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fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

27
Mai25

Livros | Apesar do Sangue, Rita da Nova

Vera

Não sabemos quantos livros Rita da Nova irá escrever ao longo da sua vida, mas digo aqui já: este deverá permanecer sempre como um dos seus melhores.

 

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«Glória está a envelhecer. Na tomada de consciência de que o fim pode estar para breve, é no neto que recaem todas as suas preocupações: se ela desaparecer, quem vai cuidar dele? Quem vai tomar conta de Pedro, o rapaz que todos escolheram abandonar?

(...)

Com uma narrativa delicada e carregada de sensibilidade, a autora transporta-nos num enredo não linear em que todas as personagens principais têm direito a fazer-se ouvir: Glória, a avó que aguenta todas as tempestades da família. Helena, a mãe que abandona o filho. Eduardo, o padrasto que já não o é, mas que nunca esqueceu a criança de quem cuidou um dia.


E Pedro, claro, Pedro, o elo que os une: o rapaz que todos rejeitaram, que ninguém soube amar sem prazo e que, em breve, pode precisar desesperadamente de uma nova oportunidade. Wook»

 

Não sei se tenho propriamente aspetos negativos a apontar sobre este livro. Poderia dizer que a escrita é um pouco densa, que não é um livro pautado por ação, porque se foca sobretudo em reflexões e memórias das personagens — tendo até pouquíssimo diálogo. Tudo coisas que não correspondem exatamente às minhas preferências literárias mas, sendo preferências meramente pessoais, não posso dizer que qualquer uma delas seja negativa ou torne o livro mau.

 

Talvez por estas razões, demorou um pouco a agarrar-me, mas assim que os acontecimentos começaram a desenvolver-se, quis muito saber como a história destas personagens iria acabar.

 

«Só quando sabemos que temos para onde voltar é que nos podemos dar ao luxo de voar com as tempestades que nos invadem o espírito — e ele queria personificar o poiso onde ela poderia descansar a agitação, nem que por breves momentos.»

 

Nota-se um crescimento enorme da Rita, enquanto escritora, neste livro — e a própria escrita em si parece ser muito mais madura. E eu adorei este salto, adorei este seu estilo de escrita e estou verdadeiramente entusiasmada pelo que ela nos trará no futuro.

 

Sobre o livro em si: adorei (quase) todas as personagens, mas o destaque irá sempre para Glória e desconfio que aquilo que senti, muitos sentirão ao ler esta história — talvez as suas avós não sejam uma Glória, mas haverá sempre um pouco de Glória em todas as avós. Neste aspeto, só posso agradecer à Rita por me permitir um breve reencontro com a minha, que não está entre nós há alguns anos.

 

«Não podia deixar de pensar na injustiça que era os homens poderem demitir-se da paternidade a qualquer altura — inclusive depois de os filhos terem já nascido —, mas essa possibilidade ser negada às mães. Espera-se que uma mulher abdique de tudo, que arque com a responsabilidade completa às costas, que engula o orgulho e o arrependimento, mesmo que custe a passar na garganta.»

 

Ao contrário de muita gente — pelo que tenho visto —, não consegui concordar com Helena ou gostar da personagem. Não é que não compreenda que nem todas as mulheres são talhadas para a maternidade, mas achei-a uma personagem muito fria e, de certo modo, cruel. Antes de ela abandonar o filho, já me parecia alguém com quem nunca iria identificar-me. A sua má relação com Glória nunca me pareceu ter grande fundamento, a não ser com base na própria personalidade de Helena. Não me pareceu uma mulher empática — talvez por isso não tenha conseguido sentir, também, qualquer empatia por ela.

 

Em todo o caso, sem ela esta história não existia. E se esta história não existisse, não poderíamos ter lido aquele que é, até à data, o melhor livro de Rita da Nova. Recomendo muito Apesar do Sangue, que é, no fundo, um livro sobre a complexidade dos laços familiares; e sobre como podemos ter família naqueles que escolhemos — mesmo que não seja a família de sangue. Se gostarem de livros introspetivos, centrados nas personagens, este é um que devem certamente ler.

 

«A idade é uma coisa tramada: dá-nos conhecimento, sabedoria e experiência de vida, mas tira-nos o tempo para aplicarmos todas as aprendizagens que fomos colecionando.»

 

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Podes ler a minha opinião sobre os livros anteriores aqui: As Coisas que Faltam, Quando os Rios se Cruzam.

23
Mai25

Filmes | Sinners, The Princess Bride, Thunderbolts*

Vera

Hoje venho falar-vos dos três filmes que vi no último mês, mas irei fazê-lo de forma muito breve.

