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fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

28
Fev25

Séries | Cunk on Earth

Vera

Apercebi-me que me esqueci por completo de vir falar desta mini-série de comédia.

 

 

É uma de várias, que existem sobre variados assuntos, ao estilo mockumentary. Esta em específico conta-nos a história da Humanidade, desde os nossos primórdios até à atualidade - mas quem o faz é Philomena Cunk, uma personagem interpretada pela atriz Diane Morgan, marcada por uma completa ignorância do mundo que nos rodeia e pelo humor absurdo, irónico e sarcástico.

 

É um tipo de humor muito peculiar, que talvez não seja para toda a gente, mas os britânicos têm uma entrega muito específica na comédia e podemos ver isso aqui. Apesar do humor, é uma mini-série educativa e informativa q.b., pelo que vale a pena até por aí.

 

 

Philomena Cunk, além de nos narrar parte da nossa História com conclusões satíricas bastante oportunas, encontra-se com vários professores e especialistas em certas áreas para tirar com eles as dúvidas mais pertinentes. Ver as perguntas absurdas (ou algumas nem tanto) que ela lhes faz e o quanto todos tentam manter uma cara séria e dar uma resposta séria é incrível.

 

 

No que toca ao humor, eu ri umas quantas vezes e há piadas que nunca vou esquecer (como a do Titanic). Fiquei com vontade de ver mais deste conjunto de mini-séries "Cunk on..." que existe por aí, até porque adoro humor satírico e com críticas sociais. Os episódios são pequenos e, sendo de humor, é uma série muito leve para ver.

 

Recomendo muito!

 

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Quem conhece?

24
Fev25

Filmes | The Girl with the Needle, Nomadland, Detective Pikachu, Flow

Vera

Filmes tão diferentes uns dos outros nestas últimas semanas.

 

The Girl with the Needle

Nomeado para os Óscares na categoria de Melhor Filme Internacional, este filme dinamarquês baseia-se numa história verídica do país francamente perturbadora sobre uma assassina em série de bebés.

O filme não acompanha a criminosa, mas sim alguém que se tornou amiga dela e conta-nos a história dessa amiga - o que eu acho muito bom porque, apesar da narrativa seguir a linha para a altura em que estas pessoas se cruzam, não é um filme "sobre uma assassina" e apresenta-nos muito mais que isso antes de sequer lá chegar. Portanto, não é um filme de true crime ou policial. É um drama que nos conta a história de uma mulher que teve, na verdade, vários infortúnios na vida.

É um filme muito pesado, com uma ambiência constantemente angustiante e provocadora de ansiedade durante o filme inteiro, dado que também ocorre numa época de dificuldades e pobreza, ainda mais para mulheres. Não recomendo a espectadores sensíveis (vejam mais na página Does The Dog Die para possíveis gatilhos, se vos fizer sentido), embora não seja muito gráfico, mas achei um filme extremamente bom.

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Nomadland

Acho que este é um filme muito aberto a interpretações. Talvez o seu elemento mais óbvio seja o de mostrar a vida de um nómada americano, ligado a um desapego de dinheiro e materialismo, ligado a um sentido de comunidade e conexão com as pessoas e com a Natureza. Nas paisagens que mostra, o filme é de facto lindíssimo. Na liberdade inerente a não querer fazer parte do sistema, também. Aparentemente, o filme integrou "nómadas reais", pessoas comuns, para nos mostrar este estilo de vida, o que lhe confere alguma autenticidade, apesar de ser na mesma um filme de ficção com atores.

Ainda assim, parte de mim achou um filme algo triste... Olhei várias vezes para a protagonista e vi, sim, liberdade, mas também vi uma constante fuga à exploração de conexões reais. Ela nunca acompanha as pessoas que conhece, apenas se vai encontrando, no futuro, com elas. Os outros vão, e ela fica... Isto acontece várias vezes e eu queria perceber porquê, mas não consigo.

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Pokémon Detective Pikachu

Adorei a oportunidade de ver Pokémons "como se fossem reais", não sendo ainda assim um trabalho extraordinário de efeitos especiais, mas acolhia de livre vontade mais filmes que me dessem esse prazer.

De resto, é uma história que se sustenta em pequenas reviravoltas que não chocam, mas são surpreendentes (algumas previsíveis) e, especialmente para fãs ou entusiastas de Pokémon, vale a pena ver pela experiência de um mundo "nosso" onde conseguimos coexistir com estas criaturas, fora dos vídeojogos.

