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fire and earth

Livros, séries, filmes e muito mais ♥

08
Mar24

Filmes | Óscares 2024: Anatomy of a Fall, The Zone of Interest

Nomeados para Melhor Filme

Vera

Chegámos à última publicação de filmes vistos e nomeados para os Óscares deste ano. A minha lista de filmes para ver era bem mais ambiciosa (muito mais), mas claramente de forma completamente irrealista. Ainda assim, ainda consegui ver uns quantos. Aviso que esta publicação vai ser um pouco mais longa, acabo por ter muito que dizer sobre estes filmes e não consigo reduzi-los a umas linhas!

 

Anatomy of a Fall

Poster do filme Anatomy of a Fall

Neste filme, um homem é encontrado morto do lado de fora de um chalé isolado numa zona de neve, onde morava com Sandra, a sua mulher, e com o filho de 11 anos com deficiência visual. A causa de morte é incerta: não se consegue averiguar com certeza se se tratou de um suicídio ou se alguém o matou, e a única testemunha é o filho de 11 anos que, devido à sua condição, não consegue dar um relato preciso. Assim, Sandra é a principal suspeita, acabando por ir a julgamento e colocando o filho neste conflito.

Gostei muito deste filme e vou deixar para vocês próprios descobrirem se no fim têm respostas sobre o que realmente aconteceu ou não, porque acho que é muito mais giro assim. Acho que o filme acaba por ser muito mais focado no julgamento, na relação do filho com a mãe, e na relação entre o casal. Tudo isto acaba por colocar um holofote em Sandra que, de forma certa ou errada, acaba a ser julgada por muito mais do que apenas a morte pela qual foi indiciada. Neste sentido, acho que há aqui uma componente feminista algo subtil (não é tanto um "não deve ser julgada por ser mulher/não está errada na mesma?", é mais um "como é que isto seria se os papéis se invertessem e estivesse um homem ali como réu? Será que algumas coisas aqui seriam ligeiramente diferentes?" - pelo menos, foi assim que me deixou).

Mas o foco do filme não é este; como disse, achei este aspeto subtil. O destaque para mim acaba por ir para todas as cenas em tribunal e para a Sandra enquanto personagem - achei-a muito fria, não há qualquer momento do filme em que vejamos qualquer emoção da parte dela: não há tristeza ou raiva por ser acusada, não há alívio ou esperança em momentos que a defendem mais fortemente, não há sofrimento pela perda do seu marido. Não é que a personagem seja propositadamente fria e cruel, não é que olhemos para ela e pensemos automaticamente "deve tê-lo matado, parece mesmo psicopata!" - de todo! É que ela é simplesmente sublime a não mostrar qualquer emoção, da forma mais natural possível. Sinceramente, não vos consigo explicar, mas acho que o facto de não conseguir traduzi-lo em palavras reflete o trabalho incrível que Sandra Hüller fez em interpretar a personagem (sim, com o mesmo nome).

Também é muito interessante ver a realidade francesa do tribunal, em oposição à que conhecemos dos Estados Unidos, assim como a forma como sentimos tão bem a tensão entre o casal, sobretudo na cena inicial, e como nos faz sentir tão desconfortáveis. Recomendo muito este filme! Está nomeado para Melhor Filme, Melhor Atriz Principal, Melhor Realização, Melhor Guião Original e Melhor Edição.

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The Zone of Interest

Poster do filme The Zone of Interest

From A24

The Zone of Interest apresenta-nos à família de Rudolf Höss, o comandante de Auschwitz, que vive com a sua esposa Hedwig e os seus filhos numa bela casa mesmo ao lado do campo de concentração. Espero que notem a ironia no "bela casa" porque o filme propõe-se precisamente a mostrar a vida quotidiana e tão boa, tão normal (!) de uma família que está a tentar desfrutar e lutar pela sua vida de sonho enquanto no fundo se ouvem todos os acontecimentos horríveis que conhecemos, ou vemos as chaminés deitar fumo (não preciso de dizer do quê...), ou personagens incomodadas com o cheiro.

É definitivamente o lado da história que ainda não tínhamos tido. Chegamos a ver Hedwig muito feliz por ganhar um casaco novo que veio do "Kanada" - nome dos armazéns onde se guardavam basicamente os pertences dos prisioneiros de Auschwitz.

O filme tem um trabalho de som muito bom, até porque somos relembrados dos horrores do outro lado daquela vida de sonho através de muitos elementos sonoros. Também tem algumas escolhas interessantes, como o uso de um ecrã vermelho em determinado momento da história, algumas cenas filmadas a negativo e até o facto de a fotografia ser bastante natural, reforçando a naturalidade com que as personagens experienciam a sua vida.

Apesar destes pontos e da mensagem, confesso que cheguei ao fim com a sensação de que algo faltou - e aviso desde já que, pelo que tenho visto, sou das poucas pessoas a achar isto, porque toda a gente adorou o filme. Estou aqui a teorizar, mas talvez seja o facto de o filme não ter um fim claro. E sinceramente, não acho que precise de ter, por isso não sei porque é que isso me deixou menos "impactada" (à falta de melhor palavra).

Não consegui perceber com clareza a intenção do filme (para além da mensagem que referi acima), sobretudo quando no final (não acho que seja spoiler, mas se não quiserem saber muito sobre o filme saltem para o parágrafo seguinte) foram mostradas imagens do atual Museu de Auschwitz; ou a parte do baile (mas esta eu dou de barato, provavelmente é completa ignorância minha em relação à história e vou pesquisar), mas se alguém me quiser explicar qualquer uma delas, eu agradecia.

Ainda assim, acho que este filme tem vindo a ficar mais comigo depois de o ver do que quando o vi, tanto que depois de pensar um pouco sobre ele acabei por subir um pouco a minha avaliação. Recomendo que o vejam porque de facto acho que é um filme poderoso (sim, mesmo quando eu noto que o impacto que teve em mim foi ligeiramente menor do que o que vi nos outros).

Está nomeado para Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Realizador, Melhor Guião Adaptado e Melhor Som.

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Convido-vos a lerem sobre todos os filmes sobre os quais escrevi no link abaixo. Quais são as vossas apostas para os Óscares? Teriam interesse em ver as minhas (já que este ano vou fazer em competição com o meu namorado )?

 

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Clica neste link para veres todas as reviews que escrevi de outros filmes nomeados para os Óscares de 2024.

06
Mar24

Filmes | Óscares 2024: Elemental, Spider-Man: Across the Spider-Verse

Nomeados para Melhor Filme de Animação

Vera

Estava a aguardar por mais visionamentos da minha parte para lançar esta publicação (e outra com mais filmes dos nomeados para Melhor Filme) mas, tendo em conta que estamos a menos de uma semana da cerimónia, não sei se vou conseguir ver mais filmes até lá. Por isso, hoje venho falar-vos dos dois filmes que consegui ver da categoria de Melhor Filme de Animação.

 

Elemental

Poster do filme Elemental

From What's on Disney Plus

 

Em Elemental, vemos uma família ligada ao elemento do fogo migrar para a Element City em busca de uma vida melhor. Esta família cria um negócio: uma mercearia que eventualmente será herdada pela filha, Lumen. Mas, por causa dela, um inspetor do elemento de água, Wade, descobre que a mercearia não se encontra nas melhores condições, o que coloca o negócio e toda a vida construída por esta pobre família em causa.

Adorei este filme da Pixar, acho que tem mensagens extremamente importantes ligadas ao preconceito e a história em si é muito bonita. O enredo tem muitas nuances, não apenas o típico romance mas o amor à família, a importância de seguirmos os nossos sonhos, e uma reflexão sobre podermos todos viver em harmonia.

Achei um filme mesmo muito bonito e recomendo a 100%.

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Spider-Man: Across the Spider-Verse

Imagem do filme Spider-Man: Across the Spider-Verse

From Sony Pictures Animation

 

Após o primeiro filme, Miles Morales regressa ao multiverso para se juntar a uma equipa de "Pessoas-Aranha" na luta contra um novo vilão... e contra si mesmos.

Se lerem a review que escrevi do primeiro filme, quase não tenho nada a acrescentar de novo a este: esta série de filmes está a torná-los em alguns dos meus filmes favoritos de animação, porque o trabalho é tão incrível.

Por isso, vou mesmo só repetir os pontos que referi no primeiro: enredo interessante, animação e escolhas criativas absolutamente maravilhosas, um soundtrack incrivelmente apropriado. Que trabalho soberbo que está nestes filmes. Vejam!

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Ainda quero muito ver, pelo menos, o The Boy and the Heron do Studio Ghibli, infelizmente acho que já não o farei a tempo da cerimónia dos Óscares. Já viram algum destes filmes?

 

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Clica neste link para veres todas as reviews que escrevi de outros filmes nomeados para os Óscares de 2024.

