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fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

22
Mai24

Livros | Quando os Rios se Cruzam, Rita da Nova

Vera

Depois de As Coisas Que Faltam, a Rita da Nova voltou com o seu segundo livro a solo: Quando os Rios se Cruzam, e eu, claro, não podia deixar de o comprar e ler.

 

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Este livro começa com Leonor, sentada numas escadas acompanhada de uma estranha a quem conta a história da sua época de Erasmus - experiência que viveu há 10 anos e que mudou a sua vida para sempre -, numa tentativa de adiar encontrar-se novamente com o seu passado.

Leonor passa o seu último semestre da Licenciatura em Turim, na Itália, pronta a descobrir-se a si mesma num sítio onde ninguém a conhece e sem o controlo da sua mãe. Leo descobre facetas em si que desconhecia, para o bem e para o mal, e algumas deixarão marcas para o resto da sua vida.

 

Estava muito curiosa por ler esta história, sobretudo porque toca em algo em que penso muitas vezes: como seria se estivesse num sítio onde ninguém me conhece? Infelizmente, eu não tive a oportunidade de fazer Erasmus, nem nunca tive a experiência de estar sozinha noutro país à descoberta, mas é algo em que penso bastante e pergunto-me, muitas vezes, como teria sido caso tivesse acontecido.

 

Gostei mais deste livro do que do primeiro, mas acho que em muito se deveu também à personagem e à própria história, que contém um pouco mais de "ação" em relação ao seu primeiro livro. Porém, não consigo deixar de sentir que a Rita ainda está um pouco contida na sua escrita e nos seus livros - que podia arriscar mais, fazer escolhas mais ousadas. Acredito que ela ainda tem muito para nos mostrar.

 

Vou começar pelos pontos negativos, para acabarmos em bem. Este é um livro que acaba por se centrar na amizade feminina - na cumplicidade entre Leonor e a sua amiga Daniela, na importância de Daniela na sua vida e naquela experiência. Mas, para um livro que pretende focar-se nesta amizade, achei que o enredo não acompanhou totalmente esse objetivo. Sinto que foi a relação com o homem que foi o elemento mais aprofundado, ao invés da relação de companheirismo com a sua amiga. Com exceção da cena do parque, onde a cumplicidade entre as duas nasceu, não consegui acreditar na Leonor de cada vez que falava da importância da sua amiga. Sinto que me foi dito, mas não mostrado.

 

Para além disto, também senti que algumas das personagens e conexões com as mesmas podiam ter sido mais aprofundadas - sobretudo com o Luís, por exemplo, que acaba também por mostrar alguma cumplicidade com a Leonor no "final", mas não é tão vista ao longo do livro. Entendo que as relações humanas não sejam todas iguais e tenham todas graus variados de profundidade, mas tirando as duas personagens que mais afetaram a Leonor, senti que o restante eram só pessoas que estavam lá por acaso, e que podiam ser outras quaisquer. Não senti que houvesse um papel muito significativo de cada uma delas no conjunto de tudo.

 

Por último, achei o final um pouco apressado e, mais uma vez, sinto que me foi transmitido que, de alguma forma, contar aquela história foi catártico para Leonor, mas não o consegui sentir. Acho que o final poderia ter sido um pouco mais aprofundado - e nem digo muito, um ou dois parágrafos a mais talvez bastassem.

 

Para passarmos aos aspetos positivos, gostei da forma como a Rita conduziu a história como um todo. Acho que conseguiu colocar algum mistério no enredo, fez-me devorar o livro o mais rápido que consegui para perceber 1) porque é que Leonor estava com tanto medo de entrar num prédio e de se reencontrar com pessoas; 2) quem eram as pessoas (claro que isto é respondido muito cedo no livro); e 3) porque é que o fogo parecia ter um papel tão importante nesta história. Este último deixou-me especialmente curiosa, já que eu sabia que a Rita não ia ser uma Colleen Hoover da vida, por isso só queria chegar à parte em que percebia de que forma completamente normal e saudável é que ela iria incorporar este elemento na história.

 

Gostei também imenso de conhecer Turim através deste livro (embora não tenha sentido que a cidade era uma personagem, na sua totalidade). Sempre que existia uma menção a algum local, corria ao Google no telemóvel para procurar fotos de todos os sítios.

 

Achei que a adição dos familiares e das relações que Leo tem com os diferentes membros da sua família foi uma escolha muito boa para aprofundar as personagens e contextualizar mais da vida e do passado de Leonor, bem como a pessoa em que se tornou, antes e mesmo depois de Turim.

 

No geral, acho que o livro vale a pena, tem uma história e premissa interessantes e, como referi em cima, gosto ainda mais deste do que do primeiro. Estou muito curiosa por ver o que mais a Rita da Nova tem para nos oferecer!

 

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Por aqui, quem já leu? O que acharam?

11
Mai24

Séries | Baby Reindeer

Vera

Poster da série Baby Reindeer

Netflix

 

Donny é um comediante com pouco sucesso que não imagina sequer que um pequeno ato de simpatia trará para a sua vida uma situação preocupante de perseguição e obsessão. Quando Martha entra no bar onde Donny trabalha, cabisbaixa e chorosa, Donny decide oferecer-lhe um chá - e é a partir daqui que Martha começa a criar uma obsessão com o comediante, enviando constantemente mensagens e tornando-se sua stalker.

 

A série é baseada numa história real e aconteceu mesmo... com o próprio ator que faz de Donny: Richard Gadd. É uma série incrivelmente pesada, que não toca apenas na perseguição que Donny sofre por parte de Martha, mas também noutras situações traumáticas que este viveu e que acabam também por explicar um pouco as atitudes do comediante face à sua stalker.