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Flow

Este filme é perfeito, é incrível, mas eu sou demasiado sensível para isto. Mostrem-me gatinhos a sofrer muito realisticamente e eu vou desmanchar-me em lágrimas, ainda por cima numa sala de cinema. Não tenho estrutura para isto, foi um filme muito difícil de ver para mim, passei o tempo todo com um aperto no peito e acho sinceramente que saí mentalmente desgastada da sala de cinema. Vou ter cuidado em futuras experiências semelhantes porque eu não consigo mesmo lidar com este tipo de coisas.

Ainda assim, meu deus, que filme absolutamente maravilhoso... A animação é lindíssima e muito realista na forma como representa os animais, os seus comportamentos, maneirismos, expressões (faciais e sonoras), enfim. O filme tem um final... feliz, ou pelo menos neutro, mas é um filme muito angustiante em que passamos o tempo todo a ver animais, inocentes e indefesos, a tentar superar desafios da Natureza... Que, e esta parte é aberta a interpretações, mas na minha ótica são em muito ligados às alterações climáticas e portanto não consigo dizer "desafios provocados pela Natureza" - não, meus caros, não há um único ser humano no filme mas para mim somos nós a fazer aquilo. Aliás, até porque se passa num mundo algo pós-apocalíptico - mostra-nos de forma implícita que já houve humanos ali, em tempos, mas não há mais.

O filme tem momentos muito emocionantes e acaba por ser aberto, tanto no seu desfecho como em certas partes específicas. É muito bonito, mas tem tanto de triste e desesperante quanto de bonito. Ainda assim, é muito fofo ver a forma como os diferentes animais se unem e entreajudam. E fazer isto tudo sem qualquer fala, apenas com os sons dos animais? Espero sinceramente que ganhe o Óscar de Melhor Filme de Animação.

Se recomendo? Sim, o filme é absolutamente perfeito, mas por favor, se são sensíveis, pensem duas vezes. Vale a pena o sofrimento, quase... Mas vão sofrer bastante.

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Já viram algum destes filmes?

19
Fev25

Livros | Maybe You Should Talk to Someone, Lori Gottlieb

Vera

Um olhar aprofundado sobre a psicoterapia, enquanto psicóloga e enquanto paciente.

 

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Lori Gottlieb, uma psicóloga americana, vê a sua vida mudar com um acontecimento disruptivo com o qual ela não está a conseguir lidar, fazendo com que procure um psicólogo para a ajudar. Entrelaçando a sua própria história com a história de alguns dos seus pacientes, Lori consegue a proeza de nos dar um livro repleto de histórias e insights enriquecedores.

 

Lori selecionou quatro casos específicos para nos expor: uma idosa com um passado abusivo que não vê a sua vida prolongar-se para lá do seu próximo aniversário; um escritor televisivo com tendências narcisistas; uma rapariga que recorre ao álcool para lidar com situações repetitivas de abandono; e uma jovem recém-casada com uma doença terminal.

 

Este é um daqueles livros que eu considero leitura quase obrigatória para absolutamente toda a gente. Educa, de forma simples, o leitor comum sobre alguns dos aspetos da Psicologia mas, mais importante ainda, não é a isso que se propõe. Sim, Lori vai educar-vos sobre algumas coisas da área, mas este não é um livro técnico sobre Psicologia. É um livro repleto de humanidade.

 

Gostei imenso de acompanhar as histórias destas pessoas - mais do que a própria história da autora, confesso -, mas gostei ainda mais da quantidade absurda de reflexões e insights interessantíssimos que Lori Gottlieb traz para cima da mesa. Ainda mais, quando os faz enquanto psicóloga - consegui perceber, pelo livro, que ela deve ser uma profissional incrível no que faz, com uma awareness impressionante do que a rodeia e das pessoas que acompanha. Mais ainda, todos os momentos em que ela questiona os seus próprios julgamentos para poder dar uma resposta correta e imparcial aos seus pacientes fazem-me valorizar muito o seu trabalho.

 

«We tend to think that the future happens later, but we're creating it in our minds every day. When the present falls apart, so does the future we had associated with it. And having the future taken away is the mother of all plot twists. But if we spend the present trying to fix the past or control the future, we remain stuck in place, in perpetual regret.»

 

Para além disso, como formada em Psicologia, achei bastante interessante ver as diferenças que existem no ensino português e americano (spoiler: o nosso não presta, mas isso já muitos de nós sabíamos). Se alguma vez se perguntaram por que parece ser difícil encontrar psicólogos verdadeiramente bons em Portugal (ênfase no "verdadeiramente"), é porque de facto a preparação profissional neste país fica muito aquém do que devia.

 

Fora este aparte, este livro ainda me fez chorar algumas vezes. Tenho muita curiosidade de perceber como seria a experiência de o ler sem a formação em Psicologia - essa experiência não posso ter -, até porque acho que é um livro bastante acessível à maior parte da população. Será que satisfaz a curiosidade e fascínio de muitos com a área?

