Jogos | It Takes Two
Já há muito tempo que um jogo não me entusiasmava tanto.
It Takes Two é um jogo cooperativo para ser jogado a dois (idealmente, dada a narrativa, por um casal, mas obviamente não é obrigatório) e mostra-nos May e Cody, um casal que, com o passar dos anos, vê a sua relação desmoronar e culminar no pedido de divórcio. A sua filha, Rose, sente-se obviamente mal por ver os seus pais não se darem mais um com o outro e sente-se culpada por isso. Um livro de auto-ajuda para casais na posse da filha e as suas lágrimas são a origem do que acontece a seguir: May e Cody acordam em corpos de bonecos e têm de fazer de tudo para voltarem a ser humanos, não imaginando que para isso só precisam de trabalhar na sua relação.
Este jogo ganhou o prémio de Game of the Year de 2021 e agora que o joguei percebo perfeitamente o porquê. Que jogo absolutamente incrível!
Apesar de, na altura, ter visto algumas imagens do jogo e ter visto pessoas a jogá-lo, aqui e ali, e apesar de saber que se tratava de um jogo para duas pessoas, a verdade é que não sabia muito mais que isso. E este é um daqueles jogos em que a experiência é melhor quando se sabe pouco daquilo para o que se vai, deixando que o jogo nos vá surpreendendo à medida que progredimos.
Quase me faltam palavras para falar de It Takes Two, que se tornou sem qualquer dúvida um dos melhores jogos que já tive o prazer de experienciar na vida. Não só nos envolve emocionalmente na narrativa, como se torna incrivelmente imersivo pelos cenários que nos apresenta. É um jogo estupidamente variado nesses mesmos cenários e nos capítulos pelos quais passamos - faz-se ali um pouco de tudo. Vivemos uma imensidão de experiências distintas, sendo que ainda acrescenta a todas elas vários mini-jogos, quase em jeito de "Easter egg", que vamos encontrando pelo caminho e que quebram a colaboração do jogo para criar também alguma competitividade.
Parece um jogo leve e descontraído, e de certa forma é, mas faz questão de se elevar como um jogo técnico e tático quando nos coloca defronte de final bosses, tal e qual como num Half-Life, num Skyrim, num Elden Ring.
Ao longo do jogo, vamos experienciando capítulos e cenários ligados ao casal e à sua história - tanto a dois, como enquanto indivíduos -, sendo subtil a evolução do casal para o reconcílio.
É um jogo relativamente curto, mas incrivelmente divertido e um dos seus pontos fortes é, sem dúvida alguma, a diversidade - de cenários, de mecânicas de jogo, de mini-jogos, de experiências... Por alguma razão se tornou jogo do ano.
Recomendo muito, muito, muito, e acreditem quando vos digo que na história deste blog, esta é das recomendações mais fortes e genuínas que vos faço, de coração. Se me vierem aqui dizer um dia que jogaram e adoraram, vou ficar muito feliz.

Deixei pessoas com vontade? Alguém já jogou este jogo incrível? Se quiserem saber mais (mas eu recomendo um simples salto de fé), deixo aqui o gameplay trailer:


