Séries | Succession
Não podia, em perfeito juízo, deixar passar esta série num dos posts abrangentes que tenho feito. Esta merece mesmo uma publicação que lhe é inteiramente dedicada, não fosse Succession, para mim, uma das melhores séries dos últimos anos. Está garantidamente no top 3, e é se não ocupa mesmo o primeiro lugar.

Succession, da HBO Max, finalizou apenas no mês passado com a sua quarta temporada e 40º episódio, e mostra-nos o dia-a-dia e a jornada da família Roy, que detém a maior empresa de media e entretenimento no mundo. Logan Roy, o magnata da família, já não vai para novo e isso coloca a questão de qual dos três filhos interessados acabará por gerir o império: Kendall, Roman ou Shiv?
Na realidade, o que se vê na série é acima de tudo negócios, manipulação, poder e uma quantidade enorme de podridão. Não seria para menos, talvez, se pensarmos que estamos a falar de uma família bilionária e da rivalidade entre três irmãos em busca de um "trono".
Se ao início a série demora a convencer (não sendo, ainda assim, má de todo), a partir de certo momento começa a conquistar-nos com as suas peculiaridades, sejam elas a forma de ser das personagens, o tipo de humor que a série utiliza ou um trabalho de câmara muito distinto e característico.
Uma das coisas que mais gosto na série são efectivamente as personagens. É que - imagine-se - elas nunca deixam de ser podres. Mas com o tempo passam a ser engraçadas da pior forma possível, passamos a nutrir algum carinho em momentos, embora este nunca dure. Não dá para nos posicionarmos totalmente contra ou totalmente a favor de uma personagem nesta série. Detestamos aquilo que fazem e sentimos desprezo pelas atitudes que têm para, logo a seguir, simpatizarmos com aquilo que sentem e percebermos de onde tudo aquilo vem. São humanas. Talvez sejam por vezes do pior tipo de humanos, mas são humanos.
A série utiliza muito bem a tensão e o constrangimento para criar silêncios embaraçosos e momentos de humor, daquele que é tão bem feito que nos faz sentir tão desconfortáveis quanto as personagens, ao mesmo tempo que achamos aquilo engraçado. E para vos falar do trabalho de câmara, deixo apenas uma curiosidade sobre a execução da série: os actores nunca tinham locais especificados no cenário para pararem, para irem. Nunca houve nada rígido nesse sentido e as câmaras tinham de os acompanhar quase que de forma improvisada.
Por último, queria deixar um destaque para a realização, direcção de fotografia, actores e guionismo, porque em todos os melhores momentos da série que consegui lembrar até hoje, pelo menos dois destes elementos estavam lá. Há cenas nesta série que são uma autêntica obra de arte, seja de modo visual, seja pelos gestos e olhares trocados pelas personagens que dizem tudo sem precisar de dizer nada, seja pelos diálogos tão crus, tão autênticos, tão avassaladores.
No meio de tanta podridão, o melhor desta série é o quão bem mostra elementos humanos, tão puramente humanos que todos os vivemos, todos os percebemos, todos os experienciamos independentemente de sermos boas ou más pessoas, bilionários ou não.
Absolutamente tudo nesta série é brilhante: desde o soundtrack à construção de personagens, passando pela representação, escrita, elementos visuais... Tudo. Tenho pena que uma série tão incrível já tenha terminado e gostava de poder apagá-la da memória só para a poder ver novamente como se fosse a primeira vez.
Facilmente Succession ganha, para mim, o prémio de melhor série dos últimos anos. Muitos dizem que está ao nível de Breaking Bad. Eu digo que é ainda melhor.
Provavelmente esta é a série que mais recomendo a toda a gente que vejam, de todas as séries que já partilhei por aqui até hoje. É uma obra de arte do entretenimento. Façam um favor a vocês mesmos e vejam.

Quem aqui viu? Deixei alguém com vontade? É que sinceramente essa é a minha nova missão na Terra.