 

Sinners

Poster do filme Sinners

Em termos técnicos, é um filme excelente — e tem uma cena em específico que é de uma beleza visual incrível. Em termos de lore, não é nada do outro mundo para quem já conhece o mal que caracteriza algumas personagens deste filme.

 

Tem excelentes metáforas para o racismo e mesmo para o colonialismo, embora se foque mais no primeiro que no segundo. Os atores também fazem todos um excelente trabalho. É daqueles filmes com que toda a gente está a vibrar, mas eu, por alguma razão que não consigo precisar, não sinto o mesmo entusiasmo. Sei reconhecer que o filme é excelente e que é, sem dúvida, recomendável, mas para mim é só isso.

 

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The Princess Bride

Poster do filme The Princess Bride

My name is Inigo Montoya. You killed my father. Prepare to die.

Este é daqueles pedaços de cultura popular que eu tinha no fundo do cérebro, ali mesmo no fundo da gavetinha, mas sem saber de onde vinha — e só depois de ver este filme é que percebi.

 

É um filme muito divertido de ver, super engraçado, com aventura e ação suficientes para nos prender ao ecrã e boas personagens. Excelente filme de Domingo à noite, para quem possa ainda não ter visto.

 

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Thunderbolts*

Poster do filme Thunderbolts

Mais um filme da Marvel, desta vez em bom: um filme de anti-heróis — um bocadinho "bando de misfits", até — que funcionam em perfeita harmonia como grupo.

 

É uma daquelas lufadas de ar fresco com que a Marvel nos presenteia de vez em quando, focando-se muito no tema da saúde mental, sobretudo depressão. O vilão também é bastante interessante e deixou-me curiosa por ver mais de todas estas personagens.

 

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19
Mai25

Um dia triste de revolta

Vera

Há uma revolta dentro de mim. Há revolta por aqueles que fecham os olhos a um perigo ideológico com a justificação de "parecer cada vez mais a única alternativa possível". Há revolta por todos os partidos que, ao longo dos anos, deixaram isto acontecer (sim, nenhuma destas é mutuamente exclusiva, sabiam? Não se anulam uma à outra, e a meu ver há culpa em ambas). Que não souberam, e continuam a não saber endereçar os principais problemas que o país está a enfrentar e tem vindo a enfrentar há anos. Que apenas souberam dar razões a quem já antes pensava: mas afinal ninguém faz nada? Não estão errados. Votar em Portugal sempre foi um pouco "votar no mal menor", mas essa sensação tem-se intensificado ao longo dos anos.

 

Há revolta pelo sistema de votos — por saber que, estando eu no meio do nada, o meu voto que, pessoalmente, vai para um partido pequeno, é sempre completa e absolutamente desperdiçado. É um voto ao lixo. Há revolta por saber que não sou a única pessoa nesta situação, que estou fortemente acompanhada e que isto retira oportunidade aos "pequenos" de crescer significativamente — bom, pelo menos, aos que não se apoiam em discursos populistas. Esses não precisam que o sistema mude para crescer.

 

Há revolta por Portugal ser continuamente um país preocupado apenas com Lisboa e Porto. Ninguém quer saber dos restantes, e isso nota-se desde logo, uma vez mais, no próprio sistema de votos. É de uma sensação de impotência enorme estar do lado de cá, dos "pequeninos", sentir que não há absolutamente nada de significativo que possamos fazer por um país que também é nosso. Sentir que as nossas vozes são caladas, que somos silenciados, que a nossa maior arma democrática é, afinal, também ela completamente impotente. Bom, pelo menos, se não votarmos num dos "grandes". Passamos a um tripartidarismo perigoso onde eu, aqui no meio do nada, nada posso fazer quanto a isso — nem mesmo com a coisa mais importante que posso fazer.

 

Há revolta por um país onde tudo se perde, nada se transforma. Ano após ano, vivemos os mesmos problemas; ano após ano, o panorama político piora; ano após ano, estamos cada vez mais próximos de um governo perigoso. Ano após ano, temos um conjunto de pessoas incompetentes que pouco mudam no nosso país.

 

Hoje é um dia triste, para mim. Não, não vou dizer "para a democracia" (embora seja, porque temos um partido antidemocrático a avançar no parlamento), porque foi a democracia que decidiu isto. Mas é um dia triste. E muitos mais dias tristes se seguirão. E o que custa mais no meio de tudo isto é a completa sensação de nada poder fazer.

10
Mai25

Filmes | Zodiac, Profondo Rosso, Interview With the Vampire

Vera

Poster do filme Zodiac

Zodiac é um filme, baseado em factos reais, sobre a investigação que decorreu para se descobrir quem era o "assassino do zodíaco" - que provocou redações de jornais vezes sem conta com cartas anónimas a relevar os seus assassinatos ou a ameaçar cometer mais. Esta investigação é-nos mostrada tanto por parte das autoridades, como dos jornalistas e, em especial, um cartoonista que trabalha numa destas redações e fica obcecado em tentar decifrar este mistério ao longo dos anos.

