a banda sonora (ou ausência dela, em alguns casos) e o trabalho sonoro no geral. Segundo percebi, todos os assets visuais deste jogo foram desenhados à mão, o que é incrível nos dias de hoje (mesmo que o jogo já tenha 8 anos). É impossível explicar a imersão que este jogo nos faz sentir sem o experienciarmos; no entanto, tendo o seu mapa várias áreas bastante diferentes umas das outras, é a arte e a banda sonora que as distinguem e caracterizam de uma forma que nos faz automaticamente reconhecer em que zona estamos. Há áreas mais bonitas e relaxantes, outras mázinhas e irritantes, outras belas pela sua vibe nostálgica... Há de tudo e é tudo incrivelmente belo — bom, quase tudo, não se fala de Deepnest, a pior área neste jogo de onde todos só querem sair.

 

Alguns exemplos do que falo, com ligações para vídeos para ilustrar (mas, se considerarem jogar, não vejam muito para não estragar):

  • Greenpath: Uma das minhas áreas preferidas do jogo, com acesso logo numa fase inicial do jogo. É uma das áreas onde acabamos por sentir que podemos relaxar um pouco, pela sua ambiência.
  • Kingdom's Edge: Uma das áreas com a música mais bonita no jogo. É uma música muito triste e emotiva, por favor ouçam.
  • City of Tears: Também uma das áreas mais bonitas do jogo.
  • Deepnest: Não é a pior por ser má, é porque foi feita para ser desagradável, mesmo.

 

Outra componente que gosto muito no jogo — e que também existe no segundo jogo, Hollow Knight: Silksong, que saiu em Setembro deste ano — é o facto de nos dar a possibilidade de irmos salvando bichinhos muito fofos para os devolvermos ao seu pai. No caso deste primeiro jogo, são as grubs que são muito, muito fofas e fazem uns barulhinhos muito queridos quando são salvas por nós (e até lá, ouvimo-las chorar porque estão presas). Podem ver algumas aqui.

 

 

Por fim, vou apenas listar o meu top 3 de melhores e piores bosses, mais para mim que outra coisa, para poder mais tarde relembrar.

Melhores bosses:

  1. Mantis Lords, por serem tão difíceis mas tão estratégicos.
  2. Troupe Master Grimm, que é de um dos DLCs, mas foi uma delícia poder ter uma luta que parecia uma dança coreografada. Este inimigo tem uma versão mais difícil, mas eu não a fiz.
  3. The Collector, simplesmente porque foi uma luta incrivelmente divertida para mim.

Menção honrosa para o Soul Tyrant, muito difícil mas também muito recompensante.

 

Piores bosses:

  1. Watcher Knights, sendo que esta batalha ficou bem mais fácil depois de adquirir duas coisas no jogo; venci-os em 3 ou 4 tentativas. Mas, antes disso, passei um total de mais de 5 horas (não seguidas) a tentar vencê-los, sem sucesso. Odiei, a batalha pareceu muito injusta e nada equilibrada.
  2. Nosk, porque é um serzinho irritante (apesar de todo o caminho até ele ser de arrepiar a espinha, num bom e mau sentido).
  3. Broken Vessel, porque achei também irritante.

 

Quis ser o mais extensa possível nesta publicação, acho que este jogo merece tudo de bom que se possa dizer dele, mas ao mesmo tempo é impossível transmitir tudo aquilo que é e todo o efeito que provoca em nós, enquanto jogadores, sem simplesmente experienciá-lo em primeira mão. Do meu lado, só posso dizer que se tornou um dos melhores jogos que joguei na vida, apesar de por vezes ter sido uma experiência torturante. Sabemos que são bons quando, apesar disso, a recompensa e gratificação que oferecem são ainda maiores.

 

Ontem vi, por acaso, um vídeo-ensaio sobre o segundo jogo, no qual o rapaz dizia que esse jogo o fazia sentir algo que não sentiu muitas vezes em toda a sua vida: childlike wonder. Acho que é mesmo isso, porque os jogos são tão bonitos, tão imersivos, tão... tudo, porque não existe qualquer palavra que alguma vez consiga defini-los tão bem. A última vez que fiquei completamente agarrada a um jogo foi com o Stardew Valley, há já alguns anos. Há muito tempo que um jogo não me fazia sentir toda esta vontade de o jogar a cada minuto do meu tempo livre.

 

 

Hollow Knight tocou-me de uma forma que eu não esperava que tocasse, e é possível que se torne num dos meus jogos preferidos de sempre, junto com o Stardew Valley e Skyrim. Dito isto — e sei que, depois de toda esta publicação, é irónico dizer isto —, não creio que vá jogar o Silksong, embora nunca diga nunca. Este segundo jogo parece ainda mais difícil do que o primeiro, e o primeiro já foi suficientemente difícil para mim. Agradeço de coração a experiência que me deu, agradeço de coração ter-me agarrado tanto e ter-me demovido de o devolver com reembolso. Mas, no fim do dia, este continua a não ser um jogo que é tipicamente a minha preferência pessoal (pela dificuldade apenas). E não sei se consigo passar por uma experiência de dificuldade ainda maior.

 

Sei que esta publicação provavelmente não vai ter muito interesse, mas se alguém desse lado jogar regularmente e estiver interessado num jogo desafiante, bonito, imersivo, cheio de história (ainda que obscura), e incrivelmente profundo, este é um excelente candidato. Eu já o terminei, mas ainda me sinto muito envolvida e ainda não segui em frente ❤️

 

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03
Dez25

Filmes | Ernest & Celestine

Vera

Posters do filme Ernest & Celestine

Celestine é uma jovem ratinha que vive com a sua comunidade num esgoto — esgoto esse que fica por baixo de uma cidade onde vivem ursos e, entre eles, Ernest, um músico de rua que os moradores da sua cidade parecem desprezar. Já Celestine, parece não querer fazer aquilo que todos os ratos devem fazer. Estas dificuldades na vida de ambos acabam por juntar os dois numa amizade que não é suposto acontecer; ratos e ursos não se devem misturar. É assim que a amizade de Ernest e Celestine é posta à prova.

 

Só consigo dizer-vos: que filme bonito e fofinho. A arte é lindíssima, fazendo lembrar livros de ilustrações para crianças. Celestine é uma personagem maravilhosa e Ernest vem logo a seguir.

 

Como existe este elemento de separação entre os dois povos, o filme acaba por tocar muito em questões ligadas ao preconceito e à discriminação, sobretudo ao racismo. Mas também acaba por estar muito ligado à desvalorização da arte, que é tudo o que Celestine e Ernest querem fazer, embora de formas diferentes — e a verdade é que ainda hoje vemos muito essa ideia, de que fazer arte da vida nunca é a melhor opção.

 

No geral, gostei muito do filme e recomendo. Não mudou a minha vida, mas é um filme muito bonito e fofo (parece que estou sempre a dizer isto, mas é que é mesmo) e, por isso, se quiserem sentir o abraço apertadinho de um filme e aquele quentinho no coração, esta é a escolha certa.

 

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📖 A ler:



📺 A ver:

Taskmaster (UK), Temporada 19
Pluribus, Temporada 1
Alice in Borderland, Temporada 3

🎮 A jogar:

Fields of Mistria
Let's Go Pikachu
Animal Crossing: New Horizons

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