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fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

29
Out24

Spooky Season #2

Incidents Around the House, The Black Phone

Vera

Uma estreia literária e um filme nunca antes visto.

 

Incidents Around the House, Josh Malerman

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Temos livro de terror? Temos, o primeiro do Halloween e o primeiro da minha vida. Sendo terror um dos meus géneros preferidos no cinema, pergunto-me porque nunca o consumi nas minhas leituras até hoje. Mas que fiquei com vontade de ler mais depois deste livro, fiquei.

 

Incidents Around the House é do mesmo autor que escreveu Birdbox, cuja adaptação para filme cheguei a ver. Conta-nos a história de Bella, uma criança que há muito criou amizade com uma entidade que surgiu do seu guarda-roupa, que chama de Other Mommy (Outra Mãe) e que lhe pergunta constantemente se pode entrar no seu coração. Com uma resposta repetidamente negativa, esta entidade começa a perder a paciência e a agir de forma cada vez mais agressiva... Na realidade, a família de Bella esconde um segredo que acabará por mudar as suas vidas.

 

Devorei este livro em poucos dias e adorei. Conseguiu ser creepy na medida certa e até trazer algumas reflexões ligadas à questão da maternidade, por exemplo (embora este não seja, de todo, o foco do livro). Gostei muito da experiência de ler uma história narrada por uma criança e da forma como Josh Malerman moldou a sua voz. Apesar de nunca nos ser dita a idade de Bella, percebemos que é uma criança com idade suficiente para compreender certas coisas no mundo, mas que, ao mesmo tempo, ainda acarreta a inocência e ingenuidade tipicamente infantis. Gostei de certas ferramentas utilizadas, como por exemplo referir que os pais "costumam usar esta palavra" quando é um termo mais complexo, ou com frases com pouca ou nenhuma vírgula onde há muitos "e", que nos levam claramente ao pensamento menos estruturado de um menor.

 

Gostei da ambiência e do ritmo a que a história se desenrolou. As únicas críticas negativas que tenho são que não consegui ligar-me emocionalmente às personagens (inclusive, algumas delas são difíceis de gostar) e, além disso, não gostei do final. Achei-o um pouco confuso, não tanto no que descreve da história mas no que é suposto representar, e tive de ir procurar explicações. Não fiquei a entender muito mais, sinceramente. Achei um pouco anticlimático devorar um livro que estava a ser tão bem sucedido em agarrar o meu interesse para chegar ao final e ficar "...o quê?".

 

Gostava de ter tido um final mais esclarecedor, e acho que ficou a faltar um pouco mais de informação sobre a Other Mommy também - sem essa informação, o final tentou ligar duas coisas sem que uma delas tivesse tido assim tanta força no enredo. Ainda assim, recomendo muito a leitura e não nego que gostava muito que existisse uma adaptação audiovisual do livro - e certamente que veria.

 

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The Black Phone

The Black Phone

Finney, um jovem rapaz de 13 anos, é raptado por um homem de máscara - e não é a sua primeira vítima. Mantido num local fechado e à prova de som, um telefone preto desconectado começa a tocar incessantemente, e é quando Finney atende que descobre que do outro lado estão todos os adolescentes que o seu raptor capturou e matou.

 

Não tenho muito a dizer deste filme, não sinto que tenha tido algum ponto de destaque. Achei-o bom, mas também não achei nada de especial. Conta uma história linear e fá-lo de forma satisfatória. É um bom filme para entreter; gostei do enredo e dos atores (sobretudo a atriz que interpreta a irmã do jovem, achei-a bastante boa). Não acho que seja particularmente assustador (tirando um pequeno jumpscare que até a mim me apanhou, o que não é hábito), por isso é seguro para os espectadores mais medrosos.

 

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Deixei alguém com curiosidade?

24
Out24

Livros | Thirteen Reasons Why, Jay Asher

Vera

Aviso: suicídio

Tinha este livro há anos e, não vou mentir, a escolha de leitura não se deveu propriamente a um grande desejo de o ler. Comprei-o na altura em que a série da Netflix foi lançada mas, com o passar dos anos, sinto que a série me foi caindo mal e, por isso, olhei para o livro e pensei "vou ler para poder seguir em frente desta história de uma vez por todas". E bem, agora posso - mesmo que tenha acabado a gostar um pouquinho mais do que esperava.

