Filmes | Óscares 2024: Past Lives, Killers of the Flower Moon, American Fiction
Nomeados para a categoria de Melhor Filme
Continuamos na saga de ver alguns dos filmes nomeados para os Óscares e achei melhor começar a trazer-vos reviews neste formato conjunto, para não abarrotar o blog de publicações seguidas destes filmes.
Past Lives

Um filme dividido em três atos (temporais) diferentes, focando-se nos encontros, desencontros e reencontros de dois amigos de infância, da Coreia do Sul, que sempre gostaram um do outro. Nora parte, desde cedo, para os Estados Unidos, o que impede desde logo qualquer relação entre os dois.
É um filme com uma ambiência muito melancólica, de onde conseguimos retirar bastante dos silêncios, das expressões faciais e olhares, e de tudo o que não se diz. É muito, muito bonito e retrata muito bem aquele sentimento que certamente todos conhecemos de que podíamos ter amado, ter estado com outra pessoa noutra vida; mas nunca foi o momento certo, nunca existiram as circunstâncias certas para acontecer nesta.
As personagens têm uma profundidade incrível, sobretudo nas ausências de diálogo, e conseguimos perceber aquilo que Hae Sung representa para Nora: não apenas um "podia ter sido", mas também uma ligação à sua cultura.
Não acho que vá ganhar o prémio de Melhor Filme, com concorrentes tão fortes quanto Poor Things, Oppenheimer e até Killers of the Flower Moon. Está no entanto nomeado também para Melhor Guião Original e, apesar de não conhecer ainda os restantes nomeados, não me importava que o ganhasse.

Killers of the Flower Moon

Killers of the Flower Moon mostra-nos um conjunto de homicídios que ocorreram ao longo de décadas no seio de uma nação índia, os Osage. Alguns dos Osage tinham direitos sobre a produção e exploração de petróleo, após este ser descoberto na região, fazendo com que vários brancos se aproveitassem da situação para herdarem estes direitos. O filme foca-se sobretudo na família de Mollie Burkhart e em William Hale, o principal responsável pelos assassinatos. Este período ficou conhecido como "Reino do Terror".
Antes de mais, acho que é importante referenciar-vos para esta review no Letterboxd, que é até à data o comentário mais gostado na página do filme e é escrito por alguém que faz precisamente parte dos Osage. Acho que não haverá ninguém melhor para falar do filme e deste período histórico.
Este filme é incrivelmente simples: foi feito para contar uma história e conta-a. Sem grandes floreados, sem tomar partidos, sem sensacionalismos. Conta uma história da forma mais simples e verossímil (não me cabe avaliar se é realista) que consegue e fá-lo de forma sublime.
Na minha opinião, o filme é super longo e isso pode ser cansativo (por aqui, viu-se o filme em três alturas diferentes), mas a verdade é que eu não consigo dizer que a sua extensão está errada. A sua duração não só é perfeitamente justificada, como é a duração adequada para contar a história no ritmo certo.
Gostei muito deste filme e está nomeado para uma carrada de categorias. Vejam, vale muito a pena! E convido-vos novamente a lerem a review que referi acima, acho que é muito enriquecedora.

American Fiction

Neste filme, acompanhamos Monk, um escritor com poucas vendas, cansado da hipocrisia da representatividade na literatura, onde apenas se dá voz às histórias que constituem "estereótipos" de pessoas negras. Um dia, farto do panorama literário, decide escrever uma sátira repleta desses mesmos estereótipos.
O filme é uma crítica interessante à dita representatividade, que não passa apenas por dar lugar a histórias trágicas e de preconceito (que mantêm a sua importância), mas também por dar oportunidade a pessoas não-brancas de contarem histórias, ponto. Monk escreve apenas "livros normais" e ninguém aceita as suas histórias, ninguém quer saber.
Também acaba por trazer uma reflexão importante para cima da mesa: quando os lugares de liderança estão ocupados por pessoas que fazem parte da maioria, a decisão de dar lugar a minorias e de que forma passa a ser também responsabilidade destas pessoas. E quando apenas as vendas importam, é fácil esquecer que nem todos querem contribuir com o sofrimento que vende.
Ao mesmo tempo, o filme não se foca apenas no livro, mas também em tudo o resto que faz parte da vida de Monk: como ele lida com novos relacionamentos, com perdas e com mudanças preocupantes na sua família. No fundo, mostra-nos a vida normal de uma pessoa normal, o que acho que complementa muito bem a mensagem do filme.
Claro, não consigo não ver um pouco de ironia no facto de estar nomeado para os Óscares. Mas recomendo muito o filme, que está nomeado para várias categorias para além da de Melhor Filme, de entre as quais Melhor Ator, Melhor Guião Adaptado, entre outras.

Já viram algum destes filmes? Deixei-vos curiosa com algum?
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Clica neste link para veres todas as reviews que escrevi de outros filmes nomeados para os Óscares de 2024.