 

Sendo um filme centrado na investigação dos homicídios, fica claro que não é um filme sobre o assassino. Mostra-nos todos os contornos e também falhas desta investigação, apresentando-nos a uma daquelas situações frustrantes em que acabamos a ter bastantes certezas de quem foi, mas não há provas suficientes para julgar a pessoa, ou pessoas, em questão. E claro, uma investigação que anda em círculos sem avanços que permitam mudar o seu rumo leva algumas das pessoas a quem ela se dedicam ao extremo, afetando as suas vidas pessoais.

 

Sinceramente, achei um pouco longo e não acho que seja um filme incrível, mas de um modo geral gostei.

 

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Poster do filme Profondo Rosso

Há alguns anos, vi Suspiria, de Dario Argento, e fiquei apaixonada: pelo estilo, pela música, pelas cores, e é hoje um dos meus filmes preferidos de sempre. Descobri há alguns meses que existe um nome específico para este género, que eu desconhecia por completo: giallo, um género italiano de suspense e romance policial.

 

Adiante: desde então que queria ver mais filmes de Dario Argento, mas ainda não tinha acontecido. Profondo Rosso é um dos seus mais conhecidos e, embora seja ligeiramente diferente de Suspiria em termos cinematográficos, é um filme bastante bom e de que gostei bastante.

 

Este assenta sobretudo na investigação de um homicídio por parte de um pianista, que se junta a uma jornalista. Ao contrário de Suspiria, o filme é todo em italiano, o que me agrada fortemente como alguém que está a aprender a língua.

 

É uma história que me agarrou ao ecrã, não de forma ansiosa para descobrir quem é o que se passa, mas de forma extremamente bem sucedida em contar-me algo numa série de cenas que simplesmente nunca aborrecem. Desde as técnicas de câmara utilizadas aos cenários, a alguns planos, ao uso dos vermelhos, à música utilizada sempre que alguém estava prestes a morrer.

 

Enfim, não importa quão pouco veja, agora, alguns filmes antigos, continuo a sentir-me encantada por aquilo que marca alguns deles/dos seus géneros: o glamour da Old Hollywood, o "fora da caixa" de avant garde, e a beleza tão própria do suspense de giallo. Quero ver mais, sim, e talvez comece a investigar para lá de Dario Argento ♥

 

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Poster do filme Interview with the Vampire

Interview with the Vampire mostra-nos Louis, um vampiro que conta a sua história de vida a um biógrafo durante uma entrevista. Após perder a sua família, no século XVIII, Louis sentia-se miserável e infeliz com a sua vida - até ter conhecido Lestat, um vampiro que mudou a sua vida para sempre e se torna seu companheiro. Após a transformação, Louis é incapaz de ceder à premissa violenta de que tem de matar humanos para se alimentar e, de forma totalmente manipuladora, Lestat acaba por transformar uma menina em vampira para que agora Louis se veja agarrado à "família" que tem.

 

Um filme de 1994 com uma foooooorte, fortíssima índole homossexual que estamos aqui para celebrar - claramente muito à frente do seu tempo. Eu gostei bastante do filme, embora tenha achado também um pouco longo.

 

No entanto, permitam-me desabafar algo que não consigo compreender e que já não é a primeira vez que vejo em qualquer coisa relacionada com vampiros: qual é a obsessão em associar mordidas vampirescas a algo sexual? Vamos mesmo fingir que ser-se mordido fortemente no pescoço é algo de imenso prazer ou, pior ainda (e como aconteceu neste filme), que uma mulher está a sentir tantooOooOOoo prazer que nem sequer percebe que na verdade está a ser mordida; não se apercebe da dor - NADA - até para aí 3 minutos mais tarde? Vamos mesmo fingir que isto é assim? É que eu não consigo engolir estas coisas e não estou de acordo.

 

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05
Mai25

Séries | The White Lotus

Vera

The White Lotus é uma série que nos mostra, em cada temporada, a estadia de várias pessoas e famílias (bastante ricas) em resorts espalhados pelo mundo com o mesmo nome. Não sei se diria que é uma série "eat the rich" (acho que não é), mas as nuances estão lá.

 

Poster da série The White Lotus

 

É difícil falar de uma série por inteiro quando as temporadas são tão diferentes umas das outras: do cenário às personagens. Embora não seja particularmente "eat the rich", as sátiras aos mais ricos estão presentes em qualquer uma das temporadas. Há algo comum a todas elas, para além disto: a música. Apenas partilham algumas, entre as três temporadas existentes (e na terceira até alteraram por completo a música de introdução), mas uma coisa é certa: as músicas da série são feitas e escolhidas com mestria. O único ponto negativo que tenho a apontar é que sinto que, por vezes, o volume delas é bastante alto em comparação ao resto dos sons na série.