 

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Para quem não conhece, Thirteen Reasons Why envolve algumas cassetes gravadas por Hannah Baker - mais especificamente, são treze lados para treze pessoas da sua escola, com quem interagiu e que, de uma forma ou de outra, tiveram um pequeno (ou grande) papel no seu suicídio. Neste livro, somos apresentados a Clay - uma das treze pessoas, sendo que chegou a sua vez de ouvir as cassetes e saber toda a verdade.

 

Vi algumas pessoas dizerem que acharam estas razões demasiado pequenas e irrelevantes para levar a um suicídio, mas discordo - não pela eventual pequenez, mas porque não acho que me cabe decidir isso sobre quem quer que seja. Não podemos ditar a importância que algo tem na vida de uma pessoa só porque, na nossa lente, é insignificante, nem temos esse direito. Estamos a falar de ficção, aqui, mas isto é algo importante de levar connosco para o mundo real - não temos o direito de dizer a alguém que está a sofrer tanto que aquilo que o está a fazer sofrer não tem qualquer importância. Aqui, ainda por cima, tratando-se de uma personagem adolescente, uma época em que tudo é tão intenso e a reputação importa tanto. E, como se isso não bastasse, temos o efeito bola de neve em que várias coisas vão acumulando e de repente temos uma montanha de problemas em frente.

 

Adiante, uma das principais críticas que tenho é a falta de profundidade. Nas personagens, dado que não nos é dado o suficiente para, por vezes, conseguirmos sequer distinguir entre quando é o Clay a falar ou quando é a Hannah - sendo que o livro formata as cassetes a itálico, mas há momentos em que os pensamentos destas duas personagens se entrelaçam de tal forma que nem esse suporte visual ajuda no imediato.

 

Mas achei um livro um pouco superficial também na história - o carinho e "relação" que existiam entre Clay e Hannah são-nos explicados, tantas vezes, mas nunca senti que fossem mostrados. O Clay parecia tão perturbado com a morte da Hannah, tão apaixonado por ela, tão emocionalmente envolvido, mas nas cenas que partilhavam a dois quase nem amigos me pareciam. Não senti a conexão entre ambos. Adicionalmente, houve certas cenas que eram pesadas por si só, mas que Jay Asher pareceu escolher passar por cima delas (spoiler alert: como a da violação da Jessica), e para ser franca não percebi essa escolha. Acho que o livro por si só já trata de temas pesados, e a história tornou-se polémica e chocante com a série da Netflix. Esta cena em específico podia e, na minha opinião, devia ter sido mais aprofundada do que foi - se é para arriscar e chocar, então deveria arriscar em tudo e não jogar pelo seguro.

 

Apesar disto, gostei da leitura e acabou por ser um pouco mais leve que a série, por não se focar tanto nas outras personagens quanto a adaptação televisiva o fez. Não é um livro que tenha mudado a minha vida, mas foi uma leitura prazerosa que baste.

 

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Quem por aqui já leu?

 

Segue-me no Storygraph

20
Out24

Spooky Season #1

It's the Great Pumpkin, Charlie Brown & Abigail

Vera

Não sei o que se passa este ano, mas sinto um maior gosto por duas coisas pelas quais nunca tive particular apreço: o Outono (embora desconfie que seja porque, ao contrário de muitos outros anos, estou de facto a poder experienciar um Outono genuíno e não um que só aparece no calendário mas que se assemelha a um Verão tardio ou um Inverno precoce), e o Halloween. Sempre fiz questão de ver pelo menos um filme de terror nesta altura, coisa que já sabem que adoro, mas nunca liguei muito ao Halloween em si. A verdade é que sinto isso a mudar - a ponto de olhar para decorações de Natal (uma época que tanto aprecio) à venda e pensar "acalmem-se, ainda não é altura! Deixem o Halloween em paz!". Aliás, se me visitam de um computador, já repararam no meu cursor de morcego? 