03
Mar24

Filmes | Spider-Man: Into the Spider-Verse

Vera

Tive de ver este filme antes de ver a sua sequela - Spider-Man: Across the Spider-Verse -, que foi nomeada para os Óscares. Só me pergunto porque é que não o vi mais cedo.

 

Este é um daqueles filmes em que vos digo já, de antemão: não gostam de filmes de super-heróis? Vejam! Sim, a sério. Não sabem o que estão a perder.

 

Poster do filme Spider-Man: Into the Spider-Verse

From Vintage Movie Posters

 

Em Spider-Man: Into the Spider-Verse, somos apresentados a Miles Morales, um jovem de Brooklyn que, mordido por uma aranha, se torna no "novo" Homem-Aranha, logo após a morte de Peter Parker, o "verdadeiro" Homem-Aranha. Acontece que, ao visitar o túmulo do super-herói, Miles é surpreendido pelo próprio Peter, vivo, em carne e osso. É só quando descobre que este Peter veio de um universo paralelo que Miles percebe que existem muitas outras versões do Homem-Aranha.

 

Este filme é um filme de animação e é um dos melhores filmes de animação que já vi na vida. E o seu destaque é mesmo esse: a animação. O estilo, as cores utilizadas e cada escolha criativa que foi feita visualmente neste filme complementam muito bem com um soundtrack que também é incrivelmente apropriado e uma história que nos oferece versões tão diferentes, e algumas tão inimagináveis, do Homem-Aranha.

 

É um filme incrivelmente divertido, por podermos ver todas essas versões ganhar vida, com todos os elementos únicos que as distinguem - mas também pelos vilões que apresenta e, acima de tudo, por fazer tudo isto com uma animação tão particular que é impossível alguma vez dizermos que é um filme animado "bem normal".

 

Recomendo muito e, como referi acima, recomendo até às pessoas que não gostam tanto deste tipo de filmes (de super-heróis). Se gostarem de filmes de animação, garanto-vos que estão a perder algo mesmo muito, muito bom.

 

Fiquei bastante surpreendida pela positiva e, no que toca a mim, este filme destrona qualquer um dos outros (dos que vi, pelo menos) do Homem-Aranha. Desculpem qualquer coisinha, mas o Miles Morales para mim já ganhou. Peter Parker who?

 

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Estou a brincar, não se zanguem. Mas vá, agora digam-me lá: quem é que aqui já viu? E quem é que ficou com curiosidade de ver?

01
Mar24

Livros | Deve Ser, Deve, Guilherme Fonseca

Vera

Depois de cerca de uma semana sem computador, estou de volta para falar-vos de coisas que tenho consumido nos últimos tempos - a maior parte, em atraso... Lembrem-me para nunca mais fazer questão de ver vários dos filmes nomeados para os Óscares (tenho tanta coisa sobre o que escrever ainda... socorro).

 

Foto do livro Deve Ser, Deve, de Guilherme Fonseca

 

Em Deve Ser, Deve, Guilherme Fonseca fez um extenso trabalho de pesquisa para nos apresentar as formas de pensar por detrás das mais variadas "teorias chalupas" e os argumentos que os seus adeptos utilizam. Fazendo uma breve distinção entre conspiracionista e negacionista (este último, o verdadeiro protagonista do livro), Guilherme expõe-nos ao negacionismo da pandemia, da morte de certas celebridades e até da existência de Leiria, entre outras, neste livro repleto de humor. E claro, com direito à pequena secção "Mas vamos imaginar que sim..." no fim de cada capítulo, em que nos fala como se tudo aquilo fosse, de facto, verdade.

 

Sendo um livro de humor, é uma leitura bastante divertida e que ainda me fez rir umas quantas vezes - tanto por piadas escritas pelo Guilherme, como pelo facto de que, às vezes, a absurdidade do que nos apresenta é tão grande que a piada faz-se sozinha.

 

Consegue-se perceber o trabalho que este livro requereu e acho que isso também é de louvar.  O Guilherme entretanto já lançou outro livro, intitulado "Que Pouca Vergonha", que também estou curiosa por ler.

 

Recomendo para uma leitura leve que consegue ter o seu quê de educacional e informativa. Divirtam-se a entrar na mente dos "chalupas"!

 

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📖 A ler:



📺 A ver:

IT: Welcome to Derry, Temporada 1
Alien: Earth, Temporada 1
Taskmaster (UK), Temporada 19
Pluribus, Temporada 1
Stranger Things, Temporada 5
Alice in Borderland, Temporada 3

🎮 A jogar:

Fields of Mistria
Let's Go Pikachu
Little Nightmares

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