 

Gostei de ver estas três temporadas, mas não sei se estou totalmente convencida. Acho que me confunde um pouco o modo como todas elas começam com assassinatos nos resorts (isto não é spoiler), como se a série pretendesse aguçar a curiosidade, mas depois, até ao desfecho, não se foca particularmente nesses mistérios - apenas procede a mostrar o decorrer da estadia destas pessoas, de forma natural, ainda que esses acontecimentos expliquem as mortes.

 

Tem sido difícil sentir alguma conexão com as personagens, não só porque a maioria não é alguém com quem nos identifiquemos facilmente, mas porque quando começamos a gostar de alguma, a temporada está a acabar e de repente lá vêm outras pessoas novas a quem temos de nos habituar.

 

E por causa de tudo isto, se me perguntarem qual foi a minha temporada favorita até agora, eu não sei dizer. Elas são todas tão diferentes umas das outras que eu não consigo sentir que tenha gostado particularmente de alguma em específico. E por não estar totalmente convencida, também não consigo dar a resposta "gostei muito de todas".

 

Há alguns pontos em que a série apostou em algumas temporadas (mas que perdeu noutras) que eu gostei particularmente: o foco nos diretores dos hóteis, bem como nos funcionários; e a sensação de reclusividade (que se perdeu após a 1ª temporada).

 

Algo em que sempre apostou fortemente e onde se destaca é no humor ácido e, como referi, satírico - não é o tipo de humor que vos faz rir às gargalhadas, mas é muito bem feito.

 

Se esta review vos parece uma confusão, reflete bastante bem como me sinto em relação a esta série. Não é que não tenha gostado, é uma série tecnicamente boa e vou continuar a ver e a querer acompanhar as histórias destes ricos tresloucados (alguns, vá) - mas há algo ali que ainda me impede de sentir verdadeiro entusiasmo pelo que estou a ver.

 

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01
Mai25

Jogos | A Way Out

Vera

Poster do jogo A Way Out

Hazelight Studios

 

Recentemente, foi lançado um novo jogo, chamado Split Fiction, dos mesmos criadores de It Takes Two, que ganhou o prémio de Melhor Jogo do Ano em 2021 e do qual falei maravilhas aqui porque é, de facto, um jogo incrível.

 

A Way Out é um jogo também dos mesmos criadores, mas mais antigo, e criado nos mesmos moldes de jogo para duas pessoas - pelo que, tal como aconteceu com It Takes Two, joguei-o com o meu namorado.

 

Em A Way Out, jogamos como dois prisioneiros (Vincent e Leo) e a premissa parte de ambas as personagens colaborarem para fugir da prisão. Parece uma premissa simples e, diria até, pouco entusiasmante - a verdade é que não me criou grandes expectativas.

 

Mas talvez, depois de It Takes Two, devêssemos saber que o que dali sai, sai em bom - e este jogo acabou por surpreender bastante pela positiva. Não, não é um mero jogo de fuga à prisão. Na verdade, tem uma reviravolta, a cerca de metade do jogo, que é verdadeiramente surpreendente e muda bastante o rumo da história. Diria que muda até mesmo a dinâmica do jogo, embora fosse spoiler explicar de que forma.

 

A narrativa acaba por ser bastante envolvente e a história é muito emotiva. Existem dois finais diferentes e, embora nenhum deles seja propriamente positivo, eu considero que o nosso foi o mais triste dos dois e acabei a chorar que nem um bebé.

 

Outro aspeto a referir é que, tal como acontece em It Takes Two (e imagino que no Split Fiction), este jogo também tem os típicos mini-jogos dentro do próprio jogo, onde podemos competir com o nosso par.

 

Embora lhe faltem os bosses e a componente particularmente original e criativa de It Takes Two, A Way Out consegue surpreender bastante e supera todas as expectativas, provando-nos completamente errados na mera conceção do jogo com uma simples fuga de prisão. E ainda bem que é tão, tão mais que isso. Adorei jogá-lo, adorei a experiência que me deu. E é um jogo bastante curto - completámo-lo num total de 6 horas.

 

É uma forte recomendação, sem qualquer sombra de dúvidas.

 

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📖 A ler:



📺 A ver:

Taskmaster (UK), Temporada 19
Pluribus, Temporada 1
Alice in Borderland, Temporada 3

🎮 A jogar:

Fields of Mistria
Let's Go Pikachu
Animal Crossing: New Horizons

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