 

Como tal, em honra desta pequena mudança em mim (que espero que perdure pelos próximos anos), criei agora uma pseudo-rubrica (são só mais reviews normais, como já faço, mas com um nome temático) para durar também ela muitos anos. E para a inaugurar, venho falar-vos de dois filmes que vi, um bastante diferente do outro.

 

It's the Great Pumpkin, Charlie Brown

Poster do filme It's the Great Pumpkin, Charlie Brown

Tenho 31 anos, mas já vivi experiências precoces como perder a minha mãe em idade jovem. Há duas coisas que me lembram muito dela: o Sozinho em Casa e Peanuts. Nenhum deles pela regularidade, mas talvez pelos momentos que proporcionavam. O primeiro era o filme que via religiosamente todos os anos no Natal e com o qual ria alto sempre. O segundo porque de vez em quando apanhávamos o filme de Natal, ou episódios soltos, na televisão e víamos juntas. Ambos ligados pelas duas à braseira no sofá da cozinha (sim... temos um sofá na cozinha) a ver televisão.

 

Bom, Peanuts - os comics criados por Charles Schulz que nos apresentaram a Snoopy e Charlie Brown - sempre foi algo que gostei, não numa adoração ferverosa, mas num agrado que sempre existiu no fundo do meu coração. E ultimamente o meu namorado passou a conhecer mais pequenos excertos deste pequeno mundo, pelo que decidimos ver o filme de Halloween.

 

Um filme de animação curtíssimo (25 minutos) que se centra sobretudo na carta que Linus escreve à Great Pumpkin, e na noite de Halloween - com os seus amigos a pedir doces ou travessuras pelas casas, enquanto Linus aguarda pacientemente que a Great Pumpkin apareça. No fundo, uma espécie de Pai Natal em que só ele acredita. O filme é aquilo que se pode esperar de Peanuts: engraçado, fofinho e bonito. Vou querer muito ver o de Natal na altura, ainda tenho memórias dele.

 

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Abigail

Poster do filme Abigail

Para algo completamente diferente, vimos Abigail: um filme de terror que nos mostra um grupo de criminosos contratados para raptar Abigail, uma menina que tem um pai bastante rico. Cada um desses criminosos (anónimos à moda da primeira temporada de La Casa de Papel) vai sair muito mais rico desse rapto, não fosse o facto de os fecharem na casa onde mantêm a menina e começarem a morrer misteriosamente, um a um.

 

Um filme que me lembrou muito And Then There Were None de Agatha Christie (aliás, o próprio filme faz-lhe referência), mas em versão gore e terror. É o melhor filme de terror de todos os tempos? Não, mas também não é o pior. Propõe-se a contar uma história e fá-lo de forma a entreter-nos. É um bom filme para tarde de Domingo (se filmes de terror forem a vossa cena, claro está).

 

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Espero ter em breve mais sobre o qual vos falar com ligação ao Halloween... incluindo um livro!

 

Conhecem alguma destas obras? Têm celebrado a época ou são dos que não ligam? Contem-me tudo!

09
Out24

Jogos | Dorfromantik

Vera

Se procuras um jogo simples, descontraído e relaxante, com uma estética agradável e uma ambiência calma, não procures mais - este é o jogo para ti.

 

 

Dorfromantik é um jogo de puzzle de construção de cidades e parte de uma premissa bastante simples: dá-nos um número limitado de peças em forma octogonal, com as quais temos de construir uma cidade, fazendo corresponder ao máximo as faces de cada peça.

 

Existem diversos tipos de faces: árvores, campo, terra, casas, água, caminhos de ferro... Conseguimos a maior pontuação possível ao fazer corresponder árvores com árvores, terra com terra, e por aí adiante, ficando esta missão obviamente mais complicada quando temos 3 ou 4 faces para tentar completar.

 

 

No meio de tudo isto, existem quests que funcionam como uma espécie de desafio, mas que podemos facilmente ignorar. Aliás, não é obrigatório que as faces correspondam umas às outras, pelo que uma pessoa de perfil mais caótico pode perfeitamente jogar o jogo dessa forma também. Ao completar quests, no entanto, o jogo vai-nos oferecendo mais peças. Estas quests são coisas do género "construir 30 casas" num determinado número de peças.