 

«(...) therapy is about understanding the self that you are. But part of getting to know yourself is to unknow yourself - to let go of the limiting stories you've told yourself about who you are so that you aren't trapped by them, so you can live your life and not the story you've been telling yourself about your life.»

 

Também a romantiza por vezes, talvez, mas isso são outros quinhentos. Voltando atrás: é um livro incrivelmente humano e acho que é uma experiência que faz valer mesmo muito a pena a leitura. Recomendo bastante. Li no Kobo (temos upgrade do meu Pocketbook não-tátil e rudimentar! 🥹) mas fiquei com vontade de comprar uma cópia física para reler e - eu que defendo um livro imaculado - fazer as minhas anotações.

 

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Quem conhece?

06
Fev25

Filmes | Wallace & Gromit, WALL-E, Inside & Nosferatu

Vera

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Wallace & Gromit: The Wrong Trousers | Wallace & Gromit: Vengeance Most Fowl

O primeiro é uma curta-metragem de 30 minutos e o segundo é a sequela do primeiro, mais de 30 anos depois do seu antecedente. Ambos incrivelmente fofos - acima de tudo pelo Gromit, e não pelo Wallace que continua um tonto que não sabe apreciar o cão que tem.

O único trabalho deste género que conhecia é o famoso Chicken Run (ou Fuga das Galinhas), mas são ambos filmes incríveis por todo o trabalho de stop-motion que está por trás. A narrativa, o uso da luz e a arte estão muito bons. São filmes muito engraçados e recomendo imenso.

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The Wrong Trousers

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Vengeance Most Fowl

 

WALL-E

Sei que é um crime nunca ter visto este filme, mas posso dizer que estou finalmente absolvida. Não me recordo do panorama do cinema de animação por esta altura (2008), mas imagino que este filme tenha sido de alguma forma revolucionário ou, pelo menos, transformativo.

Na verdade, é um filme incrível pelo simples facto de nos conseguir contar uma história praticamente sem quaisquer palavras. Dois robôs fazem-nos sentir tantas emoções só por gestos e expressões... "faciais"? Bom, o que interessa é que este é um filme lindíssimo e eu já posso sair do passeio da vergonha de quem nunca tinha visto. E sim, o WALL-E é muito, muito fofinho.

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Bo Burnham: Inside

Estou quase 4 anos atrasada mas, como se costuma dizer, mais vale tarde que nunca. Bo Burnham lançou este especial de comédia (se assim lhe quiserem chamar...) durante o isolamento da pandemia. Se dúvidas havia de que este ser é um autêntico génio, espero que este especial venha tirar todas essas dúvidas a quem as tem.

Não há palavras para esta obra: para a criatividade que aqui se encontra, o brilhantismo de quem faz de um filme um completo one man show, e de quem o faz incrivelmente bem. O uso que faz da luz e da composição fotográfica é maravilhoso neste filme, sobretudo se considerarmos que o cenário se reduz a uma única divisão, entre quatro paredes. A criatividade flui também em reacts de reacts de reacts, streams de jogos de simulação que na verdade são só a vida real, enfim... Vão ter de ver para entender.

Quem já conhece Bo Burnham, sabe que isto é comédia, mas não é bem comédia. Tal como em Make Happy, Bo Burnham mistura (ainda melhor, diria eu) seriedade e comédia da forma que só ele sabe fazer. E falando em Make Happy, quem já viu e conhece a devastadora música final - bom, neste filme ele revela que se afastou dos palcos por 5 anos porque tinha ataques de pânico antes dos espetáculos (e, de repente, tudo fez sentido).

O que me dói? É que entretanto passaram 4 e nunca mais se ouviu falar dele. Acho que dificilmente iremos voltar a ouvir falar de Bo Burnham no contexto da comédia e mundo humorístico. (Espero, no entanto, estar enganada.) Mas se for disso que precisa para se sentir bem, continuamos a ter estas excelentes obras para nos relembrar.

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Nosferatu (2024)

A primeira cena impressionou-me desde logo - com uma luz e fotografia tão incríveis que a personagem me parecia uma estátua. É um filme bom e diria que o ponto de destaque é a ambiência que cria. Toda a vibe creepy está bastante bem conseguida. Achei também que, no geral, os atores fizeram um bom trabalho.

Talvez seja só um pouco mais longo do que poderia ser, mas nada que seja péssimo ou insuportável.

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📖 A ler:



📺 A ver:

IT: Welcome to Derry, Temporada 1
Alien: Earth, Temporada 1
Taskmaster (UK), Temporada 19
Pluribus, Temporada 1
Stranger Things, Temporada 5
Alice in Borderland, Temporada 3

🎮 A jogar:

Fields of Mistria
Let's Go Pikachu
Little Nightmares

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