 

Há um aspeto que considero importantíssimo nesta série: Richard Gadd não tentou mostrar-se como o "herói" na história, acho até que foi bastante corajoso em mostrar todos os erros que cometeu. A sua história é muito complexa, relembra-nos que nenhuma experiência é preto no branco e que absolutamente ninguém é perfeito.

 

Acho que a série é um excelente teste à empatia das pessoas (e posterior exercício da mesma aos que falharam um pouco no teste). Vi tanta, tanta gente julgá-lo, criticá-lo pelas suas escolhas face à situação nos episódios iniciais. E vi tanta, tanta gente mudar de ideias assim que nos foi mostrado mais da sua história e do que está por detrás das suas ações.

 

Acima de tudo, acho que é precisa muita coragem para reviver todos os traumas novamente nesta série, e também muita coragem e vulnerabilidade para se mostrar ao mundo com todos os seus problemas e complexidades, sabendo que nem ele próprio irá sair no fim como algum "santo".

 

É uma série perturbadora, mas muito bem feita e que, na minha opinião, apenas pretende mostrar a importância de termos empatia pelo outro e percebermos que há problemas e experiências por detrás de comportamentos poucos saudáveis em pessoas que só precisam de ser ouvidas e ajudadas.

 

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Quem já viu? O que acharam?

04
Mai24

Séries | Fallout

Vera

2024 presenteou-nos com mais uma série baseada em vídeojogos, algo que se tem tornado uma tendência nos últimos anos e, com alguns sucessos (como The Last of Us) e alguns fracassos (como Resident Evil), por mim podem continuar.

 

Poster da série Fallout

Amazon

 

A série ocorre 200 anos após um ataque nuclear que destruiu a humanidade, apresentando-nos a Lucy e os seus "vizinhos" do cofre 33, um dos muitos bunkers que abrigaram a civilização sobrevivente ao longo de todos estes anos. Após um acontecimento grave nos bunkers, Lucy vê-se obrigada a sair e enfrentar a realidade "lá fora", onde percebe que a radiação não é o único perigo. Além de Lucy, Fallout é protagonizado por outras personagens e enredos paralelos: Maximus, um soldado de uma espécie de exército; e "o Ghoul", uma personagem misteriosa que parece ter uma ligação ao passado de há 200 anos.

 

Apesar de, tal como The Last of Us, ser uma série pós-apocalíptica, a verdade é que não podiam ser séries mais diferentes. Não só pelo perigo que as distingue, mas pelo facto de Fallout não se levar tanto a sério. Nota-se que é uma série mais divertida, apesar do cenário sério e trágico que a envolve; para além disso, tem certos elementos que nos dizem desde logo que não pretende ser uma série super hiper mega realista, nem fazer-nos sentir que "isto podia mesmo acontecer um dia".

 

Para mim, foi uma série que demorou a convencer-me. Tive há pouco tempo uma discussão com o meu namorado sobre histórias de ritmo lento - categoria em que colocaria Fallout, pelo menos inicialmente, que demorou a "pegar" -, e em como não me atraem tanto. Sinto que dizer isto, hoje em dia, é polémico - que alude desde logo à "geração TikTok" (da qual nem faço parte, mas tudo bem) e ao facto de que já ninguém consegue consumir conteúdo menos rápido e mastigado. Não tenho problemas em que as coisas levem o seu tempo, mas é preciso saber-se trabalhar com isso. Severance, por exemplo, tem um ritmo bastante lento e, no entanto, é uma das minhas séries preferidas. Mas se, pura e simplesmente, não há nada de nada a acontecer, desculpem, mas vão perder-me um pouco. Em todo o caso, eu já por aqui disse 1001 vezes que os enredos e as histórias são mesmo o que mais me interessa nas obras, e que conteúdos que coloquem esses aspetos em segundo plano em prol de outros tendem a ser dos que menos me agradam.

 

Tudo isto para dizer, mais uma vez, que Fallout demorou um pouco a convencer-me, de facto. Não é que fosse má série, de todo, mas a história estava a demorar a engrenar, não havia nada que me agarrasse. Eventualmente, porém, um dos episódios apresentou algo que começou - aí sim! - a suscitar o meu interesse. Desde então, devorei o resto da série e, no final de contas, acabou por me agradar bastante.

 

Gosto que efetivamente seja uma série que não se leve tão a sério - acaba por, dessa forma, não só nos apresentar alguns momentos mais divertidos e engraçados, como mostrar-nos alguns elementos menos realistas que acabam por fazer parte da própria lore deste universo e de contribuir para a sua identidade própria.

 

Esta primeira temporada acabou por ser bastante interessante, tendo conseguido o equilíbrio ideal entre dar-nos algumas respostas necessárias e deixar-nos com mais perguntas - e com muita curiosidade de ver de que forma os seres humanos vão renovar os estragos no mundo após a grande mudança que ocorre no final. Além disso, ainda há alguns mistérios por resolver, como a situação do Ghoul, por exemplo.

 

É difícil que alguém ainda não tenha visto esta série, mas se ainda não o fizeram, recomendo! Pode ser vista no Prime.

 

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Para quem já viu: o que acharam? O interesse, para vocês, também foi demorado ou, tal como a maioria das pessoas que viu, conquistou-vos desde logo?

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📖 A ler:



📺 A ver:

IT: Welcome to Derry, Temporada 1
Alien: Earth, Temporada 1
Taskmaster (UK), Temporada 19
Pluribus, Temporada 1
Stranger Things, Temporada 5
Alice in Borderland, Temporada 3

🎮 A jogar:

Fields of Mistria
Let's Go Pikachu
Little Nightmares

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