 

Parece simples, mas o jogo é mais difícil do que parece e exige também mais esforço mental do que aparenta. Ainda assim, é o jogo perfeito para descontrair - sobretudo pela sua estética lindíssima, com cores incríveis, mas, ainda mais, pelo soundtrack tão calmo e maravilhoso. Ora espreitem só 👇

 

 

Recomendo muito este jogo, tenho gostado muito de o jogar após um dia cansativo de trabalho. Deixo só o aviso à população: não parece, mas um jogo só dura, sem problema, mais de uma hora! Embora possam parar e retomar sempre que quiserem. E também tem vários modos de jogo, contudo, eu ainda só joguei o modo clássico e não consigo dar feedback dos restantes.

 

Alguém aqui já conhecia? Deixei alguém com vontade?

01
Out24

Livros | Gente Ansiosa, Fredrik Backman

Vera

Imagem do livro Gente Ansiosa de Fredrik Backman

 

Uma analista bancária com um coração de gelo, uma idosa à espera do marido que foi estacionar o carro, um casal de reformados à procura do seu próximo investimento, duas mulheres casadas prestes a serem mães, uma agente imobiliária e um homem vestido de coelho. O que é que estas pessoas têm em comum?

 

Na antevéspera de Ano Novo, um ladrão de bancos inexperiente acaba por acidentalmente fazer deste grupo de pessoas seus reféns, numa visita aberta a uma casa à venda, após falhar o assalto a um banco sem dinheiro.

 

Mas este livro não é sobre um crime. Tem dois polícias medianos e que não se entendem muito bem a tentar resolver o caso, mas não é um policial. Gente Ansiosa, de Fredrik Backman, é um livro focado nas personagens, na sua construção, nas suas histórias, no que as torna únicas e como foram parar ali. Não é sobre o caminho que fizeram para chegar àquela casa, é sobre a vida que os levou àquele momento, àquele dia. A estar ali com um grupo de desconhecidos, cada um mais tonto que o outro.

 

«(...) todas as manhãs, a responsabilidade enche-nos de um terror mortal. Não temos um plano: limitamo-nos a fazer o que podemos para chegar ao fim do dia, porque amanhã começa outro.

Às vezes dói, dói mesmo, nem que seja apenas por parecer que a pele que vestimos não é a nossa. Às vezes entramos em pânico porque é preciso pagar as contas e temos de ser adultos e não sabemos bem como, porque é com uma facilidade horrível e assustadora que se fracassa nisto de ser adulto.»

 

Como livro menos focado na história, demorou um pouco a conquistar-me, até porque achei que começou com um ritmo lento, onde o enredo não avançava muito - sendo que até achei a fórmula um pouco repetitiva ao início (capítulo normal, interrogação vaga, capítulo normal, interrogação vaga...). Eventualmente, porém, estas pessoas começaram a conquistar-me, aos poucos, com as suas histórias. Muito à semelhança do que aconteceu com A Man Called Ove, do mesmo autor, na verdade.

 

E tal como este livro, Gente Ansiosa é também uma história sobre o que nos torna humanos e sobre os laços que criamos com as pessoas; sobre como cada um de nós tem as suas vulnerabilidades, e como nem sempre as nossas escolhas nos definem enquanto pessoas.

 

«Alguns de nós nunca conseguem controlar o caos por completo, por isso as nossas vidas vão simplesmente andando, e o mundo vai girando pelo espaço, a milhões de quilómetros por hora, enquanto saltitamos na sua superfície como peúgas perdidas.»

 

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Quem já leu? E num assunto pouco relacionado: alguém por aqui usa o StoryGraph? Resolvi deixar o Goodreads para entrar em experimentações e agora tenho uma conta solitária. Sigam-me por lá!

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📖 A ler:



📺 A ver:

IT: Welcome to Derry, Temporada 1
Alien: Earth, Temporada 1
Taskmaster (UK), Temporada 19
Pluribus, Temporada 1
Stranger Things, Temporada 5
Alice in Borderland, Temporada 3

🎮 A jogar:

Fields of Mistria
Let's Go Pikachu
Little Nightmares

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